Mato Grosso
CGE e Seduc ampliam alcance do “Estudante – Cidadão do Futuro” e levam formação cidadã a escolas do interior de Mato Grosso

A Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT) e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) intensificaram, nesta semana, a expansão do programa “Estudante – Cidadão do Futuro” para o interior do estado, consolidando o avanço da iniciativa, que já alcança metade das unidades previstas nesta edição.
Após o início das atividades no Distrito da Guia, na última terça-feira (17.3), a programação seguiu na quarta-feira (19) na Escola Estadual José de Barros Maciel, em Nossa Senhora do Livramento, e continua nesta quinta-feira (20) na Escola Estadual Hermes Rodrigues de Alcântara, em Santo Antônio de Leverger. O encerramento desta etapa está previsto para o dia 23, com ações simultâneas nas Escolas Estaduais Arnaldo Estevão de Figueiredo, em Jangada, e Pio Machado, em Acorizal, ampliando o alcance do projeto e reforçando a formação cidadã de estudantes da rede pública em diferentes regiões de Mato Grosso.
Ao todo, 20 escolas da rede estadual foram selecionadas para participar do programa. Destas, 10 já receberam apresentações teatrais e atividades educativas. Realizada em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT), a programação, cujo tema é “Jovens em Ação – #VotoNaDemocracia”, segue agora por municípios da Baixada Cuiabana, mantendo o mesmo formato adotado desde o início do projeto.
Para o auditor do Estado, Vilson Nery, a interiorização amplia não apenas o alcance do programa, mas também o aprendizado da própria equipe. Segundo ele, cada escola representa uma realidade distinta, o que contribui para o fortalecimento da iniciativa.
“Já nos apresentamos em 10 escolas, e isso significa 10 experiências diferentes. Cada unidade tem suas particularidades, seu contexto social, seu perfil de alunos. Ao mesmo tempo em que os estudantes aprendem, nós também aprendemos com cada realidade. A recepção tem sido muito positiva, e em algumas escolas o programa já é reconhecido. Isso mostra que a mensagem está chegando”, destacou.
A ampliação das atividades para além da capital reforça o compromisso da CGE em levar educação cidadã a diferentes regiões do Estado, promovendo inclusão, ampliando o acesso à informação e fortalecendo o papel da instituição na formação de cidadãos conscientes.
Teatro
A iniciativa utiliza o teatro como ferramenta pedagógica para abordar temas como cidadania, participação política, funcionamento dos municípios e a importância do voto. Com linguagem leve e interativa, o projeto aproxima conteúdos considerados complexos da realidade dos estudantes e estimula o interesse dos jovens.
O ator Mateus Sousa, intérprete do personagem Mago Ado, destaca o papel do teatro como ferramenta de conexão com os estudantes e de fixação do conteúdo.
“A arte ajuda a criar memórias afetivas. Quando o estudante vive uma experiência marcante, ele aprende de forma mais natural. A gente uniu esse potencial do teatro com temas como cidadania, política e democracia, criando uma vivência em que eles participam, se envolvem e aprendem ao mesmo tempo”, explicou.
Consciência cidadã
A diretora da Escola Estadual Filogônio Corrêa, Elizalde de Souza Amorim, ressalta a relevância da ação para a comunidade escolar e o impacto direto na formação dos alunos, especialmente em um ano eleitoral.
“A escola já trabalha esses temas, mas quando vem uma iniciativa como essa, de fora, ganha ainda mais força. Falar sobre voto consciente, democracia e participação ajuda a formar estudantes mais críticos e reflexivos. Para a nossa realidade, isso é fundamental”, afirmou.
A servidora da Seduc, Thynna Costa, avalia que a iniciativa contribui para despertar a consciência cidadã desde cedo, inclusive entre estudantes que ainda não podem votar.
“Participaram alunos desde a 6ª série até o ensino médio. Mesmo antes de exercer o direito ao voto, eles passam a compreender seus direitos e deveres, desenvolvem senso crítico e aprendem a analisar melhor as informações. Isso contribui diretamente para a formação cidadã”, afirmou.
Entre os estudantes, a percepção também é positiva. A aluna do ensino médio e presidente do grêmio estudantil da Escola Filogônio Corrêa, Samilly Fernandes, destaca que a apresentação trouxe uma nova compreensão sobre o voto e a responsabilidade na escolha de representantes.
“Eu gostei bastante, porque a gente entende o que é certo. Não é votar na pessoa por aparência ou por conhecer, mas pelo que ela já fez e pelo que propõe fazer. Foi uma experiência muito boa para a escola, deixou o ambiente mais leve e ainda despertou nossa curiosidade para conhecer os órgãos públicos”, relatou.
Programa Estudante -Cidadão do Futuro
O programa está na segunda edição e envolve estudantes do 2º e 3º anos do ensino médio de escolas estaduais da região metropolitana de Cuiabá. A expectativa é alcançar cerca de 300 alunos de forma direta.
As atividades seguem até maio de 2026 e incluem palestras sobre o processo eleitoral, oficinas formativas, mobilização para alistamento eleitoral, visitas orientadas a órgãos públicos e concurso de produção de vídeos para redes sociais. O programa tem também a parceria da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania(Setasc), Secretaria de Estado de Fazendao (Sefaz) e Receita Federal.
Confira AQUI o regulamento do programa em 2026.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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