Mato Grosso
Deputados criam Comissão para intermediar diálogo entre Sindspen-MT e Governo do Estado
Sindicato pausou greve iniciada no dia 16 de dezembro para negociar reivindicações da categoria com o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho

Sindspen e deputados da AL discutem proposta de recomposição para a categoria. Créditos: divulgação
Os deputados estaduais, liderados pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB) e o líder do governo no Legislativo, deputado Dilmar Dal Bosco (DEM), receberam na tarde desta terça-feira (04.01), no Colégio de Líderes da Assembleia, o presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Mato Grosso (Sindspen-MT), Amaury Neves, e representantes dos policiais penais para debater as reivindicações da categoria. Na ocasião foi criada uma comissão na Casa de Leis que acompanhará a reunião de amanhã (05.02) com o Governo do Estado para fortalecer e fazer a interlocução dos pedidos da categoria junto ao Poder Executivo.
“Foi uma reunião bastante produtiva. O Sindspen-MT procurou os deputados e apresentou as pautas reivindicadas. Fizeram uma bela apresentação e acreditamos que são pleitos justos e por isso vamos apoiar esse pedido, para que juntos possamos debater na Casa Civil e encaminhar uma solução que valorize a polícia penal”, afirmou o deputado Max Russi.
O líder do governo na Assembleia, deputado Dilmar Dal Bosco, ressaltou a participação maciça dos deputados no encontro, preocupados com o desenrolar da paralisação e defendeu a valorização da categoria. “Todos os 24 deputados estão acompanhando de perto esta pauta, preocupados com esta categoria tão importante e que merece a valorização e o reconhecimento necessários. Amanhã vamos estar presentes na reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, para fazer a interlocução entre a categoria e o Governo do Estado para a gente ver o que pode ser atendido e resolver esse impasse”, ponderou.
Pausa na greve
O Sindicato dos Policiais Penais de Mato Grosso (Sindspen-MT) decidiu dar uma pausa ao movimento grevista, iniciado no dia 16 de dezembro. A decisão de paralisar temporariamente o movimento foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária convocada para a tarde de segunda-feira (03.01), e realizada no Salão de Eventos da Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (ASSOF/MT), em Cuiabá.
A pausa na greve é de 2 dias, a partir das 7h desta terça-feira (04.01) e vai até dia 5 de janeiro, quando está agendada uma nova assembleia da categoria, marcada para às 16h. Sendo assim, os serviços não essenciais serão restabelecidos.
O presidente do Sindspen-MT, Amaury Neves, reforça que a decisão de flexibilizar a paralisação sinaliza ao Governo do Estado a disposição de negociar os principais pedidos da categoria, que são a recomposição salarial dos últimos 10 anos e a equiparação salarial junto às demais forças da segurança pública.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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