Mato Grosso
Concerto marcado pela diversidade celebra aniversário de Mato Grosso
A descentraliação no acesso à cultura e a arte foi a proposta principal do espetáculo Mato Grosso de Todos os Ritmos, que ocorreu na noite desta terça-feira (30), unindo a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob a batuta do maestro Fabrício Carvalho, e uma dezena de artistas em um concerto marcado pela diversidade e alegria.
“Um concerto que vai ficar para a história. Uma reunião de diversos representantes das tradições musicais de Mato Grosso em um único espetáculo. Uma iniciativa bem-sucedida em favor da democratização do acesso aos nossos bens culturais. O primeiro de muitos. A ideia é que possamos levar a orquestra e muito mais convidados para todos os cantos do Estado, para praças públicas e lugares de fácil acesso a população, valorizando sempre nossas tradições e nossos artistas e promovendo a arte”, descreveu o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, Allan Kardec.
De acordo com a Polícia Militar, aproximadamente duas mil pessoas prestigiaram o espetáculo realizado na véspera de feriado do trabalhador, no entorno da Arena Pantanal, em comemoração aos 271 anos de Mato Grosso e aos 300 anos de Cuiabá.
Com arranjos inéditos especialmente encomendados ao maestro Leoni Pepe D’Adderio, todo o repertório da noite foi pensado para exaltar a música mato-grossense e, principalmente, valorizar os artistas do Estado.
Entre os convidados e gêneros musicais dessa primeira edição foram destacados: o lambadão do grupo Erre Som, o rasqueado de Roberto Lucialdo e do trio Pescuma, Henrique e Claudinho, a tradicional música cuiabana de Vera e Zuleica, a Bateria Touceira da Confraria do Bode, a música sertaneja de Johnny Everson e Allan Maycon, o pop rock da banda Strauss, o rap de Breno Dz6 e do haitiano radicado em Cuiabá, Asid Adult Man, a música romântica de Queila Ribeiro e a erudição da violinista venezuelana Yndira Villaroel.
“Hoje, tivemos aqui uma grande representação da qualidade da música mato-grossense, permeada pela presença importante da universidade pública. Trata-se de um compromisso com a cultura estadual. Precisamos desse tipo de iniciativa para fortalecer, valorizar e promover o acesso aos bens culturais, é uma questão de cidadania. E a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer é fundamental para esse processo. A propósito, é uma das mais importantes secretarias do Governo que, com a iniciativa deste evento, demonstrou estar no caminho certo”, ressalta Fabrício Carvalho.
Da mesma maneira, pensa o cantor e compositor Pescuma, que ao lado de seus parceiros Henrique e Claudinho, que homenageou Cuiabá com a canção “Despertar no Paraíso”.
“Nossa capital está no Centro Geodésico da América do Sul e isso já resume essa pluralidade cultural, essa diversidade de ritmos. O maestro Fabrício Carvalho tem essa capacidade de misturar o popular e o erudito nesse caldeirão maravilhoso que é a cultura mato-grossense. Também quero parabenizar o secretário Allan Kardec e o governador Mauro Mendes por essa grata iniciativa em favor da cultura. O primeiro grande evento dedicado à música, nessa nova gestão, resulta nessa comunhão entre muitos artistas. Temos que juntar todas as forças mesmo. Nós, artistas, precisamos é de oportunidades, porque tocar e cantar a gente sabe fazer muito bem”, ressalta Pescuma.
Reverência ao mestre Bolinha
O homenageado da noite foi o lendário saxofonista Bolinha, que fechou a noite convidando todos os artistas a voltarem ao palco, para uma bela interpretação da canção “Carinhoso”, de Pixinguinha. “Hoje eu deixo o rasqueado a cargo do trio Pescuma, Henrique e Claudinho porque essa canção – Carinhoso – eu dedico à toda a cultura de Mato Grosso. Eu sinto que a nossa música ganha um fôlego com esse concerto de hoje, tem muita gente bacana envolvida. Está tudo muito bonito. Mato Grosso está bonito, Cuiabá está bonita”, comemora Bolinha.
Promovendo encontros inusitados, a noite passeou por diversos ritmos, como o híbrido lambadão. Para Roni, vocalista da banda Erre Som, o concerto foi um marco na carreira do trio.
“O lambadão vem conquistando seu espaço há algum tempo, mas hoje chegamos a um ponto muito importante das nossas carreiras. Poder tocar com a Orquestra Sinfônica da UFMT é um privilégio muito grande e sinal de que o lambadão tem um papel importante entre os ritmos de Mato Grosso. É motivo de muita felicidade ver o lambadão representado nesse encontro de todos os ritmos. O Erre Som com a orquestra é muito gostoso”, festeja.
Quem também comemora essa mistura entre a música de orquestra e os ritmos populares é Roberto Lucialdo, um dos grandes representantes do rasqueado em Mato Grosso. “Em toda minha carreira, esta é a primeira vez que vou tocar com uma orquestra. Estou muito emocionado, por isso escolhi uma canção que compus há exatos 31 anos, em homenagem à nossa capital, ‘Cuiabá, Cuiabá’”, revela Lucialdo.
E o público, aprovou a diversidade musical da noite de “todos os ritmos”. Meire Dias, comerciante, disse que é fã dos ritmos locais, como rasqueado e lambadão. “Eu nunca tinha visto uma orquestra tocando com músico de lambadão e rasqueado. Foi uma coisa impressionante de se ver. Ganhei a noite. Vou voltar para casa muito melhor de quando cheguei”, se diverte.
O evento ainda abraçou o propósito de angariar alimentos pata a campanha SOS Funcionários da Santa Casa de Cuiabá, já que a entrada era 1 kg de alimento não-perecível.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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