Mato Grosso
Cuiabano é campeão em duas categorias de corrida de cadeira de rodas
Joenil Barros foi recebido pelo deputado Romoaldo Júnior em seu gabinete
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Foto: Márcia Martins
O campeão cuiabano, nas categorias 100 e 200 metros em corrida de cadeira de rodas, Joenil Rosa de Barros, 35, esteve no gabinete do deputado Romoaldo Júnior (MDB) na Assembleia Legislativa, na tarde de terça-feira (7), para agradecer o incentivo do parlamentar. Representante da faculdade Faipe de Cuiabá, o paratleta contou com apoio do deputado para participar da FISU AMÉRICA Games, primeiro Pan-Americano voltado exclusivamente para o esporte universitário, realizado entre os dias 19 e 29 de julho deste ano, no Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.
“O deputado Romoaldo me estendeu a mão. Patrocinou a mim e ao meu grande incentivador, que é professor de Educação Física José Carlos Zanollo. Nós queremos agradecer pelo incentivo. O apoio é fundamental para a gente perseguir na luta”, declarou.
O paratleta, que é estudante do 2º semestre de Educação Física, disse que foi uma experiência única, pois além de ter representado o seu país e a sua instituição de ensino, ainda teve oportunidade de vivenciar um intercâmbio cultural.
Ao todo, 13 países foram representados por seus alunos-atletas na competição. Além do Brasil, disputaram atletas dos Estados Unidos, Canadá, Chile, Colômbia, Argentina, Costa Rica, Venezuela, Peru, Paraguai, Honduras, México e Uruguai. Com todas as delegações, entre atletas e comissão técnica, São Paulo recebeu cerca de 1500 pessoas para as disputas.
O preparador físico de Joenil, José Zanollo, declarou que o atleta é um verdadeiro exemplo de superação e lembrou que já era seu professor dele sofrer o acidente automobilístico, em 2014, e que mesmo após o desastre o atleta não desistiu do sonho de se tornar um professor de Educação Física.
“O importante de tudo isso é que o Joenil não desistiu do seu sonho. Pelo contrário, ele está indo mais longe depois do acidente: além da proposta de se tornar um profissional dentro da área, descobriu sua capacidade como atleta. Ele tem um grande potencial, vem alcançando os índices nos campeonatos. Nosso objetivo é influenciar mais jovens a seguir o caminho dele”, afirmou o preparador.
“Em qualquer situação, nunca perca o foco. Manter o foco significa trabalhar pra atingir um objetivo, sem se desviar do caminho, sem distrair a atenção com coisas sem importância, manter o controle, e, acima de tudo, definir um caminho e seguir até o seu objetivo”, com essa reflexão o deputado Romoaldo Júnior parabenizou o paratleta, seu treinador e a Faculdade Faipe – que disponibiliza dentro de sua proposta de responsabilidade social, o Programa de Bolsa Atleta Convencional.
“Meus parabéns à direção da faculdade Faipe pela realização deste programa de incentivo aos esportes, ao Joenil pelo exemplo de superação e ao seu treinador pela dedicação. Com esse foco e essa parceria podemos garantir que é possível que nossos jovens se destaquem no cenário nacional e internacional. É isso que a gente espera da juventude mato-grossense, dedicação e superação naquilo que faz, e o esporte é um brilhante caminho”, avaliou Romoaldo.
“Eu encontrei no esporte um foco para não me sentir inútil. O esporte me fortaleceu para a vida e está me ajudando a passar por esse processo de reabilitação que ainda enfrento no Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, em Brasília. Somos muito gratos ao deputado por estar nos apoiando”, completou Joenil, que já conquistou aproximadamente 60 medalhas, tendo como destaques as de Campeão em 1500 m e de vice-campeão em 400 m, nos Jogos Universitários Paraolímpicos Brasileiros Rio 2016.
