Mato Grosso
Governo busca entendimento entre instituições para superar crise na Santa Casa
O Governo do Estado reuniu nesta segunda-feira (01.04) a diretoria da Santa Casa de Misericórdia na busca de um entendimento para a superação da crise financeira pela qual passa o hospital filantrópico. O Executivo estadual pediu que a entidade forneça as informações referentes aos serviços prestados e às dívidas junto aos fornecedores, credores e funcionários.
A reunião contou com a participação da primeira-dama Virginia Mendes, de representantes do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado, deputados estaduais e secretários de Estado, o senador Jayme Campos, além do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e vereadores da capital.
O governador Mauro Mendes destacou que para se buscar uma solução definitiva, o hospital filantrópico precisa “desnudar os números de forma transparente, para que daqui um ano, não seja necessária uma nova discussão sobre o assunto”.
“Nós propusemos que a Santa Casa apresente três questões pontuais para que possamos analisar e encontrar uma solução para o caso. Que a direção apresente de maneira clara e transparente os números; um plano de viabilidade da instituição e um plano de sustentabilidade, ou seja, com condições que ela possa se manter e as fontes de recursos”, pontuou Mendes.
“Estamos disponíveis para encontrar uma solução para o caso. Agora depende da Santa Casa, o tempo está com a diretoria. Assim que ela entregar esses apontamentos, vamos sentar novamente para conversar com todos os parceiros envolvidos”, completou o governador.
A direção da instituição declarou que a iniciativa da administração estadual é promissora, uma vez que busca um entendimento definitivo para as dificuldades financeiras da unidade hospitalar, que há cerca de 20 dias suspendeu o atendimento à população.
“Estamos aqui para pedir socorro. Você, governador, foi o que demonstrou maior vontade de resolver a questão. Contudo, se nós não tivermos dinheiro novo, não vamos conseguir resolver essa situação”, disse o representante da entidade, Mário Cândia.
De acordo com o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, em 2018, houve a contratualização junto à Santa Casa de serviços médicos a serem prestados pela unidade, no valor de R$ 38 milhões, em recursos federais e estaduais.
“A Santa Casa conseguiu produzir apenas R$ 12 milhões em serviços, deixando de arrecadar R$ 26 milhões. Portanto, está clara a pré-disposição dos governos federal e estadual em subsidiar e valorizar o serviço da Santa Casa, mas depende que a entidade adote medidas corretas de gestão”, explicou Figueiredo, destacando que qualquer repasse à Santa Casa será realizado através de contratualização de serviços, com a devida prestação de contas.
O prefeito Emanuel Pinheiro ratificou a exigência do Governo do Estado para a abertura, de forma transparente, as contas da Santa Casa, uma vez que, apesar de ser uma instituição privada, presta serviços ao Sistema Único de Saúde.
“Precisamos saber o que aconteceu e qual é, de fato, a dívida da Santa Casa. Não adianta falar da boca para fora, pois a sociedade precisa saber dessas informações. E daqui para frente, é preciso ter um plano de ação de como vai funcionar e quais serviços irá prestar, para que possa se manter em pé”, disse Pinheiro.
Para o promotor de Justiça, Alexandre Guedes, a unidade precisa apresentar uma solução, partindo dela própria a iniciativa para qualquer solução para o problema.
“A Santa Casa é uma instituição privada e fechada. Ela precisa querer mudar para que possamos construir uma solução para esse caso, se ela quer receber recursos públicos. A decisão é da Santa Casa e não nossa, se ela quer construir, ela terá que se abrir. É assim que eu vejo que a coisa vai poder funcionar”, comentou.
Também participaram da reunião o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho, os deputados estaduais Janaina Riva, Ulysses Moraes e Dr. Gimenez, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, o procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, o conselheiro do TCE, Guilherme Maluf, o secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Antônio Possas de Carvalho, e os vereadores Misael Galvão e Luis Cláudio.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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