Nacional
‘Eleição de extremos’ faz partidos preferirem neutralidade a apoio a PT ou PSL

A votação do segundo turno das eleições, marcada para o próximo dia 28 de outubro, definirá o novo presidente da República e os governadores de 13 estados e do Distrito Federal. Na disputa presidencial, o número de partidos neutros no 2º turno é superior à soma daqueles que declararam apoio a Jair Bolsonaro (PSL) ou a Fernando Haddad (PT).
Na última eleição presidencial, vencida por Dilma Rousseff (PT) contra Aécio Neves (PSDB), o cenário era o oposto. Somente o Psol se declarou neutro naquela disputa, mas, ainda assim, indicou voto contra Aécio e o partido tucano. Neste ano, neutros no 2º turno
são a grande maioria.
Partidos neutros no 2º turno em 2018

Os partidos que anunciaram neutralidade foram: MDB, PP, PR, PRB, PSDB, Solidariedade, PMN, PHS, Podemos, PV, PPS, DC e Patriota.
Democratas e Novo também se declararam neutros, mas atacaram o PT e indicaram voto contrário a Fernando Haddad. Já o PDT, de Ciro Gomes, e a Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, declararam “apoio crítico” a Haddad, atacando o candidato Jair Bolsonaro.
Apoiam a coligação Povo Feliz de Novo, que congrega PT, PCdoB e Pros em torno da candidatura de Fernando Haddad, os seguintes partidos: PSOL, PCB, PDT, PSTU, PPL e PSB. Já Bolsonaro e sua coligação, Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos (PSL-PRTB) tem o apoio manifesto de PSC, PTB e PSD.
Nenhum partido saiu da base de apoio da candidatura de Dilma Rousseff em 2014 para a de Jair Bolsonaro em 2018, enquanto o PSB apoiou Aécio Neves no segundo turno em 2014 e agora está com o candidato petista.
Cientista político analisa cenário de neutros no 2º turno

