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Bioinsumos ganham espaço e já fazem parte da estratégia produtiva do agro brasileiro

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Enquanto o debate público costuma se concentrar no número de registros de defensivos químicos, o movimento mais relevante em curso no agro brasileiro está na expansão dos bioinsumos — produtos biológicos, microbiológicos e bioquímicos que vêm deixando de ser nicho para se tornar ferramenta regular de manejo em várias culturas.

Os dados oficiais do Ministério da Agricultura (Mapa) confirmam um movimento que já vinha sendo percebido no campo: o avanço consistente dos bioinsumos na agricultura brasileira. Em 2025, o país registrou o maior volume da série histórica de liberações desse tipo de produto, reforçando uma mudança estrutural no manejo fitossanitário das lavouras.

Segundo o balanço do Mapa, 162 bioinsumos foram registrados apenas em 2025, dentro de um total de 912 registros concedidos no ano. Diferentemente dos produtos técnicos de uso industrial ou dos equivalentes químicos, os bioinsumos concentram hoje a maior parte da inovação aplicada diretamente ao produtor, abrangendo agentes microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive com aplicações aprovadas para a agricultura orgânica.

Na prática, esse volume de registros amplia um portfólio que já vinha crescendo de forma acelerada. Estimativas do setor indicam que o Brasil conta atualmente com centenas de formulações biológicas disponíveis no mercado, e que mais de um terço da área de soja do país já utiliza algum tipo de bioinsumo, seja no tratamento de sementes, no solo ou em aplicações foliares. Na cana-de-açúcar, o controle biológico é prática consolidada, enquanto em culturas como milho, algodão e café a adoção cresce de forma técnica e gradual.

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Os números do próprio Mapa ajudam a dimensionar esse movimento. Diferentemente do que ocorre com parte dos defensivos químicos, registro não significa aplicação automática no campo. Dados nacionais mostram que, em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas não chegaram a ser comercializadas, o que reforça que o crescimento dos bioinsumos não é apenas regulatório, mas responde a uma demanda real por soluções mais eficientes e adaptadas ao manejo moderno.

O interesse crescente também se reflete no mercado. O segmento de bioinsumos no Brasil cresce a taxas estimadas entre 15% e 20% ao ano, ritmo muito superior ao observado no mercado global de defensivos. Esse avanço tem atraído investimentos de grandes indústrias, cooperativas e empresas nacionais, além de impulsionar a produção on farm, especialmente em sistemas que buscam reduzir custos e aumentar a resiliência das lavouras.

Diferentemente do que ocorre com parte dos defensivos químicos, cujo registro não necessariamente se converte em uso efetivo, os bioinsumos apresentam taxas de adoção crescentes. Estimativas do setor indicam que mais de 30% da área de soja no Brasil já recebe algum tipo de produto biológico, seja no tratamento de sementes, no sulco de plantio ou em aplicações foliares.

Na cana-de-açúcar, o uso de agentes biológicos para controle de pragas como a broca já é consolidado há décadas, enquanto no milho e no algodão a adoção avança principalmente no controle de nematoides e no manejo preventivo de doenças de solo. No café, bioinsumos vêm sendo incorporados tanto para sanidade quanto para melhoria da eficiência nutricional e tolerância ao estresse hídrico.

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Apesar desse avanço, especialistas apontam que o potencial de crescimento ainda é grande. Em muitas regiões, os bioinsumos são usados de forma pontual, e não plenamente integrados aos programas de manejo, o que limita seus resultados.

O mercado brasileiro de bioinsumos é hoje um dos que mais crescem no mundo, com taxas anuais estimadas entre 15% e 20%, bem acima do crescimento médio do mercado global de defensivos. Esse ritmo tem atraído investimentos de grandes multinacionais, cooperativas e startups nacionais, além de estimular a produção on farm, dentro das propriedades.

Para o produtor, o interesse não é apenas ambiental. Em um cenário de resistência crescente de pragas, pressão por redução de resíduos e custos elevados de defensivos químicos, os bioinsumos passaram a ser vistos como uma ferramenta econômica e técnica, capaz de preservar a eficiência dos produtos tradicionais e aumentar a longevidade dos sistemas produtivos.

No campo, a leitura é pragmática: bioinsumos não eliminam os defensivos químicos no curto prazo, mas ajudam a reduzir dependência, racionalizar aplicações e melhorar a eficiência do manejo. Em muitos casos, permitem diminuir doses, espaçar aplicações ou atuar de forma preventiva, especialmente em anos de clima mais favorável à pressão de pragas e doenças.

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Esse movimento explica por que o crescimento dos bioinsumos ocorre mesmo em sistemas altamente tecnificados e de larga escala, longe da lógica de agricultura alternativa ou de nicho.

