Mato Grosso
Expertise da Polícia Civil de MT na resolução de homicídios deve ser levada para outros Estados, diz diretora do Sistema Único de Segurança
A eficiência da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso para a resolução dos crimes de homicídio tem sido referência no país e chamado a atenção do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na avaliação da diretora do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), Isabel Figueiredo, a expertise mato-grossense deve ser reproduzida em outros Estados.
“O Estado de Mato Grosso vem desenvolvendo um trabalho brilhante, com índices elevados de esclarecimento de homicídios. Então, nossa ideia aqui é essa, achar boas práticas e reproduzir essas boas práticas no país”, declarou Isabel durante visita à sede da Secretaria de Estado Segurança Pública (Sesp), nesta segunda-feira (19.08).
O índice de esclarecimento dos crimes de homicídios, no Estado, foi de 80% em 2023, enquanto a média nacional foi de 35% no mesmo ano, de acordo com relatório do Observatório da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp), que tem como base dados da Polícia Civil e da Polícia Militar.
No primeiro semestre deste ano, o trabalho de investigação permaneceu próximo ao índice de 2023, com 77,92% dos crimes de homicídios esclarecidos, número duas vezes maior que a média nacional.
Isabel observou que, mesmo havendo queda nos índices gerais neste ano, o país tem um patamar muito alto de homicídios. “Estamos colocando a redução de homicídios e o esclarecimento de forma prioritária na agenda da política de segurança. Essa redução é fundamental, afinal, a gente está falando do crime contra o nosso bem mais caro, que é a vida”, completou ela.
A diretora do Susp também lançou em Cuiabá, na manhã desta segunda-feira(19.08), o 4º Curso Básico de Investigação de Homicídios, que reúne policiais de 11 estados.
Além de abordar a formação de policiais para investigações de homicídios, a diretora disse que veio na Sesp para convidar a instituição para integrar o programa ‘Escuta Susp’, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que tem como finalidade a promoção de apoio psicológico aos profissionais de Segurança Pública.
O secretário Héverton Mourett destacou que o reconhecimento do trabalho na investigação e no esclarecimento de homicídios mostra a seriedade do Governo do Estado nos investimentos feitos e o potencial dos profissionais de Segurança Pública em desenvolver investigações bem-sucedidas nos fatos ocorridos.
“Essas visitas serão sempre bem-vindas porque também trazem expertises do Governo Federal para somar as nossas estratégias e fazer com que a gente, claro, alcance resultados melhores ainda, assinalou Mourett”.
Além do secretário em exercício, Cel Mourett, participaram da reunião os secretários-adjuntos de Integração Operacional e Gestão Sistêmica, coronéis Fernando Tinoco e Thiago Vinícius, respectivamente, superintendentes e diretores de departamentos.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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