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Experiências da agricultura orgânica reduzem uso de insumos e custos da produção
Produtores brasileiros têm desenvolvido em diferentes regiões do país técnicas de plantio e de fabricação de insumos orgânicos, que têm trazido benefícios, como redução do custo da produção agrícola.
No Vale do Caí, região do Rio Grande do Sul que se destaca na produção de laranja e bergamota, um grupo de agricultores familiares apostou na produção de adubo orgânico.
Localizado nas proximidades de Porto Alegre, o Vale do Caí concentra 20 municípios e tem em torno de 12 mil hectares plantados de citrus.
Na década de 80, cerca de 15 produtores do Vale decidiram fazer um plantio mais sustentável para reduzir o uso de insumos químicos e baratear o custo da produção. Em 1994, o grupo formou uma associação que culminou na criação da Cooperativa de Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus).
Em busca de matéria-prima para produzir adubo orgânico, os cooperados se aproximaram das agroindústrias da região que, por sua vez, precisavam resolver um problema ambiental: encontrar destinação para os restos de produção.

No início, apenas três empresas apoiaram a ideia dos agricultores e forneceram material. Os agricultores alugaram uma área e construíram uma usina de compostagem para processar e fazer o próprio composto, a partir da matéria orgânica recebida.
O agrônomo Daniel Buttenbender, especializado em agricultura orgânica e um dos técnicos responsáveis da cooperativa, conta que 24 anos depois a Ecocitrus tem 98 produtores rurais associados, uma usina de compostagem, uma usina de biogás e uma agroindústria, que produz sucos naturais e óleos essenciais vendidos para empresas de cosméticos
Por meio do processo de biodegradação e biodigestão anaeróbica, a transformação de resíduos que teriam o lixo como destino final tem gerado por mês em torno de 3 mil m³ de composto orgânico e 7,5 mil m³ de biofertilizante líquido.
“O objetivo era fazer insumo para eles, mas hoje chegou num ponto que se vende. Tem mais ou menos 90 empresas que fazem parte do processo e entregam uma diversidade de resíduos. A gente consegue processar por mês 12 mil toneladas de resíduos sólidos classe 2”, explica o agrônomo.
O material que chega para a compostagem é separado entre líquidos e sólidos, que passam por processos diferentes de degradação. “O que chega para nós? Vem desde ovo não eclodido, resíduos frigoríficos, de fumo, cinzas, polpas, cascas, lodo, produtos vencidos, desde que não embalados. Na usina tem uma bióloga e um geógrafo que fazem o controle dessa matéria- prima, organizam o material, fazem as misturas e o processo tem início”, diz.
A experiência, apresentada, em maio, ao ministério durante o primeiro seminário do grupo de trabalho dos bioinsumos, inclui ainda a adoção do sistema de agrofloresta, que mescla árvores de grande porte com os pés de laranja e bergamota, entre outras culturas.
“Eu considero o sistema agroflorestal como um bioinsumo, porque eu estou trabalhando com árvores, com captação de carbono e painel solar que concentra energia. As raízes dessas árvores penetram muito mais fundo e buscam nutrientes onde as citrus não buscam, vai levar para folha, ocorre a fotossíntese. E essa folha cai e faz um composto laminário em toda a propriedade. Então, eu estou adubando de graça”, afirma.