Para o cientista político Roberto Gondo, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a ‘onda antipetista’ distancia até mesmo setores mais progressistas da candidatura de Fernando Haddad.
O PDT de Ciro Gomes, por exemplo, declarou “apoio crítico” ao PT e se colocou ao longo da campanha como ‘fogo amigo’ para Haddad. A situação foi escandarada nas declarações de Cid Gomes, irmão de Ciro, e de Kátia Abreu, ex-candidata a vice-presidente.
“É importante notar os diferentes perfis de ‘ciristas’ [apoiadores de Ciro Gomes]. Há os mais progressistas, de esquerda, que por algum motivo não votaram no PT no primeiro turno, mas naturalmente votarão no segundo. Há os que se identificam com Ciro pessoalmente, sobretudo no Ceará; muitos que tentaram evitar PT x PSL no turno decisivo; e, por fim, outros que não votam mais ou nunca votaram no PT e vão para o nulo ou até para Bolsonaro”, comentou o cientista político.
Gondo avalia que, para os eleitores, a adoção do voto nulo ou branco no segundo turno representa posicionamento crítico de quem não se sente representado por nenhuma das duas opções. “No segundo turno, o nulo/branco não é abrir mão da respondabilidade. No primeiro turno é diferente, porque havia outros 11 candidatos e o voto nulo/branco é um voto fora do sistema, contra ele.”
Situação complicada vive o PSDB, que perdeu espaço nessas eleições e sofreu com o momento de insatisfação que levou a população a algo mais radical, como o PSL, partido que passou de 8 para 52 cadeiras na Câmara a partir de 2019 e lidera as pesquisas de intenção de voto para presidente, como reitera Gondo. “É importante observar que, sob a influência negativa de Aécio Neves, a população abandonou o PSDB e achou uma linha antipetista mais radical.”
Na campanha para o primeiro turno, Alckmin atacou Haddad e Bolsonaro e se colocou como uma candidatura diferente, longe dos extremismos. Hoje, seu partido está fragmentado quanto à disputa entre PT e PSL, sobretudo devido à posição adotada pelo candidato tucano ao governo do Estado de São Paulo, João Doria.
Doria entrou em rota de colisão com Alckmin, presidente nacional do PSDB, e passou a defender o ‘ BolsoDoria
’, que seria uma união entre ele e Jair Bolsonaro, enquanto outras lideranças do partido, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, demonstram rejeição menor a Haddad na atual situação.
“A insegurança com a polarização causou o racha e faz com que figuras como o Doria surjam e criem instabilidade dentro do partido. O partido, para se reestruturar, precisa buscar reorganização do seu modelo tradicional”, avalia o cientista político.
Os ‘partidos de governabilidade’, do famoso centrão, “agem de acordo com seus interesses em apoios e cargos em ministérios, mas no período eleitoral fogem do Partido dos Trabalhadores, mas também não se associam a Bolsonaro pelo discurso inflamado e o receio com as políticas que serão adotadas em um eventual governo”, conforme analisa Gondo. Quem apoia, o faz, de modo geral, veladamente, para não atrair a rejeição. Uma exceção é o PSD, que nessa semana comunicou apoio ao candidato do PSL.
O MDB, partido do presidente Michel Temer, declara-se neutro e deve seguir a tendência das legendas que foram base de apoio de Temer no Congresso, inicialmente apoiando o candidato que for eleito, o que é de praxe na história política brasileira.
A postura do PSL na reta final é de silêncio e de evitar a participação de Bolsonaro em debates programados, mesmo após liberação médica para participação do candidato.
“É uma candidatura imatura e cheia de conflitos comunicacionais entre Bolsonaro, seu candidato à vice-presidente, General Mourão, e Paulo Guedes, nome forte para a economia. Vendo isso, a postura de silêncio é adotada, para não dificultar o processo que está próximo de obter sucesso”, opina o cientista político do Mackenzie.
A candidatura de Fernando Haddad buscou, no segundo turno, dialogar com o centro e tentar aproximação de setores mais conservadores, mudando o discurso nos programas eleitorais, nos eventos e nas entrevistas concedidas para a imprensa.
Os partidos neutros no 2º turno buscam se desassociar das imagens dos dois candidatos à presidência, que tem, por diferentes motivos, taxas de rejeição altíssimas, e, portanto, é visto como perigoso declarar abertamente o apoio.
Nacional
Comissão aprova proposta para consórcios municipais de inovação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e de Inovação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4076/25, do deputado José Medeiros (PL-MT), que autoriza municípios a celebrar convênios intermunicipais e contratar consórcios públicos para viabilizar projetos de tecnologia e inovação.
O texto altera a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) para permitir que prefeituras se associem no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores. A medida busca facilitar o acesso de municípios, principalmente os de menor porte, a soluções tecnológicas.
A Lei de Inovação já permite que entes da Federação formem alianças estratégicas para o desenvolvimento de inovações. Essas parcerias podem contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica, ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Medeiros afirmou que municípios de menor porte têm dificuldades para desenvolver projetos de inovação pela falta de recursos, escala e expertise. Segundo ele, é comum a contratação separada de empresas de consultoria, apesar de as carências serem compartilhadas por várias prefeituras. “Devido a essa falta de integração, há uma dificuldade muito grande para que essas unidades federativas possam identificar, contratar, desenvolver e incorporar serviços e produtos inovadores”, disse.
Aliança estratégica
O texto foi aprovado com alteração do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), para reforçar que os convênios e consórcios servem para viabilizar alianças estratégicas e desenvolvimento de projetos cooperativos. “A redação proposta reforça a segurança jurídica e a clareza do comando normativo, sem alterar o mérito da iniciativa, mas aprimorando sua aderência ao ordenamento vigente e sua aplicabilidade prática”, afirmou.
Para Ramos, a proposta dialoga diretamente com a necessidade de fortalecimento das capacidades institucionais locais, especialmente nos municípios de menor porte, por meio da atuação em rede e do compartilhamento de recursos, competências e infraestrutura.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Comissão pode votar regulamentação do trabalho por aplicativo; conheça a proposta

