Mato Grosso
Biólogo desenvolve projetos que vão além da sala de aula
O biólogo Juan Maro Kersul de Carvalho, de 38 anos, faz parte da nova geração de professores da rede estadual de ensino, com mestrado e duas cadeiras, ele leva seu trabalho para além das salas de aula.
Na Escola Estadual Fernando Leite de Campos, em Várzea Grande, o profissional criou os projetos Clube do Xadrez e Clube do Pedal – neste último com a participação dos pais. São ciclistas que, uma vez por semana, saem pedalando suas bicicletas e aprendem, desde trocar o pneu a ler um mapa geográfico.
Segundo Juan, a ideia do Clube do Pedal surgiu pela necessidade de praticar um esporte para incentivar o uso de transporte mais consciente, que gere a minimização dos impactos ambientais. A iniciativa vem sendo desenvolvida desde o início do ano e atraiu os pais dos estudantes, que acompanham seus filhos nos passeios.
Os participantes se reúnem toda terça-feira a noite para andar de bicicleta por pontos estratégicos da cidade. Em todo o percurso, os alunos e pais são supervisionados por professores responsáveis.
Os ciclistas usam equipamentos de segurança, como: capacete e sinalizadores nas bicicletas. Ele destaca que alguns temas relacionados aos percursos são abordados dentro do clube, numa verdadeira aula prática.
“São temas como a própria questão da física, por exemplo, a quilometragem por hora que é desenvolvido no percurso. Em geografia, trabalhamos o estudo dos mapas, para isso utilizamos o aplicativo Strava que mostra um panorama durante o percurso fazendo a leitura”, frisa.
Os alunos aprendem também a trocar pneus das bicicletas, fazer a calibragem além de interpretar as normas de trânsito de uma cidade, fundamental para quem gosta de pedalar em região com grande movimentação de veículos.
O professor acrescenta que, com tudo isso, os alunos passam a idealizar uma cidade com melhor condições e adequação aos ciclistas. “Eles têm o desejo de que a cidade construa ciclovias, ciclofaixas e seja melhor para os ciclistas. A educação para o trânsito é para o desenvolvimento da cidade. Com isso, é necessária ter uma infraestrutura”, assinala.
Ele lembra que, nessa conscientização, os participantes do Clube do Pedal descobrem ser necessária uma interação entre os motoristas, pedestres e ciclistas.
Clube do Xadrez
Todas as tardes de quinta-feira, os alunos aprendem como funciona o jogo – com teoria sendo colocada na prática, os estudantes aprendem a raciocinar com rapidez. “Um jogo que era para poucos e agora para muitos”, comemora Juan, destacando que os alunos acabam se empolgando e ninguém falta às aulas.
O professor explica que na EE Fernando Leite de Campos não havia uma cultura de projetos. Ao ser inserida no Programa Ensino Médio Inovador, muitos recursos vieram para a escola. “Então, começamos a construir projetos dentro do ambiente escolar e, desde então, temos vários projetos em execução”, esclarece.
Juan lembra que o projeto mais antigo em atividade na escola é o Biomas, que estuda o bioma da região Centro-Oeste. Na finalização, é realizada uma aula de campo. Com isso, os alunos já conheceram Poconé, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães e outros locais, colocando em prática o que aprenderam na escola.
A profissão
Casado e pai de duas crianças, Davi de 10 anos e Sofia de 6, Juan é professor. Formado em técnico em turismo, sentiu a necessidade de estudar biologia e acabou se apaixonando pela docência. Começou a carreira como professor da Universidade de Cuiabá, no Curso de Ciências Biológicas, mas optou pela rede estadual.
“Em 2009, fiz o concurso e comecei a trabalhar em uma unidade escolar próxima de minha casa. Conheço os alunos, os pais. Para mim, a escola é um espaço que precisa ser ocupado, não pode ficar vazio, tem que ser cheio de significado. A escola é transformadora, não é só fonte de conhecimento para meus alunos, mas para mim também. A todo instante a gente aprende uns com os outros”, frisa.
O professor se diz apaixonado pela Educação e pela escola onde trabalha. “A profissão das profissões tinha que ter local de destaque entre todas as carreiras. Estamos seguimos nessa direção”.
Mato Grosso
Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

Foto-Assessoria
Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.
Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.
Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.
Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.
O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.
Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.
Mato Grosso
Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática
A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso
Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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