O agrônomo destaca que o resultado é um solo vivo com muitos microorganismos, biodiversidade e plantas sadias que poderão atender à demanda crescente dos consumidores por alimentos mais saudáveis. “A qualidade do solo te dá uma planta com qualidade, uma fruta de qualidade que leva saúde para quem come”, destaca.
Bioativação
Uma das formas de manejo que tem apresentado resultados significativos é a chamada bioativação do solo.
Segundo o consultor de produção orgânica da Agrooikos, Celso Tomita, a técnica consiste no aproveitamento dos organismos vivos presentes no solo, como bactérias e fungos, para criar um sistema de desenvolvimento natural de insumos e nutrientes para as plantas.
“Utilizando bactérias que incorporam o sistema, bactérias do próprio ambiente, nós criamos uma atividade biológica para produção de alho, produção de cenoura, o que for. Tendo essa atividade, a presença de mofo branco e de outros organismos que são fitopatogênicos não consegue dominar esse ambiente”, explica Tomita
O objetivo, segundo o especialista, é evitar o uso de insumos químicos que inibem a produção espontânea de organismos que possam atuar como agentes de controle biológico para proteger a planta de pragas e doenças.
“À medida que você utiliza elementos químicos, por exemplo, um bactericida, um antibiótico você elimina as bactérias e elimina uma cadeia biológica imensa. Cada organismo que você destrói no sistema, gera um desequilíbrio da cadeia. Tem que deixar os inimigos naturais das pragas se estabelecerem no sistema”, diz.
Tomita participou da primeira reunião, em maio, do Grupo de Trabalho do Ministério da Agricultura criado com a missão de elaborar o Programa Nacional de Insumos para a Agricultura Orgânica. Em apresentação, o engenheiro agrônomo destacou que em seis mil hectares de café, o sistema de bioativação possibilitou o controle de doenças, como broca do cafeeiro, vaquinhas e traças.
Em uma plantação de soja, a técnica da atividade biológica controlou a ocorrência de ferrugem e outras doenças no solo. Além da economia com defensivos, o manejo com insumos biológicos aumenta a composição nutricional da planta.
“São 20 mil hectares de soja que nós conduzimos num sistema onde economizamos em média, em torno de R$ 450 a R$ 500 por hectare. E colocando 20 toneladas de bioinsumos por hectare supre a necessidade nutricional para produzir mil sacas de batata por hectare ou 3,5 mil caixas de cenoura por hectare”.
O especialista ressalta que a produção orgânica já é compatível com a convencional e que o uso de bioinsumos é o caminho para uma agricultura mais sustentável, viável economicamente e que responde a uma demanda crescente por alimentos orgânicos e saudáveis.
“Fazer a agricultura ser mais produtiva sem a dependência de elementos externos é uma coisa nova, que está se estabelecendo por uma crise da produção convencional. Muita gente está buscando alternativas para reduzir o custo da produção”.
Adubação orgânica no Brasil
A legislação brasileira prevê que os produtos fitossanitários usados na agricultura orgânica devem ter composição diferenciada e ser registrados somente se tiverem substâncias autorizadas. Os produtos feitos para uso próprio são isentos do registro.
A norma estabelece que os insumos com uso regulamentado para a agricultura orgânica devem passar por um processo de registro diferenciado, mais simples e ágil para facilitar a regularização. O último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 58% dos produtores brasileiros não utilizam nenhum tipo de adubação, 20% usam adubação química, 12% preferem adubação orgânica e 11% usam adubos químicos e orgânicos. E 33% dos produtores afirmam usar agrotóxicos, segundo o censo.
Os especialistas destacam que o mercado de fertilizantes orgânicos é crescente no Brasil. O balanço mais recente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), com dados de 2018, mostra que as empresas de fertilizantes orgânicos estão entre as mais otimistas para o ano de 2019 com previsão de crescimento no faturamento entre 20% e 21%.
Segundo a associação, o Brasil tem cerca de 300 insumos com certificação para atender o mercado orgânico. Nos Estados Unidos, há mais de 5 mil insumos certificados para a produção agrícola orgânica. A entidade avalia que este dado mostra o potencial de crescimento do mercado brasileiro para atender os produtores com novos insumos que sejam permitidos para uso na produção orgânica.
A associação também detectou que os setores de fertilizantes orgânicos e condicionadores de solo foram os que apresentaram menor custo de matéria-prima em 2018. As culturas que mais demandaram o uso de biofertilizantes foram soja, frutas, café, legumes e verduras, conforme o anuário da Abisolo.

Marco legal
Integrantes de várias secretarias do Ministério da Agricultura estão trabalhando para desenvolver o programa nacional de bioinsumos. As diretrizes do programa estão sendo elaboradas por um grupo de trabalho.
O programa pretende abranger vários tipos de bioinsumos, desde sementes, fertilizantes, produtos para nutrição vegetal e animal, defensivos biológicos feitos a partir de microorganismos para controle de pragas até produtos homeopáticos ou tecnologias que têm ativos biológicos na composição.
Um dos objetivos do programa é harmonizar as ações que já existem e identificar as necessidades do setor, propondo novas formas e processos que possam trazer inovação e fomento. O projeto prevê a definição de eixos temáticos e a revisão do marco legal relacionado ao assunto. Um dos pontos, por exemplo, que deve ser discutido é a produção de insumos dentro das propriedades rurais.
Mais informações à Imprensa:Coordenação-geral de Comunicação Social
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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso
Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria
Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.
O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.
O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.
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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

Foto- Assessoria
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década
Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria
Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.
O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.
Na contramão
O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).
E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.
Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.
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