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a regulamentação dos serviços de transporte e entrega por aplicativo no país poderá votar, na próxima terça-feira (14), o parecer do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), ao Projeto de Lei Complementar 152/25, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE).
Em relação à primeira versão, de dezembro de 2025, o novo parecer publicado no último dia 7 de abril enfatiza ainda mais o caráter autônomo do trabalho e redefine a abrangência e o peso de certas obrigações. Segundo Coutinho, as mudanças refletem o resultado dos debates e o empenho por um consenso que permita a aprovação da matéria.
“O novo substitutivo materializa o esforço de buscar um texto politicamente viável que, ao mesmo tempo, mantenha conquistas importantes para os trabalhadores”, diz o relator no parecer.
A nova versão consolida o termo “trabalhador autônomo plataformizado”, reforçando que a relação intermediada pela plataforma não cria vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário.
O texto deixa claro o direito do trabalhador de gerenciar livremente seu tempo e de se cadastrar em múltiplas plataformas. Proíbe também metas de tempo mínimo de trabalho e punições para quem recusar serviços ou ficar offline.
Entre outras alterações, o substitutivo foca apenas no transporte de passageiros e em entregas de bens, eliminando a categoria genérica de “outros serviços” via plataformas; e exclui diversos dispositivos relacionados aos direitos dos usuários, remetendo, nesses casos, ao Código de Defesa do Consumidor.
Pontos de apoio e infraestrutura para motoristas, que eram direitos garantidos na primeira versão do parecer, passam a ser “diretriz de política pública” na nova versão, que prevê instalação gradual e sem exigência imediata.

A nova versão estrutura as regras nos seguintes eixos centrais:
Previdência Social
- Trabalhador autônomo plataformizado: é segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Paga 5% sobre o salário de contribuição, que corresponde a 25% de sua remuneração bruta mensal.
- Plataformas: a regra geral é o recolhimento de 20% sobre a mesma base de cálculo (os 25% da remuneração bruta do trabalhador).
- Modelo alternativo: as plataformas podem optar por contribuir com 5% sobre a receita bruta obtida no mercado brasileiro.
Ganhos, taxas e remuneração
- Natureza dos ganhos: os ganhos do trabalhador são divididos em duas partes:
- 25% são considerados renda (base para impostos e Previdência)
- 75% servem para cobrir custos, como combustível e manutenção
- Taxas de retenção: as plataformas podem cobrar uma taxa mensal fixa ou taxas por serviço. No caso de taxas por serviço, a média não pode ultrapassar 30% (ou 15% em modelos híbridos com taxa mensal). O cálculo deve ser feito de forma individualizada a cada sete dias.
- Remuneração para entregas:
- por serviço — piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (automóvel) ou até 4 km (moto, bicicleta ou a pé).
- Por tempo trabalhado — valor não inferior ao proporcional a dois salários-mínimos por hora efetivamente trabalhada (contada do aceite à entrega).
Gorjetas e promoções: as gorjetas devem ser repassadas integralmente e não integram a remuneração bruta. Descontos e promoções oferecidos pela plataforma aos usuários não podem ser descontados do trabalhador ou usados para abater o limite das taxas.
Benefícios adicionais
- Benefícios fiscais: isenção de IPI e IOF na compra de carros e motocicletas nacionais para profissionais que comprovem ao menos 2.000 horas de serviço nos últimos 12 meses.
- microempreendedor: motoristas enquadrados como trabalhadores autônomos plataformizados não podem ser microempreendedores individuais (MEI).
Foram excluídos da nova versão benefícios como a gratificação de 30% em dezembro, os adicionais para trabalho noturno, domingos e feriados, e a possibilidade de formação de reserva (poupança) custodiada pela plataforma.
Trabalho, segurança e transparência
- Justiça: compete à Justiça do Trabalho julgar casos envolvendo os contratos dos trabalhadores autônomos plataformizados.
- Seguro: obriga as plataformas a contratarem seguro de vida e integridade física com capital mínimo de R$ 120 mil.
- Transparência: assegura aos motoristas direito de receber relatórios detalhados (por serviço e consolidados a cada 30 dias) com valores, taxas e retenções. Decisões automatizadas sensíveis (como bloqueios) devem ser passíveis de revisão humana.
- Dever de Diligência: obriga as empresas a prevenirem cadastros falsos e garantirem a identidade real do trabalhador.
Regras para punições
- Contratos: exige contrato escrito e claro definindo prazos, formas de remuneração, obrigações de conduta e critérios para distribuição de ofertas de serviços.
- Bloqueios e suspensões: antes de suspender, bloquear ou punir trabalhadores, as plataformas devem prever sanções em contrato, notificar o trabalhador dos fatos, conceder prazo para defesa e decidir apenas após avaliá-la — proibindo cláusulas genéricas e vagas.
Por fim, foram removidos na nova versão o limite de jornada de 12 horas, o tempo mínimo de 15 segundos para aceite, o botão de pânico obrigatório no aplicativo e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Nutricionistas pedem jornada de 30 horas e piso salarial em audiência na Câmara

