Agro News
Congresso da Andav projeta alta de 9% no PIB do setor em 2025
Com recorde de público, debates estratégicos e expositores de peso, o Congresso Andav 2025 terminou nesta quinta-feira (07.08), em São Paulo, consolidando-se como a principal vitrine da distribuição de insumos agropecuários no Brasil.
Entre os destaques da programação esteve a palestra do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que projetou um crescimento de 9% do agronegócio no PIB brasileiro em 2025, mesmo diante de incertezas fiscais e geopolíticas. Para ele, o agro seguirá como o principal motor da economia nacional, respondendo por cerca de um quarto da atividade econômica. “A agricultura brasileira está mais protegida que a indústria, mas precisa acelerar a diversificação de mercados e ampliar acordos comerciais com países desenvolvidos”, alertou.
Vale também chamou atenção para a pressão fiscal que deve se intensificar a partir de 2027, com a necessidade de um ajuste estrutural inevitável. Segundo ele, o Brasil ainda possui ativos estratégicos — como alimentos, petróleo e terras raras — que garantem relevância internacional, mas o avanço econômico dependerá de reformas e de maior previsibilidade no ambiente de negócios.
Além da conjuntura econômica, o Congresso abordou temas como crédito rural, ESG, regulação, inteligência de mercado e transformação digital. A pauta refletiu o momento de mudança vivido pelos distribuidores, que hoje atuam muito além da logística de insumos, oferecendo serviços técnicos, soluções financeiras e ferramentas tecnológicas para elevar a produtividade no campo.
Ao longo de três dias, o evento reuniu cerca de 14 mil participantes, entre distribuidores, consultores, técnicos, pesquisadores e lideranças do setor. A edição deste ano ocupou quatro pavilhões do Transamérica Expo Center, com mais de 24 mil metros quadrados dedicados a palestras, painéis e negócios.
Com o tema “Agroeconomia brasileira: a força que transforma”, o 14º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) reforçou o papel estratégico das revendas agropecuárias no fortalecimento da cadeia produtiva, especialmente diante de um ciclo econômico e político turbulento.
Outro ponto alto da programação foi a apresentação da 10ª Pesquisa Nacional da Distribuição, realizada pela Andav com abrangência nacional. O estudo apontou os avanços no uso de tecnologias, mas também mapeou gargalos logísticos, dificuldade de acesso ao crédito e desafios regulatórios que impactam o desempenho das distribuidoras.
A pesquisa revelou ainda um fortalecimento do perfil consultivo dessas empresas, que passaram a desempenhar papel cada vez mais decisivo na orientação técnica dos produtores — especialmente em temas como sustentabilidade, manejo racional de insumos e adaptação às exigências de mercados internacionais.
O presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, destacou que o congresso reflete o amadurecimento do setor e a urgência de alinhar tecnologia, rentabilidade e responsabilidade ambiental. “O distribuidor deixou de ser apenas um elo operacional e se tornou agente de transformação no agro. Hoje, ele entrega solução, inteligência e confiança ao produtor”, afirmou.
A expectativa é de que os debates, negócios e conexões geradas durante o evento repercutam ao longo do ciclo 2025/26, marcado por incertezas macroeconômicas, mas também por oportunidades de reposicionamento estratégico do Brasil no comércio internacional de alimentos.
O próximo Congresso Andav já tem data marcada: será de 4 a 6 de agosto de 2026, novamente em São Paulo.
Fonte: Pensar Agro
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Plano Safra traz avanços em políticas para o crédito rural, mas ainda apresenta desafios estruturais, avalia Coalizão Brasil
Movimento multissetorial reforça necessidade de priorizar instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, e a transição para sistemas resilientes à mudança do clima

Anunciado na última terça-feira (30) pelo governo federal, o Plano Safra 2026/2027, com recursos de R$ 610,3 bilhões, trouxe avanços importantes, como em mecanismos que aproximam a política de crédito rural da gestão de riscos, da valorização das boas práticas agropecuárias e da proteção dos recursos naturais. O plano incorporou contribuições elaboradas pela consultoria Agroicone e enviadas em março pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, como a manutenção das condições mais favoráveis de financiamento para linhas voltadas à sustentabilidade.
A nova edição do Plano Safra preservou as menores taxas de juros para o RenovAgro Ambiental e para a Recuperação e Conversão de Pastagens, em sintonia com a recomendação apresentada pela Coalizão de conferir tratamento prioritário aos investimentos alinhados à sustentabilidade. Também espera-se a implementação da restrição ao financiamento de projetos que envolvam supressão ilegal de vegetação nativa, reforçando a integração entre política agrícola e conservação ambiental a partir de 2027.
