Mato Grosso
‘Estou envergonhado’ diz fazendeiro que fez vídeo ao lado de onça-pintada morta

Em um texto divulgado neste domingo (03), por meio de seu advogado, o fazendeiro Benedito Nédio Nunes Rondon, acusado de ter matado uma onça-pintada em Poconé (104km de Cuiabá), diz que encontrou o animal já morto em sua propriedade e o fato ocorreu há um ano. Em uma mensagem dirigida a familiares, Rondon diz que está “envergonhado” por ter permitido que o filmassem ao lado da onça em um ato classificado por ele como “fanfarrice”.
“Estou envergonhado. Estou com muita vergonha de todos vocês. Decepcionado comigo próprio! De uma simples fanfarrice e “bravura” para um amigo, aconteceu o que jamais poderia ter acontecido: uma brincadeira de mau gosto, na hora errada e no lugar errado”, disse o fazendeiro, se dirigindo a familiares.
O vídeo em que o fazendeiro aparece ao lado da onça circulou na semana passada pelo aplicativo WhatsApp e repercutiu nacionalmente. O suspeito aparece ao lado da onça-pintada, morta com um tiro na cabeça, com uma pistola em cima do corpo do animal. Além do áudio que registra a voz do fazendeiro, aparecem textos na parte de baixo relatando que o animal teria sido morto no domingo passado e que havia comido 15 bezerros da propriedade.
Diante do ocorrido, a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e Delegacia de Poconé, realizou diligências na tarde de sexta-feira (1º) para localizar o fazendeiro e também decretou sua prisão preventiva. Dois mandados de busca e apreensão domiciliar foram cumpridos, um na residência e outro na fazenda do investigado.
No texto divulgado por meio do advogado Anderson Nunes de Figueiredo, Rondon diz que os vídeos que circulam pelas redes sociais foram editados e as legendas inseridas foram feitas por terceiras pessoas, que compartilharam os vídeos, pois o tipo e tamanho da fonte (letras) utilizadas nas expressões: “Essa aí matei domingo passado lá pertinho de casa, a filadaputa já tinha comido uns 15 bezerros” e “Coloca o celular no pé do ouvido ou baixa o volume, não abre perto da muie”, são diferentes.
Rondon diz ainda que o tamanho do orifício de entrada na lesão presente no crânio do animal é incompatível com o calibre da pistola airsoft, que aparece no vídeo, e ainda que a “arma fosse verdadeira não faria o tamanho da perfuração”. Ele também afirma que a filmagem ocorreu há cerca de um ano, já que o adesivo que aparece no vidro traseiro da caminhonete, já não tem mais no veículo e isso pode ser confirmado pelas fotografias que a Polícia Civil “possivelmente tirou da caminhonete para subsidiar as investigações”.
Ele também negou que seja caçador e afirmou que numa teve em sua residência ou na sede da fazenda “couro, patas e outros objeto decorrente de caça de animais silvestre, fato que já foi provado por meio dos autos circunstanciados de busca e apreensão já anexados e informado para o juízo da causa – nada foi encontrado em relação a animais silvestre objeto de caça”.
“Esclarecemos que não existe arma de fogo em poder do Sr. BENEDITO NEDIO NUNES RONDON motivo pelo qual ele não pode ser colocado em situação de risco, conforme afirmado pela Autoridade Policial em entrevista – na oportunidade esclarecemos que a pistola que aparece no vídeo trata-se de uma arma de airsoft. Nesse prisma, decretar uma prisão preventiva frente as supostas acusações, fere de morte o princípio da proporcionalidade da pena, ou seja, ainda que condenado pelos crimes que lhe estão sendo imputados o regime inicial para cumprimento de pena jamais será o fechado, que é incompatível com o decreto de prisão preventiva nesse momento”, diz trecho do texto divulgado pelo advogado.
Conforme o advogado, o fazendeiro solicitou a divulgação do recado transcrito abaixo dirigido a familiares e amigos:
“A minha família e meus amigos
Estou envergonhado. Estou com muita vergonha de todos vocês. Decepcionado comigo próprio! De uma simples fanfarrice e “bravura” para um amigo, aconteceu o que jamais poderia ter acontecido: uma brincadeira de mau gosto, na hora errada e no lugar errado. Não fui eu quem matou a onça, e também, não perdi 15 bezerros! Isso foi há mais de um ano. Cheguei na fazenda e vi a onça esticada no chão, ensanguentada e morta. Daí começou todo o infortúnio e em um minuto de bobeira, tomado pela adrenalina, desci da camionete junto com o diarista e fiz o que está no vídeo. Lastimável e arrependido, mas repito, já estava morta! Passando a tolice coloquei o animal na camionete e deixei na baía. Não pratico e não tenho nenhum tipo de crime ambiental. Sou vizinho há mais de 40 anos da Pousada Piuval, que hoje é um dos maiores Santuários de onça pintada, distante, aproximadamente de 1.000 metros da cerca de divisão, sabendo conviver pacificamente com esses animais. Repito, fui infeliz e já estou pagando muito caro, pois sou procurado como vivo ou morto o que é injusto e abusivo”.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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