Com mais produtos disponíveis, maior conhecimento técnico e avanço das tecnologias de aplicação, o uso de bioinsumos tende a se expandir nos próximos anos. O desafio agora está menos no registro e mais na capacitação, no manejo correto e na integração dessas soluções aos sistemas produtivos, respeitando clima, solo e histórico de cada área.

Para o agro brasileiro, os bioinsumos deixaram de ser promessa. Já estão no campo, ganhando espaço, e passam a ocupar um papel estratégico em produtividade, custo e sustentabilidade — não por discurso, mas por resultado prático.

Fonte: Pensar Agro

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Crédito travado expõe falhas em regra ambiental e causa insegurança jurídica

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A combinação entre novas exigências ambientais e o uso automático de monitoramento por satélite para concessão de crédito rural passou a travar operações no campo e reacendeu o debate sobre segurança jurídica no financiamento da produção. Em vigor desde 1º de abril, as resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) obrigam instituições financeiras a consultar o sistema Prodes antes de liberar recursos, medida que, na prática, tem gerado bloqueios até em áreas produtivas regulares.

O problema está na forma como os apontamentos são feitos. O Prodes, ferramenta oficial de monitoramento por satélite, identifica alterações na cobertura vegetal, mas não distingue automaticamente práticas agrícolas legais — como renovação de culturas, manejo de pastagens ou substituição de lavouras, de desmatamento irregular. O resultado tem sido um volume elevado de registros que, mesmo sem confirmação de infração, acabam impedindo o acesso ao crédito.

Dados de mercado indicam que, até outubro de 2025, foram registrados 5,4 milhões de apontamentos positivos no sistema, parte deles considerados potenciais falsos positivos. No campo, produtores relatam embargos administrativos sem notificação prévia e sem possibilidade imediata de contestação, o que interrompe o fluxo de financiamento em momentos críticos da safra.

O impacto se soma a um quadro mais amplo de restrição ao crédito no campo. Como mostrou o portal Pensar Agro mostrou na edição de ontem (09.04) – leia aqui, o aumento do endividamento rural e o custo elevado do financiamento também vêm limitando a capacidade de acesso a recursos por parte dos produtores.

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Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças tanto no Congresso quanto junto ao Executivo. Dois projetos de lei em tramitação buscam limitar o uso exclusivo de sensoriamento remoto para embargos e estabelecer critérios mais claros, com base no Código Florestal, para o bloqueio de crédito rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o problema não está na ferramenta, mas na forma como ela vem sendo aplicada. “O monitoramento por satélite é essencial e deve ser mantido. O que não pode acontecer é o produtor ser penalizado automaticamente por uma leitura que não diferencia manejo produtivo de desmatamento ilegal. Hoje, há situações em que a simples renovação de uma área agrícola gera um bloqueio de crédito, o que compromete toda a operação da safra”.

Segundo ele, o efeito mais imediato é a ruptura no fluxo financeiro dentro da porteira. “O crédito rural não é apenas financiamento, é a engrenagem que sustenta o ciclo produtivo. Quando há um bloqueio inesperado, o produtor perde capacidade de compra de insumos, atrasa plantio e aumenta o risco operacional. Isso encarece a produção e reduz competitividade, principalmente em um cenário de margens já pressionadas”.

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Rezende avalia que a insegurança jurídica tende a ampliar o custo do crédito no médio prazo. “O sistema financeiro reage ao risco. Se há incerteza sobre a elegibilidade do produtor, o crédito fica mais restritivo e mais caro. Isso pode afastar investimentos, travar expansão de área e até comprometer ganhos de produtividade. No fim, o impacto não fica só no produtor, mas em toda a cadeia, inclusive no abastecimento e nos preços ao consumidor”.

Paralelamente, o Congresso também discute mudanças no seguro rural. O Projeto de Lei que reformula o modelo e prevê a criação de um fundo de catástrofes tramita em regime de urgência. A proposta busca recompor a previsibilidade de um instrumento que perdeu força nos últimos anos: os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) caíram de R$ 1,15 bilhão em 2021 para R$ 565,3 milhões em 2025, o menor nível desde 2019.

A avaliação no setor é de que crédito e seguro caminham juntos. Sem previsibilidade regulatória e instrumentos de mitigação de risco, o ambiente de financiamento tende a se deteriorar. No momento em que o país busca ampliar produção com sustentabilidade, o desafio passa a ser calibrar controle ambiental com viabilidade econômica — sem comprometer o acesso ao crédito que sustenta o campo.

Fonte: Pensar Agro

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Mais etanol e vendas antecipadas mudam ritmo do mercado

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O avanço das vendas antecipadas pelas usinas e a mudança no destino da cana-de-açúcar estão redesenhando o mercado na safra 2026/27, com impacto direto sobre exportações e preços. A expectativa é de queda de cerca de 14,2% nos embarques brasileiros de açúcar, à medida que cresce o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.

