Mato Grosso
Comitê Paralímpico Brasileiro e Unemat realizam curso de capacitação em Cáceres
Treinadores das seleções paralímpicas brasileira de Goalball, para-atletismo, voleibol sentado e futebol de 5 estão em Cáceres ministrando o 1º Curso de Capacitação em Educação Paralímpica. O evento reúne 140 participantes entre acadêmicos de graduação, professores da rede pública de ensino, gestores de esporte e lazer.
O objetivo do curso promovido em parceria pela Universidade do Estado de Mato Grosso com o Comitê Paralímpicos Brasileiro é promover a formação e a qualificação de profissionais para atuar no esporte paralímpico.
O treinador da seleção paralímpica de voleibol sentado, Celio Mediato, destaca que nos últimos anos o interesse dos municípios pelos esportes paralímpicos tem crescido. “Isso é muito importante, porque estamos capacitando profissionais que serão agentes multiplicadores das modalidades paralímpicas. Nós sabemos que muitas crianças e deficientes ainda estão dentro de suas casas, até por preconceito das famílias e com esse processo queremos atingir o máximo de pessoas e promover nas escolas o que chamamos de inclusão inversa, que é quando o aluno não deficiente tem a chance de saber e viver na prática as dificuldades dos deficientes de forma a sensibiliza-los e a humanizar a relação entre deficientes e não deficientes”, afirmou.
Para a professora da rede pública de ensino, Leila Maira Borré, que assumiu a função de professora de Educação Física na rede estadual de ensino e atua na escola Gabriel Pinto de Arruda em Cáceres, esse curso vem atender os desejos de qualificação. “Com as alterações legais nossos currículos contemplam os esportes paralímpicos como conteúdo específico para as séries do ensino fundamental II e saber mais dessas modalidades possibilita que os alunos interajam e se interessem de forma a reconhecer as oportunidades que possuem. De 10 turmas que tenho em sete tenho alunos com alguma deficiência, e esse curso possibilita que possamos planejar o desenvolvimento das aulas de forma a promover um processo inclusivo”, diz.
A acadêmica de Educação Física da Unemat, Ana Paula Cuiabano Gomes, de 22 anos, entrou na graduação com uma motivação a mais. Ela tem um filho com paralisia cerebral, que tem três anos, e entende que a educação física traz novas motivações para as pessoas com deficiência de modo a superar as dificuldades. “Juntamente com outras mães em Cáceres, muitas vezes os professores nos procuram e nos dizem não saber como lidar com nossas crianças, então esse curso é uma forma de capacitar esses profissionais” relata.
Para o professor da Unemat, e coordenador do Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Esporte e Exercício, Riller Reverdito da Silva a intenção é que esse primeiro curso sirva como aproximação da Unemat com o Comitê Paralímpico a fim de promover outros eventos e ações em conjunto visando a formação continuada dos professores. “Esse curso nasceu de uma demanda apresentada nas pesquisas e atividades do centro e acredito que este é o inicio de uma parceria muito promissora”.
O curso começou nesta segunda-feira (14) com a parte teórica sobre os pressupostos da Educação Paralímpica ministrada pelo coordenador de Educação Paralímpico Brasileiro Davi Farias Costa e pela professora Afonsa Janaína da Silva, e a parte prática da oficina que segue até essa quarta-feira (16) os professores: Alex Sabino (para atletismo), Antônio Bahia (Futebol de 5), Celio Mediato (voleibol sentado) e Nagila Zambonatto (Goalball).
Organização: Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Esporte e Exercício Física (Cipeef), Universidade do Estado de Mato Grosso, Rede Cedes Mato Grosso, Ministério da Cidadania/Secretaria Especial do Esporte, Educação Paralímpica e Comitê Paralímpico Brasileiro.
Apoio: Secretaria Adjunta de Esporte e Lazer, Governo do Estado de Mato Grosso, Secretaria de Esporte e Lazer, Prefeitura Municipal de Cáceres e Colégio Salesiano Santa Maria.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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