Mato Grosso
Famílias de Campo Verde recebem do Governo 78 títulos de regularização fundiária
Propriedades urbanas de 78 famílias do município de Campo Verde (a 131 km ao Sul), localizadas no Bairro Residencial Cuiabá, receberam os títulos públicos que garantem a posse legal do imóvel. Os documentos do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) foram entregues ao município nesta sexta-feira (19), durante agenda do governador Mauro Mendes na região.
Conforme o governador, o trabalho foi desenvolvido por uma parceria entre o Intermat, e a prefeitura municipal, e deve se estender a outros municípios para que a regularização fundiária se fortaleça no estado. A entrega foi simbólica, e o restante dos beneficiados receberá os títulos por meio da prefeitura de Campo Verde.
“Juntos, o governo do Estado, o Intermat, e as prefeituras, podem fazer a regularização fundiária urbana sobre áreas de responsabilidade do Estado, e com isso, trazer dignidade e a segurança jurídica para a famílias que têm a posse, mas não o título, ou uma escritura em cartório. Vamos continuar fazendo esse trabalho, e com certeza, vamos avançar muito nos próximos anos”, afirmou.
O documento entregue garante uma série mudanças ao cidadão, que, como proprietário, passa a ter direito de herança, acesso ao crédito, programas de assistência rural, e até de assistência social. Toda a documentação é entregue já registrada em cartório.
Governador Mauro Mendes entrega títulos para moradores de Campo Verde. Foto: Marcos Vergueiro.
O vice-prefeito de Campo Verde, Milton Garbugio, agradeceu o empenho de todos os envolvidos na ação, e anunciou que há mais 220 títulos do município sendo registrados em para serem entregues à população. “Já fazem 15 anos que a administração de Campo Verde está lutando para que se formalize isso. Agradeço ao governador por estar olhando para Campo Verde, e também, fazer com que a cidade se desenvolva”.
Além de Campo Verde, segundo o presidente do Intermat, Francisco Serafim de Barros, o Estado deve beneficiar em breve mais quatro municípios do interior, entregando 70 títulos a famílias de Figueirópolis D’Oeste, 76 de Alto Araguaia, 50 de Nova Guarita, e 76 de Guiratinga.
“A regularização de terras, tanto urbana quanto rural, é importante para a família que passa a ter o tão esperado direito sobre o seu imóvel, e para fomentar o desenvolvimento regional. O Intermat está trabalhando para levar a posse legal de áreas em processo de regularização para todo o estado”, garante.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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