Mato Grosso
Cooperativismo alavanca produção e conquista comércio em Sorriso
O 3º Dia de Campo da Fruticultura Irrigada, realizado nesta sexta-feira (10), no Assentamento Jonas Pinheiro em Sorriso, surpreendeu os participantes pela alta capacidade de produção e cooperativismo entre os produtores. O evento faz parte do programa “Frutifica Sorriso”, e recebeu mais de 250 produtores do município e região para debater “Os desafios no manejo para produzir com qualidade”. O tema envolveu atividades como palestras técnicas, mesas-redondas com debates sobre a implantação, manejo e comercialização da fruticultura, finalizando com visitas técnicas às áreas de demonstração.
Em Sorriso, a agricultura familiar é destaque na produção de hortifrutigranjeiros, e se tornou o principal fornecedor da merenda escolar no município. São mais de R$ 1,5 milhão por ano que retorna em forma de renda para os produtores. Significa dizer que 52% de toda merenda escolar consumida pelos alunos da rede municipal são provenientes da agricultura familiar.
Números impressionantes que demonstram a importância do cooperativismo para o engajamento do pequeno produtor. Entre os produtos comercializados, a banana é o carro-chefe da produção. Sozinha, a Cooperriso (Cooperativa dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de Sorriso) é responsável pela venda de mais de R$ 400 mil por ano do produto. A Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) também já trabalha para o desenvolvimento das cadeias produtivas do peixe e do mel no assentamento, além da implantação de estufas para a produção de mudas.
O secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral, fez um breve relato sobre as principais ações desenvolvidas pelo Governo do Estado em benefício do pequeno produtor. Entres as estratégias, o programa ‘Terra a Limpo’ que irá investir R$ 76,9 milhões na regularização de 165 glebas e 378 assentamentos, localizados em 87 municípios do Estado.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) também já publicou edital para a contratação de 50 engenheiros que irão atuar na análise dos mais de 60 mil CARs (Cadastro Ambiental Rural), que hoje aguardam na fila de espera.
Também serão investidos R$ 5,2 milhões para a aquisição de patrulhas mecanizadas e equipamentos agrícolas. Os recursos já foram conveniados entre a Seaf e o Ministério da Agricultura. O Estado ainda avalia a possibilidade de investir outros R$ 5 milhões, ampliando a capacidade do programa e o número de produtores atendidos. A proposta seria promover um grande pacote para a mecanização do campo.
Silvano ainda aproveitou para anunciar em primeira mão, a decisão do governador Mauro Mendes em autorizar a regulamentação da lei nº 10.502, de 18 de janeiro de 2017, que criou o Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial, Familiar e de Pequeno Corte (Susaf). O objetivo é garantir autonomia aos municípios nos processos de licenciamento ambiental de pequeno porte.
Com a adesão ao serviço de inspeção municipal, o produtor receberá um selo certificando a procedência dos produtos, e consequentemente, a segurança alimentar da produção. Além de agregar valor, a certificação dará tranquilidade aos comerciantes na compra dos produtos, estimulando a abertura de novos mercados. A previsão é que o Susaf entre em vigor no prazo de 60 dias.
“Ao invés de vender in natura, vamos agregar valor. Com a entrada em vigor do Susaf daremos um grande passo nos avanços necessários para o resgate da autoestima do pequeno produtor. Tenho dito sempre, que as redes supermercadistas estão de portas abertas para os produtos da agricultura familiar, mas é preciso ter além de qualidade, organização. Mato Grosso é reconhecidamente um dos maiores produtores de commodities do Brasil, mas é o pequeno produtor quem coloca comida nas nossas mesas, e ele precisa ser tratado como tal”, inflamou Silvano.
O Dia de Campo foi uma realização da Prefeitura de Sorriso, com a parceria do IFMT (Instituto Federal de Mato Grosso), Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural), Cooperriso, as Associações de Apicultores e dos Produtores de Fruticultura, entre outros parceiros.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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