Mato Grosso
Governo apresenta balanço fiscal do 2º quadrimestre na Assembleia Legislativa
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, apresentou nesta terça-feira (24.09) o relatório sobre o cumprimento das metas fiscais do 2º quadrimestre de 2019. A apresentação aconteceu durante audiência pública na Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO), da Assembleia Legislativa.
O presidente da comissão, Romoaldo Junior, elogiou os esforços do Governo estadual para equilibrar receita e despesa, diminuindo significativamente o déficit existente no início do ano e fazendo vislumbrar boas perspectivas para 2020.
“O déficit vem baixando, cabe a nós aqui na Comissão de Orçamento e Fiscalização fazer esse acompanhamento. A projeção para o próximo ano já diminuiu bastante. As medidas que o Governo tomou de enxugamento, mais o que a Assembleia aprovou para ajudar a aumentar a receita, vão possibilitar fechar o ano, não com superávit, mas não com o déficit incialmente previsto”, afirmou.
Na audiência, Gallo apresentou o levantamento correspondente ao comportamento da receita e despesa do Estado nos primeiros oito meses deste ano.

“Estamos sentindo uma melhora no quadro fiscal do Estado, mas ainda temos um cenário de déficit. Nós abrimos este ano com o déficit de R$ 1,6 bilhão, mas já estamos numa situação bem melhor. Conseguimos fazer o controle da máquina e do custeio da máquina pública, conforme determinação do governador Mauro Mendes. O Governo está fazendo o dever de casa, controlando os gastos desnecessários e da folha de pagamento dos salários, já que ainda estamos acima do que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso vai permitir que restabeleçamos a saúde financeira do Estado”, apontou o secretário de Fazenda.

Segundo o relatório, a receita ficou menor que o previsto na Lei Orçamentária Anual, em razão da queda significativa na arrecadação do ICMS, o principal tributo do Estado, e na diminuição dos repasses do Governo Federal, que vem ocorrendo sistematicamente desde 2017. A previsão era que o Estado arrecadasse R$ 14,9 bilhões nesse período. No entanto o valor ficou em R$ 14,4 bilhões, queda de 3,3%.
A arrecadação de Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) no período foi de R$ 6,8 bilhões, e o valor previsto era de R$ 7,1 bilhões, configurando redução de 4,7%.
“Melhorou a receita com relação ao Fethab, mas ainda temos problemas no crescimento econômico. A economia não está crescendo dentro daquilo que estava previsto no orçamento, na ordem de 2%. Isso impacta na arrecadação do ICMS na ordem de 3%, o que é muito ruim para as finanças do Estado”, explicou Rogério Gallo.

As reduções de repasses por parte do governo federal continuam sendo um componente significativo no quadro de receita e despesa em nível estadual. A previsão era de que os repasses chegassem a R$ 3,2 bilhões, mas foram repassados R$ 2,9 bilhões, o que dá uma redução de 7%.
No caso do Sistema Único de Saúde (SUS), a expectativa era de R$ 331,4 milhões em repasses pela União, no entanto, foram transferidos R$ 139,6 milhões, correspondendo a uma redução de 57,9%. O Estado não recebeu também nenhum recurso oriundo do ressarcimento da Lei Kandir e do FEX, com a desoneração das exportações.
A audiência atende à recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) à Assembleia Legislativa, visando aumentar a transparência nas ações do Poder Executivo no que tange às suas receitas e despesas e é uma determinação da Lei Complementar Federal nº 101, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Participaram também da audiência os deputados Ondanir Nininho Bortoloni, Lúdio Cabral e Wilson Santos.
Acompanharam os secretários adjuntos da Sefaz, Anésia Cristina Batista (Contadoria Geral), Luciana Rosa (Tesouro Estadual) e Ricardo Capistrano (Orçamento Estadual).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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