Mato Grosso
Cuiabá recebe o primeiro Centro de Recondicionamento de Computadores de Mato Grosso
O Estado de Mato Grosso recebeu, nesta quarta-feira (29), seu primeiro Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), o Recytec. A ação, em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), é parte do programa Computadores para Inclusão, cujo objetivo é reciclar os equipamentos descartados e distribuí-los em escolas, telecentros e bibliotecas públicas, para propiciar o acesso à tecnologia e informação da população em situação de vulnerabilidade social.
Em 2020, o Ministério das Comunicações (MCom) lançou edital de chamamento público, buscando parcerias para que novos CRCs fossem inaugurados no país. O investimento, de aproximadamente R$ 1 milhão, garantiu a abertura do primeiro centro de recondicionamento em Mato Grosso, em parceria com a ONG Programando o Futuro.
“Estamos otimistas, porque o CRC de Cuiabá vai facilitar a coleta, o recondicionamento e a doação de computadores para Mato Grosso e região. Outro benefício é o descarte adequado dos materiais eletrônicos que não puderem ser reaproveitados”, afirmou a coordenadora de Projetos de Infraestruturas para Telecomunicações do MCom, Daniela Schettino. “Além disso, a ONG poderá ministrar cursos para a área de Tecnologia da Informação e Comunicação e de inclusão digital”, completou.
Em Mato Grosso, a proposta é que o Recytec garanta o processamento de 500 toneladas/ano de resíduos eletrônicos. A expectativa é de que o montante garanta o recondicionamento de aproximadamente 1.200 computadores, a serem destinados à espaços de inclusão digital.
A Seciteci assinou, também com a ONG Programando o Futuro, o edital para a oferta de 200 vagas em cursos de formação profissionalizante, nas áreas de Informática Intermediária, Robótica e Assistente de Manutenção de Computadores, além do curso para Técnico em Informática.
Os cursos possuem carga horário média de 120 horas0 e turmas em turnos variados. A meta é garantir a qualificação profissional anual de aproximadamente 1.000 alunos. Os cursos serão ofertados pela Escola Técnica Estadual (ETE) de Cuiabá, com início previsto para 15 de agosto.

“Nós [parceiros], descerramos uma placa de inauguração, mas a placa é só um símbolo. Existe um propósito muito maior por trás desse símbolo. Quando o governo investe em centros para tratamento de resíduos eletrônicos, está dando uma resposta ambiental para problemas crônicos mundiais. O mesmo ocorre, quando decidimos atrelar este trabalho à oferta de qualificação profissional; é outra resposta dada à sociedade quanto aos esforços do Estado em qualificar o cidadão”, defendeu o secretário da Seciteci, Maurício Munhoz.
“Tivemos um longo trabalho para expandir o Recytec aos Estados. Vencida essa etapa, a meta agora é chegar aos municípios. Inclusive, queremos avançar nesse continente chamado Mato Grosso. Políticas públicas e projetos sociais são movidos por abnegados. A vontade e a disposição, com que fomos recebidos em Mato Grosso, nos deixou impressionados, pelo nível de parceria que o estado possui. Além da solução ambiental e da promoção da inclusão digital, o projeto muda vidas. Cada aluno qualificado tem a oportunidade de escolher o caminho que pretende seguir, de garantir dignidade e bem estar à sua família. Impactar vidas é também função do projeto”, definiu o presidente da ONG Programando o Futuro, Vilmar Simion Nascimento.

Na oportunidade, as Escolas Técnicas Estaduais (ETEs) de Diamantino e Poxoréo também foram beneficiadas com a entrega de ônibus escolares, que terão a finalidade de atuar no combate à evasão escolar e no fortalecimento das atividades práticas.
Com informações do Ministério das Comunicações.
Fonte: GOV MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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