Mato Grosso
Curso formará 58 agentes penitenciários para compor Grupo de Intervenção Rápida
Começou nesta sexta-feira (08.11) o 2º Curso de Intervenção Rápida (CIR), que visa capacitar os agentes penitenciários (Agepens) para atuação no Grupo de Intervenção Rápida (GIR-MT). Os 58 participantes serão qualificados para ações de rebeliões, motins, escoltas, entre outras práticas relativas ao grupamento. A abertura foi realizada pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (Saap) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), no auditório do Comando Geral da Polícia Militar (PM-MT), em Cuiabá.
Além dos 50 agentes penitenciários de Mato Grosso, o curso também teve inscritos dos estados de Goiás (4) e Tocantins (2). Também conta com dois integrantes do Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam) de Mato Grosso.
O secretário adjunto de Administração Penitenciária, Emanoel Flores, ressaltou a importância das capacitações no serviço público. “Nesses três anos tudo tem sido feito com o apoio de todas as instituições de segurança pública e agora a integração está ainda mais fortalecida. Buscamos sempre a excelência nas capacitações, por meio da Escola Penitenciária, e os resultados têm sido muito positivos”.
Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais de Mato Grosso, Geraldo Fidélis, a qualificação é um ato de valorização dos servidores que reflete nos serviços prestados à sociedade. “Precisamos investir no servidor, promover capacitação e valorizar. Tenho certeza que Mato Grosso possui agentes penitenciários capacitados e capazes de fazer a segurança do sistema. Vimos a forma como a operação na PCE (Penitenciária Central do Estado), por exemplo, repercutiu positivamente junto à sociedade, principalmente com relação à redução da criminalidade”.
O curso ocorrerá em regime de tempo integral (internato) durante período de 25 dias, com atividades que poderão ocorrer aos sábados, domingos e feriados. O diretor da PCE e criador do GIR, Agno Ramos, frisou que o formato do curso visa preparar os alunos para a garantia da manutenção da ordem e disciplina dentro das unidades. “As atividades, teóricas e práticas, oferecerão capacidade técnica, física e mental para atuação em intervenções rápidas. É preciso trabalhar tanto o aspecto técnico quanto psicológico”.
Dedicação e disciplina
Lotada na Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis, Ivanilda Sabino afirmou que espera concluir o curso com êxito para integrar o GIR. “Faço parte da unidade onde o GIR nasceu e meu objetivo é ser qualificada para compor o grupo. Trabalhei como agente em Rondônia e posso dizer que o Sistema Penitenciário de Mato Grosso é bem mais preparado”, avaliou ela, que tem 32 anos de idade.
Agente penitenciário há 15 anos e com 36 de idade, Rodrigo Santos atua na Gerência de Custódia de Cuiabá, e também espera compor o GIR, além do núcleo de operações táticas especializadas da PCE. “A qualificação técnica é muito importante, busco o treinamento constantemente, estou focado no curso e vou me dedicar ao máximo para contribuir com a segurança pública e impedir as práticas criminosas dentro das unidades penais”, assegurou.
O GIR é o grupamento especializado que tem como missão atuar em intervenções rápidas em recinto carcerário visando à manutenção e restabelecimento da ordem, disciplina e segurança dos estabelecimentos penais de Mato Grosso. A atuação, conforme a Instrução Normativa Nº 05/2018/SEJUDH, de 09 de maio de 2018, ocorre em conjunto com os demais servidores, grupos especializados do Sistema Penitenciário e instituições da Segurança Pública.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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