Mato Grosso
Faculdade Intercultural da Unemat garante a autonomia indígena na educação escolar
Na Unemat, todo dia é dia de garantir o protagonismo indígena na Educação Escolar. A Universidade do Estado de Mato Grosso é pioneira, na América Latina, na oferta de cursos de graduação e pós-graduação específicos e diferenciados para a qualificação e habilitação de professores indígenas que trabalham nas escolas das aldeias.
Em mais de 17 anos de Educação Escolar indígena, a Unemat já graduou 450 professores indígenas pertencentes a mais de 34 etnias e especializou 140 professores.
Além das ações pioneiras para a formação de professores indígenas em nível de graduação, a Universidade passa a ofertar mestrado profissional Ensino em Contexto Indígena Intercultural, para a formação de professores indígenas da Educação Básica. Aprovado nesse mês de março pela Capes, o programa ofertará 20 vagas em duas linhas de pesquisa: “Ensino, docência e interculturalidade” e “Ensino e linguagens em contexto intercultural”.
Respeito às características dos povos originários
Todos os cursos são desenvolvidos em articulação constante com o movimento indígena, tendo como valores centrais: discussão de território dos povos indígenas, valorização da identidade e cultura, diálogos interculturais entre diferentes conhecimentos, saberes, valores e princípios cosmológicos dos povos originários do Brasil.
“A Unemat fez e está fazendo um trabalho fundamental dentro das comunidades indígenas, que é levar o ensino superior de qualidade para as aldeias, um processo do qual a gente não participava”, afirmou em entrevista recente, o indígena Márcio Monzilar, do povo Umutina.
Graduado em Artes, Língua e Literatura, pela Faculdade Indígena Intercultural (Faindi), e mestre em Literatura pela Unemat, Márcio Monzilar é o atual Coordenador Pedagógico da Escola Estadual Indígena Julá Paré. Para ele, a Unemat desempenha um trabalho importante ao integrar os diferentes saberes. “E mais ainda porque faz um trabalho de uma educação diferenciada, onde reconhece os conhecimentos tradicionais de escolas indígenas, o que vem fortalecendo cada vez mais nossas escolas e nossas comunidades”, disse.
Formação diferenciada
Atualmente estão em formação 120 professores-indígenas, de 23 etnias, nos cursos de licenciatura em Pedagogia Intercultural e licenciatura Intercultural. Os cursos são ofertados por meio da Faculdade Indígena Intercultural (Faindi), ligada ao Câmpus Universitário Deputado Renê Barbour, no município de Barra do Bugres.
Além da graduação específica, a Unemat estabeleceu uma cota de 5% das vagas de todos os cursos da instituição para alunos indígenas, desde 2016. E, no ano de 2006, uma parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) possibilitou a oferta de cinco vagas adicionais no curso de Enfermagem do câmpus de Cáceres, para indígenas com interesse de atuar na área de saúde em suas comunidades.
Metodologia diferenciada
Os cursos obedecem a um regime especial e são desenvolvidos de forma presencial nos períodos de férias e recessos escolares. Há também o denominado “Tempo Aldeia”, em que os cursistas desenvolvem atividades orientadas, nos períodos em que os estão ministrando aulas nas respectivas escolas indígenas. O currículo é flexível e definido com ampla participação de todos os envolvidos no processo.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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