Mato Grosso
CGE processa 180 empresas por violações à Lei Anticorrupção
Aproximadamente 180 empresas respondem a processos administrativos na Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT) por violações à Lei Anticorrupção (Lei Federal n. 12.846/2013). O dado foi apresentado pelo secretário-controlador geral do Estado, Emerson Hideki Hayashida, durante o Simpósio “Gestão de Integridade e Compliance”, realizado na terça e quarta-feira (02 e 03/07), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O titular da CGE-MT citou o quantitativo de empresas investigadas ao destacar que o processamento de pessoas jurídicas é hoje uma das principais frentes de trabalho do órgão central de controle interno do Poder Executivo Estadual.
A atuação da CGE nesta área já rendeu, inclusive, a celebração de acordos de leniência, em parceria com a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Ministério Público Estadual (MPE). Nos últimos dois anos, ao menos R$ 900 milhões, entre ressarcimento e multas, já foram devolvidos aos cofres públicos por empresas envolvidas em atos de corrupção.
O titular da CGE destacou que a Lei Anticorrupção foi um marco no fomento à implementação de procedimentos internos de integridade tanto no setor público quanto no privado como forma de prevenção, detecção e repressão à corrupção.
“Estamos diante de uma excepcional ferramenta de gestão e controle interno, cujos benefícios são maiores, capazes de revolucionar a cultura organizacional de determinada empresa e, ao mesmo tempo, instituir um novo paradigma de relacionamento entre os setores público e privado, pautado pela ética, transparência e no prevalecimento do interesse público”, comentou Hideki.

Mato Grosso foi um dos primeiros estados a instituir, por meio de lei (Lei nº 10.691/2018), um Programa de Integridade Pública, cuja participação dos órgãos é voluntária.
Apesar do tema e da lei serem recentes, muitos dos pilares do compliance não são novidade para a CGE. Como responsável pelas atividades de Ouvidoria, Controle, Auditoria e Correição, a Controladoria já atuava, por exemplo, na análise e gestão de riscos junto aos órgãos estaduais. Entretanto, o desafio para as secretarias é tratar o tema de maneira sistematizada e de acordo com as peculiaridades de cada instituição.
“É desafiador colocar em prática todo o conjunto de medidas de integridade, adaptado-as à realidade de cada ente que compõe o Poder Executivo Estadual. Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais precisamos de eventos como este, sobre as diferentes nuances do compliance”, disse o secretário-controlador.
O chefe da CGE-MT ressaltou que a promoção da integridade envolve mudança de cultura. “A honestidade é uma bandeira que todos nós devemos empunhar. Porém, no contexto brasileiro, apesar dos avanços recentes na luta contra corrupção, temos uma longa caminhada a percorrer. E quando se fala em compliance, não devemos nos contentar em apenas obedecer normas, pois o grande diferencial do programa de integridade é proporcionar a mudança de comportamento, seja numa grande empresa, numa pequena cooperativa ou num órgão público”, argumentou.
O controlador-geral do Estado do Paraná, Raul Clei Coccaro Siqueira, um dos palestrantes do evento, salientou que discutir o assunto no meio acadêmico é vislumbrar um futuro melhor. “Temos de conscientizar esse aluno e esse cidadão que dentro de sua carreira profissional ele deve seguir os mais elevados padrões de ética, integridade e moralidade das normas”, comentou.
Siqueira participou do painel “Gestão de Integridade no Setor Público”, juntamente com o superintenente da Controladoria Geral da União no Estado (CGU), Daniel Gontijo Motta.
Projeto de extensão
O Simpósio “Gestão de Integridade e Compliance” integra o projeto de extensão Gestão de Integridade e Compliance, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC). A programação será desenvolvida até dia 1º de agosto, no auditório de pós-graduação da FACC, no campus da UFMT em Cuiabá, com o apoio da CGE-MT.
A partir de segunda-feira (08.07), terão início os workshops sobre os temas de Gestão de Contratos na Prevenção de Riscos, Noções de Compliance, Auditoria Contábil e Gestão de Riscos e Gestão de Integridade, Risco e Compliance.
As inscrições podem ser feitas presencialmente no auditório da FACC ou no site da Fundação Uniselva.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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