“O Plano Safra avança ao reconhecer que sustentabilidade e gestão de riscos devem fazer parte da política agrícola”, avalia Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone. “Medidas que valorizam boas práticas, priorizam investimentos alinhados à jornada de sustentabilidade e fortalecem instrumentos de mitigação de riscos caminham na direção de uma agropecuária mais resiliente e preparada para enfrentar os desafios climáticos.”
Ao mesmo tempo, Harfuch alerta que o Plano Safra deve priorizar de forma mais estratégica a transição para sistemas produtivos resilientes às mudanças do clima — especialmente diante da expectativa de uma safra sob o impacto crítico de um Super El Niño.
“Embora o novo plano disponibilize volumes significativos para a agricultura empresarial e familiar, a falta de priorização de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, e as dificuldades de acesso ao crédito de longo prazo devido ao endividamento do produtor geram um cenário de alerta. É importante assegurar que novos mecanismos de financiamento incluam todos os portes de produtores. A adaptação climática deve ser uma realidade inclusiva diante dos desafios ambientais iminentes.”
Na agricultura familiar, o Plano também avançou em propostas voltadas à transição sustentável. Entre elas estão a redução da taxa de juros das linhas sustentáveis do Pronaf (Agroecologia, Semiárido, Floresta e Bioeconomia), a ampliação do limite de financiamento para projetos de sistemas agroflorestais e silvicultura e o reforço dos recursos destinados à assistência técnica.
Até o momento, ainda não foram divulgadas pelo governo federal propostas relacionadas ao aprimoramento do Sistema de Informações sobre Crédito Rural (Sicor), à aplicação da Taxonomia Sustentável Brasileira no crédito rural, ao fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e ao direcionamento mais estratégico de recursos para recuperação de pastagens e implementação do Código Florestal. As contribuições da Coalizão enviadas ao Plano Safra estão disponíveis no site da Coalizão.
Sobre a Coalizão
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento composto por mais de 400 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia. A rede atua por meio de debates, análises de políticas públicas, articulação entre diferentes setores e promoção de iniciativas que contribuam para a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
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Diretrizes do Plano Nacional de Controle de Nematoides dão os primeiros passos
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Mato Grosso mantém liderança no abate de bovinos, mas pecuária enfrenta novos desafios externos
Estado responde por quase um quinto dos abates realizados no país; cenário internacional acende alerta para exportações brasileiras

Mato Grosso segue na liderança da pecuária brasileira. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado foi responsável por 17,5% de todos os bovinos abatidos no país durante o primeiro trimestre de 2026, consolidando sua posição como maior produtor nacional.
No período, os frigoríficos brasileiros sob inspeção sanitária abateram 10,29 milhões de cabeças de gado, o maior volume já registrado para um primeiro trimestre da série histórica. Em comparação com os três primeiros meses de 2025, o crescimento foi de 3,3%. A produção de carne também avançou e alcançou 2,63 milhões de toneladas, alta de 5,1%.
Atrás de Mato Grosso aparecem São Paulo, com 11,6% dos abates, Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%.
O bom desempenho da atividade é impulsionado, principalmente, pelas exportações. Em 2025, a carne bovina brasileira gerou aproximadamente R$ 75 bilhões em vendas ao exterior, estabelecendo um novo recorde. A China permaneceu como principal compradora, respondendo por quase metade da receita obtida pelo setor.
Apesar dos números positivos, o mercado internacional exige atenção. A forte dependência do mercado chinês faz com que qualquer desaceleração econômica ou mudança nas regras de importação daquele país possa afetar diretamente as exportações brasileiras.
Além disso, novos entraves comerciais preocupam a cadeia produtiva. Os Estados Unidos estudam impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, enquanto a União Europeia anunciou a suspensão das importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro, alegando questões relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção.
O levantamento do IBGE também registrou crescimento em outros segmentos da pecuária. O abate de suínos chegou a 15,27 milhões de cabeças e a produção de carne de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas. Já a captação formal de leite alcançou 6,78 bilhões de litros, recorde para o período.
No entanto, o aumento da produção leiteira não se refletiu na renda dos produtores. O preço médio pago pelo litro de leite caiu 18,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, ficando em R$ 2,24.
Os números reforçam a força da pecuária mato-grossense, mas também evidenciam que o desempenho do setor nos próximos meses dependerá não apenas da produção dentro das propriedades rurais, como também da capacidade do Brasil de manter e ampliar seus mercados internacionais.
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