Mato Grosso
Conferência Estadual de Cultura estabelece diretrizes ao setor
Artistas, produtores e gestores culturais estiveram reunidos na IX Conferência de Cultur,a neste fim de semana, em Mato Grosso para fazer uma análise dos avanços e definir quais os desafios e diretrizes para os próximos anos voltados à cadeia produtiva da cultura. A proposta é que ela seja reconhecida como instrumento de desenvolvimento econômico e social estadual.
Representantes de 105 municípios participaram do maior encontro já realizado para refletir e pensar a produção cultural. A relação de intercâmbio possibilitou a criação de novas redes e a interação entre os gestores. Houve palestra da agente cultural Cláudia Leitão, que veio do Ceará para somar ao evento,também painel temático, grupos de trabalho e apresentações artísticas.
Ao final, houve diálogo com a equipe de transição do governador eleito, Mauro Mendes, com a entrega de um documento elaborado pelos participantes do grande encontro. Dentre as sugestões, foram enfatizadas: a necessidade da implantação de políticas de repasse de recursos aos fundos municipais; a criação de uma rede estadual em defesa do patrimônio histórico-cultural; e a idealização de um programa continuado de fomento à comercialização de bens e serviços da economia criativa.
O secretário de Estado de Cultura, Gilberto Nasser, fez um balanço positivo do evento. “Foi um momento que oportunizou um espaço de debate entre as lideranças de vários municípios, que puderam apresentar suas vivências e boas experiências, com o objetivo que ecoem a outros gestores, produtores e artistas que vão idealizar e realizar o produto cultural para a sociedade”.
O chefe do Departamento de Cultura de Vera (a 486 km de Cuiabá), Rodrigo Gomes,disse que a organização e a acolhida calorosa foram marcantes durante o encontro. “Esperamos que haja continuidade deste trabalho de diálogo aberto com o setor cultural”.
Classe cultural
A produtora cultural Cybelle Bussiki considera avaliou como de grande relevância o encontro dos agentes culturais de várias regiões do estado. “A gente tem consciência do atual cenário político e de que forma ele pode impactar na produção cultural, por isso a importância de estarmos unidos e fortes”.
José Augusto, que também atua nesta área, avalia como oportuno o momento de encontrar soluções criativas e autossustentáveis. “O poder público dificilmente vai conseguir suprir em plenitude as nossas demandas”.
Por sua vez, outro ativo animador cultural, José Paulo Traven, ressaltou como interessante a proposta de reflexão. “A conferência é um grande instrumento de consulta pública, da qual saem diretrizes que vão guiar o próximo governo, dar norte ao próximo secretário sobre quais são as principais necessidades”.
Atividades
A palestra que marcou a abertura do evento, na sexta-feira (31.11), impulsionou maior engajamento e coesão entre os presentes. A dirigente do Observatório de Governança Municipal e Políticas Públicas do Instituto de Planejamento de Fortaleza/CE, Cláudia Leitão, pontuou as potencialidades do segmento. “A cultura possibilita a sinergia entre as demais políticas públicas”.
Já no dia seguinte, sábado (01.12), foram os cinco grupos de trabalho que movimentaram as atividades. Eles foram organizados de acordo com os eixos temáticos norteadores da Conferência: Gestão e Desenvolvimento e Política Cultural e Cidadania. Após os GTs serem norteados pelo debate e sugestões trazidas pelos municípios, as proposições foram levadas à plenária com todos os delegados para comentários e aprovação final.
As ações e diretrizes propostas para a cultura do estado mostraram sobremaneira os anseios dos gestores e técnicos municipais por capacitação, bem como a percepção da necessidade de mapeamento da cadeia produtiva da cultura e de seus impactos socioeconômicos.
O secretário de Cultura de Primavera do Leste (a 239 km de Cuiabá), Wanderson Lana, também reforçou essa perspectiva. “A cultura movimenta a economia, gera emprego, por isso esperamos que haja uma política de interiorização para que nossa cultura seja exemplo no mundo inteiro”.
Um dos delegados do GT Política e Diversidade, Pai Júnior Xangô, disse que a participação de representantes de povos indígenas e de comunidades tradicionais no debate contribuiu com a representatividade. “Somos iguais perante a lei, mas somos diferentes perante às nossas necessidades, e nossa diversidade precisa de um olhar diferente e mais atento do poder público”.
Para a coordenadora de fomento à leitura de Juína (a 737 km de Cuiabá), Patrícia Pereira, o momento é de reconhecimento das necessidades de cada município. “A gente traz nossos anseios para o debate maior, para que as políticas públicas sejam pensadas e sejam colocadas em prática. É um caminho longo, pois temos muitos objetivos e metas a serem cumpridas”.
Membro da Comissão Intergestores Bipartite (Cibe), Maciel Freitas, acredita que o grande objetivo seja subsidiar o próximo governo na elaboração de um plano de governo. “Para a equipe de transição e mais tarde, quem estiver à frente da gestão do setor, possa atender nossas demandas, afinal, somos 141 municípios”.
À frente da equipe de transição, o maestro Fabrício Carvalho, participou de diálogo com a classe e ressaltou a importância da descentralização. Neste momento, relembrou a atuação de um dos principais produtores mato-grossenses o e servido da SEC-MT, Anderson Flores (in memorian). Segundo ele, a equipe tem trabalhado em conjunto com a equipe de Gilberto Nasser. “Queremos manter essa rede de funcionamento, pois é importante que as ações irradiem a todo Estado”.
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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