Mato Grosso
Governo criará unidade para evitar irregularidades em compras públicas
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão, criará no âmbito da administração pública uma unidade de conformidade de compras públicas, para que, mesmo após o encerramento do processo licitatório, seja feita uma validação dos procedimentos realizados.
Também de maneira preventiva, a Secretaria reavaliará licitações em vigência e outras que estejam em curso para aquisição de bens e contratação de obras e serviços, além de revisar contratos em vigor, conforme consta na Portaria nº 03/2019, publicada na semana passada no Diário Oficial do Estado.
A medida foi anunciada pelo secretário Basílio Bezerra após a instauração de sindicância administrativa por meio da Portaria Nº 06/2019 para apurar eventuais irregularidades relativas à Ata de Registro de Preços (ARP) nº 001/2019, oriunda do Pregão Eletrônico nº 045/2018/SEGES, para registro de preço de materiais de consumo, e as circunstancias em que os fatos aconteceram.
Além disso, em caráter preventivo, a Secretaria suspendeu a ARP, e proibiu qualquer processo de contratação à mesma. As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Estado que circulou nesta terça-feira (19), e a comissão tem 30 dias para apurar os fatos. A Seplag informa também que a ARP será cancelada.
Segundo o secretário da Seplag, Basílio Bezerra, a atual gestão será extremamente rígida em relação às compras públicas. “Vamos criar um procedimento de conformidade das licitações após sua conclusão, antes de adjudicá-las, para que situações como esta sejam evitadas”.
Ele acrescenta que a Secretaria não irá admitir em hipótese alguma qualquer tipo de conduta inadequada em relação as aquisições ou qualquer outra área. “Este é um posicionamento desta administração. Qualquer desvio de conduta, seja por parte de agentes públicos ou de fornecedores, será duramente punido dentro do que estabelece a legislação”.
O pregão teve início em 2017 e foi homologado no final do ano passado, ainda na gestão anterior. Entre os preços registrados em um dos lotes, consta o registro de 153.279 colheres de polipropileno, da marca Multikids, na cor azul. Cada unidade foi registrada ao custo de R$ 6. Também foi registrado o preço de 1.286 unidades de batedor de carne em alumínio, no valor de R$ 40 cada.
Conforme levantamento preliminar realizado pela Secretaria houve equívoco na interpretação das especificações, em parte da pesquisa de preço, quanto ao tipo de material e dimensões dos produtos pesquisados. Já em relação a suspeita do tempo de duração do pregão eletrônico, que, segundo o Observatório Social teria durado apenas dois minutos, a Secretaria esclarece que na verdade, o que ficou no ar apenas por dois minutos foi a publicação do resultado, o que será devidamente apurado durante a sindicância em curso.
As atas de registro de preços são um recurso usado na contratação de bens e serviços, por meio de pregão eletrônico, para eventual aquisição. A Seplag reforça que não foi realizada nenhuma adesão à referida Ata.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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