Mato Grosso
Capacitação aborda importância do painel de monitoramento criminal
Com o objetivo de aprimorar o painel de monitoramento criminal e análise de dados, a Secretaria Adjunta de Integração Operacional (Saiop) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) promove uma capacitação, nesta quinta-feira (27.06). Participam, neste primeiro momento, representantes da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT) e da Polícia Militar (PM-MT) dos municípios de Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Nova Brasilândia, Planalto da Serra e Santo Antônio de Leverger.
A ideia é que os coordenadores das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) da Região Integrada de Segurança Pública (Risp) I entendam a importância de preencher corretamente o sistema de monitoramento criminal, que reúne os índices de homicídios, furtos e roubos, e servem de base para o planejamento de operações integradas nas diversas regiões do estado.
Um dos assuntos abordados foi a inclusão de novas naturezas de ocorrências no Sistema de Registro de Operações Policiais (SROP), mediante aprovação da comissão responsável, em maio deste ano. São elas: feminicídio; morte por intervenção de agente do Estado; morte a esclarecer sem indício de crime; e morte acidental. As mudanças seguem a Portaria nº 229, de 10 de dezembro de 2018, do Ministério da Justiça.
Conforme a coordenadora de Estatística e Análise Criminal da Sesp-MT, Tatiane Eloá Pilger, que ministrou o tema, outra novidade foi a inclusão do campo “vínculo” no sistema, que permite preencher a relação entre vítima e suspeito. “São ferramentas importantes que nos permitem detalhar informações cruciais não só para a investigação, mas também para a obtenção de dados mais fidedignos. Por isso, é essencial ter esta atenção na hora de alimentar o sistema”.

O secretário adjunto de Integração Operacional da Sesp-MT, coronel PM Victor Fortes, agradeceu a presença dos participantes e ressaltou a importância do aprimoramento constante para a melhoria da atuação das forças de segurança pública. “A troca de informações visa contribuir com a melhoria do trabalho, colocando o que temos à disposição de quem está na ponta, e também ouvindo as demandas de cada região”.
Risp II
Os participantes também conheceram melhor o painel de monitoramento criminal, por meio de uma apresentação feita pela Coordenadoria de Planejamento e Monitoramento da Sesp-MT. O treinamento continua na manhã desta sexta-feira (28.06), com a participação de representantes das Aisp’s da Risp II, que abrange os municípios de Acorizal, Jangada, Nobres, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Rosário Oeste e Várzea Grande.

Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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