Mato Grosso
Estado traça estratégias para aplicar mais de R$ 70 milhões em regularização fundiária
O governo de Mato Grosso prepara uma frente de trabalho aplicar os R$ 72,9 milhões captados por meio do Programa Terra a Limpo, que possibilitará ações de regularização fundiária no estado. Membros dos Núcleos de Gestão Estratégica para Resultados (NGER) dos órgãos envolvidos no projeto se reuniram nesta sexta-feira (17.06), na sede do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), para realizarem um alinhamento sobre os objetivos, e os próximos passos para a implementação do Programa.
Conforme o presidente do Intermat, Francisco Serafim de Barros, autarquia responsável pela implementação da política fundiária no estado, a estimativa é que cerca de 70 mil famílias serão impactadas pelas ações.
“O resultado da regularização fundiária já é reconhecido por todos como importante de ferramenta de desenvolvimento e de cunho social. Cada secretaria deverá se engajar com aquilo que for de sua responsabilidade contribuir, esta é a recomendação do governador Mauro Mendes”.
O gestor governamental da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Paulo Sergio Ferreira, explica que a ocasião possibilitou que ele pudesse conhecer e entender o próprio papel na realização do Projeto, e ainda, como cada secretaria pode implementar as metas de acordo com o Plano de Trabalho Anual (PTA). “Será essencial passar as metas para os instrumentos de planejamento para garantir a continuidade das ações como política de Estado”, avalia.
A coordenadora do Programa Municípios Sustentáveis, Patrícia Lemos, que integra o eixo do Programa ‘Cidades para se viver bem: Municípios Sustentáveis’, ressalta a importância do encontro. “Essa articulação com as demais Secretarias é de fundamental importância para garantir maior efetividade da política de desenvolvimento econômico das propriedades após a regularização”.
Regularização Fundiária
A regularização gera uma série de direitos e deveres para a população atingida, conta a integrante da equipe responsável pelo Programa Terra a Limpo, Luana Gattass da Silva. “Quando você possibilita que o pequeno produtor obtenha o título, ele passa a ser o proprietário com direito de herança, acesso ao crédito, programas de assistência rural, e até de assistência social. Ele sai da invisibilidade para a existência rural com possibilidade de crescimento e melhora das condições”, conta.
Somente em georreferenciamento, os recursos financiarão 55 mil quilômetros. A execução do Programa possibilitará o acesso dos agricultores a linhas de financiamento para produção e desenvolvimento técnico, gerando maior empregabilidade, renda e o fortalecimento da agricultura familiar, o que impacta na redução do êxodo rural.
A regularização fundiária é ainda um incentivo para a produtividade, promovendo o desenvolvimento regional, amparado pelo fortalecimento na gestão ambiental, no cadastro ambiental e pelo combate ao desmatamento, com a utilização de técnicas de produção e manejo sustentável dos recursos naturais.
Programa
O Terra a Limpo foi instituído pelo Decreto nº 1.560, de 29 de junho de 2018, com o objetivo central de promover a resolução de conflitos e a segurança jurídica pela posse da terra, beneficiando famílias de agricultores de 87 municípios. A coordenação Central do Programa é de responsabilidade da Casa Civil, e a implementação da política fundiária no estado, do Intermat.
Além da Casa Civil e do Intermat, integram a parceria institucional o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Gabinete de Gestão Estratégica de Governo; as secretarias de Estado de Meio Ambiente (SEMA); Fazenda (SEFAZ); Planejamento e Gestão (SEPLAG); de Agricultura Familiar (SEAF); de Assistência Social e Cidadania (SETASC); Ciência, Tecnologia e Inovação (SECITECI); Desenvolvimento Econômico (SEDEC); Infraestrutura e Logística (SINFRA); Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI); e a Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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