
Foto- Assessoria
Afundada em dívidas fiscais que ultrapassam R$ 200 milhões, a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (CODER) chega a um ponto de inflexão em sua trajetória. O passivo acumulado ao longo dos anos, aliado à redução de serviços e à perda de capacidade operacional, expõe uma empresa que se tornou refém de decisões administrativas equivocadas e da falta de planejamento estratégico.
A convocação de uma Assembleia para deliberar sobre a liquidação da CODER, já com aval da Justiça, indica que o processo de encerramento das atividades não é apenas uma questão contábil, mas também um movimento político e administrativo. A decisão, embora sustentada por argumentos técnicos, ocorre em um contexto sensível — às vésperas de disputas sindicais e com impactos diretos sobre centenas de trabalhadores.
Nos bastidores, há quem avalie que o fechamento da companhia atende mais a uma lógica de reorganização política e fiscal do município do que à busca de soluções estruturais para os problemas da CODER. O desfecho, portanto, vai muito além das planilhas: representa uma mudança profunda na relação do poder público com o modelo de gestão de serviços urbanos e com a própria história do funcionalismo municipal.
Se confirmada, a liquidação da CODER tende a provocar impactos sociais e econômicos significativos. Centenas de trabalhadores correm o risco de perder o emprego, enquanto a cidade pode enfrentar um vazio operacional na execução de serviços essenciais, como limpeza, tapa-buracos e manutenção de espaços públicos. A alternativa provável será a terceirização dessas funções, o que levanta questionamentos sobre custos, qualidade e transparência.
A empresa acumulou dívidas, perdeu eficiência e se tornou vulnerável a decisões políticas. O desafio agora é garantir que a liquidação não se transforme apenas em transferência de problemas para a iniciativa privada, mas em uma reformulação real do modelo de gestão de serviços públicos.
Mais do que o fim de uma empresa pública, o que se desenha é o encerramento de um ciclo histórico — em que o papel social e estratégico da CODER será substituído por uma nova lógica administrativa, ainda cercada de incertezas sobre seus reais beneficiários.