Mato Grosso
Em aula inaugural de EaD, presidente destaca protagonismo do controle social
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| Conselheiro presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Gonçalo Domingos de Campos Neto |
“A sociedade é a verdadeira protagonista do controle da Administração Pública e o Tribunal de Contas de Mato Grosso está comprometido em instrumentalizar o cidadão para o exercício da cidadania”, afirmou o conselheiro presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Gonçalo Domingos de Campos Neto, na abertura da aula inaugural da 6ª edição do curso de extensão sobre Cidadania e Controle Social, promovido pelo TCE de Mato Grosso, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na noite desta quinta-feira (9/05), no auditório da Escola Superior de Contas. A aula inaugural foi ministrada pelo vice-presidente do TCE-MT, conselheiro interino Luiz Henrique Lima.
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| Aula inaugural foi ministrada pelo vice-presidente do TCE-MT, conselheiro interino Luiz Henrique Lima. |
A procura pelo curso nesta edição de 2019 foi três vezes maior que o número de vagas. Ao todo foram 3.002 inscritos, o curso disponibilizou mil vagas e aqueles que não foram contemplados entraram em uma fila de espera. As vagas foram distribuídas em 20 turmas de 50 cursistas. O curso tem carga horária de 100 horas/aula e será certificado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Entre os contemplados está o representante do Conselho de Esporte e Lazer de Várzea Grande, Giordany Moreira, que contou da sua expectativa quanto ao curso. Para ele, “é uma oportunidade ímpar de se capacitar e conhecimento é poder, ao fortalecer os membros dos conselhos, o Tribunal de Contas está fortalecendo o poder da sociedade”.
O presidente do TCE ainda defendeu que “a boa vontade e o interesse de cada um precisam ser bem direcionados, para tanto, ao longo do curso, os participantes vão conhecer aspectos legais sobre sua atuação e aprender a utilizar ferramentas como Portal Transparência, Ouvidoria e o papel dos Conselhos de Políticas Públicas”. Em edições anteriores, o EaD do TCE teve aprovação de mais de 85% dos participantes.
A aula inaugural, ministrada pelo vice-presidente do TCE, conselheiro interino Luiz Henrique Lima, foi assistida por 108 participantes que puderam conhecer conceitos fundamentais do controle da Administração Pública.
Na avaliação de Lima, o curso, bem como outros eventos realizados pela Corte de Contas, tais como o Consciência Cidadã e o Gestão Eficaz, “estão visivelmente mudando a relação da população de Mato Grosso com o Poder Público e o que é notável para nós quando visitamos municípios mais distantes, percebemos o olhar atento e o interesse dos cidadãos. Prova disso são as crescentes e cada vez mais bem fundamentadas denúncias que recebemos em nossa Ouvidoria”.
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| Vice-diretora da Escola de Contas do TCE-MT, Esther de Mello Menezes |
Durante a aula inaugural, a coordenadora de Inovação em Tecnologia Educacional da UFMT, Rosana Abutakka dos Anjos, e a vice-diretora da Escola de Contas do TCE-MT, Esther de Mello Menezes, apresentaram a estrutura geral do curso e o Ambiente Virtual de Aprendizagem.
O curso de extensão sobre Cidadania e Controle Social é promovido pelo TCE desde 2012, os participantes serão acompanhados no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), plataforma digital própria do curso, nos fóruns e grupos de redes sociais, por tutores selecionados pela UFMT via edital e supervisionados por servidores pertencentes ao quadro de instrutores internos do TCE-MT. Os tutores foram capacitados especialmente para a tarefa.
Entre os temas a serem abordados no curso estão o funcionamento do Estado, as peças de planejamento e orçamentárias, como PPA e LOA, os instrumentos de fiscalização e a relevância dos conselhos de políticas públicas. O terceiro módulo foi ampliado para reforçar a criação, a composição e o funcionamento dos conselhos, cuja existência é obrigatória, como os conselhos de educação, saúde, assistência social e alimentação escolar.
O Curso de Extensão via EaD insere-se no âmbito do Projeto 2 – Incentivo ao Acesso à Informação e à Consciência Cidadã do Programa de Desenvolvimento Institucional Integrado (PDI), tendo como base o diagnóstico realizado em 2012 pelo Tribunal em parceria com a UFMT, que apontou a necessidade de promover capacitação continuada para os conselheiros dos Conselhos de Políticas Públicas.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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