Mato Grosso
Dados do Inpe apontam redução de 90,8% nos focos de calor no Pantanal entre 2020 e 2021
Mesmo diante das altas temperaturas climáticas e registro de 41°C nesta terça-feira (24.08), a incidência de focos de calor na vegetação do Pantanal Mato-grossense foi de 90,88%, conforme dados da plataforma BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e imagens do satélite Sentinel-2. O levantamento aponta ainda que houve redução de 92,63% das áreas queimadas.
Segundo dados da Central de Monitoramento via satélite, realizado mensalmente pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), entre 01 de janeiro a 23 de agosto de 2020, foram contabilizados 3.773 focos. No mesmo período de 2021, apenas 344 focos de calor foram detectados na vegetação pantaneira.
No primeiro semestre de 2021, 70 mil hectares foram consumidos pelo fogo em área de vegetação no Pantanal. Em 2020, durante o período de estiagem, foram 950 mil hectares de área atingida pelo fogo.
Apesar do bom resultado, as equipes trabalham para controlar e apagar os grandes incêndios florestais que tem ocorrido no Pantanal e demais biomas; Amazônia e Cerrado de Mato Grosso.
Os dados positivos são resultados do trabalho preventivo e das ações para fase resposta aos incêndios florestais conduzidas pelo Governo de Mato Grosso e demais Instituições estaduais na proteção ambiental, com investimento estadual de R$73 milhões.

Veja algumas ações realizadas para a preservação do Pantanal
Ainda em dezembro de 2020, o CBMMT ganhou reforços com a aquisição de equipamentos de combate como abafadores , kits completos de uniformes, mangueiras, motobombas flutuantes, motosserras, óculos de proteção, roçadeiras, sopradores costais, entre outros. Para aquisição desses materiais, o Estado investiu em recursos próprios de R$ 3,5 milhões.
O Estado colocou em funcionamento o 1° Pelotão Independente Bombeiro Militar na cidade de Poconé. Foram investidos R$ 2,6 milhões na unidade estratégica, estruturada para atuar no monitoramento e prevenção aos incêndios florestais.
Outra unidade aberta para fortalecer a auxiliar na preservação do Pantanal, foi o 2° Pelotão Independente do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), na cidade de Santo Antônio de Leverger. Resultado do trabalho conjunto entre Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Prefeitura do Municipal e a iniciativa privada. Além das ações de combate aos incêndios, essa unidade também beneficia cerca de 30 mil moradores, pois os militares também estão aptos para atender ocorrências nas cidades Barão de Melgaço e nos distritos de São Pedro de Joselândia e Mimoso.
Também foram construídos na região do Parque Encontro das Águas, vários aceiros (demarcações para criar uma espécie de faixa ao longo das cercas, onde a vegetação é completamente eliminada da superfície do solo) A finalidade é prevenir a passagem do fogo para a área de vegetação, evitando queimadas).
A integração do CBM com o trabalho realizado pelos ruralista locais também contribuiu para combater os incêndios. Outra importante ação para auxiliar no combate aos incêndios florestais nas áreas rurais durante o período de estiagem, foi a entrega de 1.500 abafadores sustentáveis para brigadistas e moradores da região para auxiliar no combate. O projeto para produção foi idealizado (BEA) com apoio de demais parcerias entre elas a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sindicato Rural.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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