O professor Ocemário Daltro, da faculdade Faipe, concluiu dizendo que na sua proposta de contribuir de uma forma mais ampla com a sociedade, a instituição vai além ensino e da formação de profissionais para o mercado. “Implementamos em nossa instituição a missão de desenvolver e aplicar iniciativas de responsabilidade social, como o incentivo ao esporte com a bolsa atleta que prestigia o aluno com a oportunidade de se tornar um profissional qualificado, competente, como o mercado espera”, explicou o professor Ocemário ao destacar que Joenil é o primeiro paratleta da faculdade.
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Servidora do Estado tem aposentadoria negada mesmo amparada por decisão por diferenciação de gênero do STF
Policial Penal feminina atende requisitos de contribuição e idade para pleitear aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo Supremo

Foto- Divulgação
Uma servidora pública estadual policial penal recorreu administrativamente de uma decisão da Mato Grosso Previdência (MTPREV), que negou seu pedido de aposentadoria voluntária na carreira policial. Em despacho emitido no último dia 9 de junho, o órgão previdenciário estadual concluiu que a servidora ainda não preenche os requisitos para a inativação, projetando o direito ao benefício apenas para 4 de setembro de 2027.
Conforme o advogado responsável pelo jurídico do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso, Fábio Moreira Pereira, que faz a defesa da servidora, houve um equívoco jurídico fundamental na análise da autarquia. O recurso hierárquico protocolado argumenta que a simulação realizada pela MTPREV desconsiderou a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante critérios diferenciados de gênero para a aposentadoria de mulheres policiais. “Sim, surgiu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF questionando que as mulheres teriam menos 3 anos de contribuição para aposentar, no caso, as mulheres policiais. E essa decisão foi favorável a uma policial civil: o STF acatou a ADI e reduziu menos 3 anos para a aposentadoria. Porém o Estado não acata de plano a decisão do STF. No caso, a gente entra com recurso administrativo pedindo para aplicar a ADI, mas a MTPREV não vem aplicando. Nesse caminho, nós ingressamos com a ação judicial para que sejam acatados esses menos 3 anos para a servidora aposentar”, explicou.
A negação do pedido pela MTPREV baseou-se estritamente nas regras da Emenda Constitucional nº 103/2019 (Reforma da Previdência), que igualou os critérios de idade e tempo de contribuição entre homens e mulheres nas carreiras policiais.
Contudo, o recurso destaca que essa equiparação foi considerada inconstitucional pelo STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7727/DF. Na decisão, relatada pelo ministro Flávio Dino, a Suprema Corte reconheceu que a ausência de um redutor para mulheres policiais viola o princípio da isonomia e a proteção ao trabalho feminino em condições de risco.
O STF determinou a aplicação provisória de um redutor de 3 anos tanto na idade mínima quanto no tempo de contribuição para as mulheres policiais, por simetria ao regime geral, até que uma nova lei complementar discipline a matéria.
A defesa da policial penal sustenta que a aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo STF é imperativa e de eficácia imediata para a Administração Pública.
Com o recurso, a servidora pede a aplicação compulsória do entendimento do STF e a consequente retificação dos cálculos da MTPREV. Segundo a argumentação, a revisão demonstrará que os requisitos para o repouso remunerado já foram atingidos ou estão em vias imediatas de cumprimento, o que viabilizaria a concessão imediata da aposentadoria.
CONSTRANGIMENTO
Além disso, a servidora que terá sua identidade preservada para não sofrer algum tipo de perseguição, ainda sofreu um constrangimento psicólogo, ao receber um e-mail dos canais da MTPREV agendando a assinatura na sede do Mato Grosso Previdência. Onde na sequência, a policial penal realizou alguns procedimentos técnicos, como o processo descautela (devolução) de sua arma, entrega de farda e coletes, mas em menos de 24 horas recebeu um outro e-mail vindo de um funcionário da MTPREV, pedindo para desconsiderar a primeira mensagem oficial do órgão e destacando que seu pedido de aposentadoria tinha sido indeferido.
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