Em março, o Brasil exportou 1,808 milhão de toneladas de açúcar, volume 1,42% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A receita somou aproximadamente R$ 3,39 bilhões (US$ 657,57 milhões convertidos a R$ 5,15), recuo de 24,7% na comparação anual, refletindo preços internacionais mais baixos.

Apesar da retração no mês, o acumulado do primeiro trimestre ainda indica crescimento em volume. Entre janeiro e março, os embarques alcançaram 6,04 milhões de toneladas, alta de 5,78% sobre igual período de 2025. A receita, por outro lado, caiu 19,6%, evidenciando a pressão sobre os preços médios.

No campo, a principal mudança está no mix de produção. A moagem no Centro-Sul deve variar entre 625 milhões e 635 milhões de toneladas, com maior participação do etanol. A parcela da cana destinada ao açúcar tende a cair para 48,8%, abaixo dos 50,7% do ciclo anterior, em resposta direta aos preços mais elevados dos combustíveis.

Esse ajuste ocorre em um cenário de possível déficit global estimado em 2,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que, em tese, sustentaria as cotações internacionais. No entanto, o comportamento das usinas tem atuado como fator de contenção no curto prazo.

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Levantamento da StoneX indica que as fixações de açúcar no Centro-Sul avançaram de 41,8% para 59,5% ao longo de março. A diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, que já foi de 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.

Na prática, esse movimento reduz a pressão de venda que vinha travando altas mais consistentes. Com menos volume disponível para negociação imediata, o mercado passa a operar em um ambiente mais equilibrado, com menor resistência a eventuais valorizações.

No cenário internacional, os preços do açúcar registraram ganhos moderados em março, influenciados por fatores financeiros e geopolíticos, como a redução de posições vendidas por fundos em meio a tensões no Oriente Médio.

Para o produtor, o foco permanece na gestão do mix entre açúcar e etanol, que segue diretamente ligado ao comportamento do petróleo. A combinação entre custos, preços internacionais e demanda por combustíveis deve definir o rumo das margens ao longo da safra.

Fonte: Pensar Agro

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Exportações de carne suína crescem 32% em março

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Em março, o Brasil exportou 153,8 mil toneladas de carne suína, entre produtos in natura e processados, volume 32,2% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho ocorre em um contexto de ajuste nos preços das proteínas, que ampliou a competitividade da carne suína no mercado interno e externo.

No atacado, enquanto a carne suína perdeu valor, a bovina seguiu em trajetória de alta. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostra que a carcaça especial suína foi negociada a R$ 10,06 por quilo na Grande São Paulo, queda de 2,8% frente a fevereiro. Já a carcaça casada bovina subiu para R$ 24,32 por quilo, impulsionada pela oferta restrita de animais terminados e pela demanda internacional aquecida.

Com isso, o diferencial de preços entre as duas proteínas atingiu R$ 14,26 por quilo em março, o maior nível em quatro anos. Esse aumento do spread reforça a atratividade da carne suína, especialmente em momentos de renda mais pressionada, e favorece o avanço dos embarques.

A receita acompanhou o crescimento do volume. As exportações somaram cerca de R$ 1,86 bilhão no mês, considerando câmbio médio de R$ 5,15, alta de 30,1% na comparação anual.

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No acumulado do primeiro trimestre, o setor manteve ritmo consistente. Foram exportadas 392,2 mil toneladas, avanço de 16,5% sobre igual período de 2025, com faturamento próximo de R$ 4,7 bilhões.

No mercado doméstico, a pressão sobre os preços da carne suína esteve associada à menor liquidez típica da Quaresma, período em que há redução no consumo da proteína. Com o encerramento desse intervalo no início de abril, a expectativa é de recomposição gradual da demanda interna.

No exterior, a demanda segue concentrada na Ásia e em mercados sul-americanos. As Filipinas lideraram as compras em março, com 48,9 mil toneladas — aumento de 80,7% em relação ao ano anterior. Japão (18,2 mil toneladas, +85,8%), China (12,7 mil toneladas, -9,5%), Chile (10,6 mil toneladas, +26,1%) e Hong Kong (8,8 mil toneladas, -29,4%) aparecem na sequência.

Regionalmente, a base exportadora continua concentrada no Sul do país. Santa Catarina liderou os embarques, com 71 mil toneladas (+21,5%), seguida por Rio Grande do Sul (43,3 mil toneladas, +71,4%) e Paraná (21,4 mil toneladas, +10,5%). Estados como Minas Gerais e Mato Grosso também ampliam participação, ainda que em menor escala.

A sustentação do mercado segue ancorada no desempenho externo, enquanto o comportamento do consumo interno e a evolução dos preços das demais proteínas devem orientar o ritmo das cotações ao longo de 2026.

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Fonte: Pensar Agro

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