Em debate realizado na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados na terça-feira (7), representantes dos nutricionistas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6819/10, que prevê jornada de 30 horas semanais e piso salarial nacional para a categoria.
A audiência pública foi solicitada pela deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) e reuniu representantes do governo, conselhos profissionais e sindicatos para discutir as condições de trabalho dos nutricionistas. Os participantes relataram condições precárias de trabalho e defenderam mudanças na legislação para valorizar a categoria.
A diretora da Federação Nacional dos Nutricionistas, Ana Paula Mendonça, afirmou que o projeto aguarda votação no plenário após receber apoio para tramitação mais rápida.
“Um nutricionista valorizado é um profissional mais presente, motivado e capaz de oferecer à população um cuidado mais qualificado”, disse.
A deputada Sâmia Bomfim afirmou que valorizar esses profissionais pode reduzir gastos públicos ao prevenir doenças no Sistema Único de Saúde (SUS).

Precarização e pejotização no setor
A presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, Maria da Consolação Machado, relatou condições precárias de trabalho.
Segundo ela, há casos de desvio de função, com profissionais que chegam a realizar tarefas de limpeza. Também há registros com cargos genéricos para evitar o pagamento do piso da categoria.
Outro problema apontado foi a contratação como pessoa jurídica (pejotização) e a informalidade.
Representante do Ministério da Saúde, Lívia Angeli Silva informou que mais de 50% dos vínculos de nutricionistas no setor de saúde são informais.
Segurança alimentar
As participantes afirmaram que a nutrição é essencial para a segurança alimentar.
A conselheira do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, Jozelma Rodrigues dos Santos, destacou a atuação desses profissionais em áreas como alimentação escolar e atendimento em unidades de terapia intensiva.
A presidente do Conselho Federal de Nutrição, Manuela Dolinsky, apresentou dados sobre a categoria:
- entre 93% e 95% dos profissionais são mulheres;
- o Brasil tem cerca de 270 mil nutricionistas e 21 mil técnicos;
- no SUS, atuam mais de 35 mil nutricionistas, número considerado insuficiente.
Apoio do governo
O representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Miqueias Freitas Maia, disse que o ministério não se opõe à limitação da jornada e ao piso salarial.
Ele informou que a revisão da norma sobre insalubridade está prevista para 2027 e que o governo acompanha riscos psicossociais e casos de assédio no trabalho.
Ao final da audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de uma frente parlamentar em defesa dos nutricionistas.
A proposta é dar caráter suprapartidário ao tema e acelerar a análise de projetos, como o que permite a solicitação de exames laboratoriais por nutricionistas em planos de saúde.
Da Redação – GM
Fonte: Câmara dos Deputados
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