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Mato Grosso

Governo de MT entrega nova sede da Setasc e lança iniciativas para emprego e qualificação

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A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) reinaugurou, nesta quarta-feira (18.3), sua sede após uma ampla modernização estrutural que recebeu investimento de R$ 14,9 milhões. A entrega marca um novo momento para a política de assistência social em Mato Grosso, com foco na melhoria das condições de trabalho dos servidores e na qualificação do atendimento à população.

O governador Mauro Mendes destacou a importância da entrega da nova sede como parte de um conjunto de investimentos que priorizam melhores condições de trabalho no serviço público e mais qualidade no atendimento à população.

“Estamos entregando uma estrutura moderna, adequada e que valoriza o servidor. Isso não é luxo, é condição essencial para que as pessoas possam trabalhar melhor e atender melhor a população. Quando investimos em ambientes de qualidade, investimos também em produtividade, bem-estar e resultados”, afirmou.

O governador também salientou que a iniciativa integra um esforço mais amplo de transformação do Estado.

“Esse é um padrão que estamos levando para diversas áreas do Governo. É um trabalho coletivo, construído por muitas mãos, que deixa um legado importante para Mato Grosso e fortalece as políticas públicas em benefício da população”, completou.

Crédito: João Reis/Setasc-MT

A primeira-dama Virginia Mendes disse que o sentimento é de gratidão e o trabalho coletivo, possibilitou a ampliação das ações sociais no Estado, além da importância da nova estrutura da Setasc para fortalecer o atendimento à população.

“Eu só tenho gratidão a Deus e a todos que caminham conosco. Essa entrega da nova sede da Setasc representa um avanço importante, porque garante mais dignidade para os servidores e melhores condições de atendimento para quem mais precisa. Agradeço ao governador Mauro Mendes por acreditar nos projetos, especialmente no SER Família, e a cada servidor, secretário, prefeito e primeira-dama que ajuda a fazer tudo isso acontecer. Ninguém faz nada sozinho”, afirmou.

Crédito: João Reis/Setasc-MT

Ela também ressaltou os avanços conquistados e a transformação gerada na vida da população.

“Ver que conseguimos chegar a quem mais precisa e mudar a vida de tantas famílias é a realização de um sonho. Cada pessoa aqui tem um papel nessa construção, e é graças a esse trabalho conjunto que estamos fazendo a diferença. Muito obrigada a todos, de coração”, disse.

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Para o secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes, a reinauguração da sede como um marco para a valorização dos servidores e o fortalecimento das políticas públicas, além de ressaltar o lançamento de novas iniciativas voltadas à geração de oportunidades.

“Essa entrega representa um novo momento para a assistência social em Mato Grosso. Não é apenas a reinauguração de um prédio, mas a valorização de uma política pública que impacta diretamente os 142 municípios do Estado. Hoje, temos uma estrutura moderna, que garante melhores condições de trabalho aos servidores e mais qualidade no atendimento à população. Esse investimento demonstra o compromisso do Governo com a cidadania e com as pessoas que mais precisam”, contou.

Crédito: João Reis/Setasc-MT

O secretário também destacou o lançamento da plataforma Empregos MT e a parceria com o Ciopaer, além do cenário positivo na geração de empregos no Estado.

“Estamos avançando com ações concretas, como a plataforma Empregos MT, que utiliza tecnologia para conectar trabalhadores às oportunidades, e o Projeto Decolando, que vai transformar a vida de jovens por meio da qualificação. Mato Grosso hoje tem a menor taxa de desemprego do país e uma das maiores taxas de ocupação, resultado de investimentos contínuos em capacitação e inclusão produtiva”, concluiu.

A nova estrutura foi projetada para oferecer mais conforto, eficiência e acessibilidade. Entre as melhorias implementadas está a instalação do sistema de ar-condicionado VRF (Variable Refrigerant Flow), tecnologia de alta eficiência energética indicada para grandes ambientes.

O prédio passa a contar com sala multiuso, ampliação do refeitório e padronização ergonômica do mobiliário, garantindo melhores condições de trabalho aos servidores.

Outro destaque é a valorização da iluminação natural nos ambientes internos, além da adequação completa às normas de acessibilidade, com implantação de rampas e piso tátil, promovendo inclusão e mobilidade para todos os usuários.

Oportunidade

Durante o evento, foi lançada a plataforma Empregos MT, desenvolvida para conectar, de forma prática e eficiente, trabalhadores e empregadores em todo o Estado. Utilizando tecnologia e inteligência artificial, a ferramenta torna o processo de recrutamento mais ágil e assertivo.

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Os trabalhadores podem acessar vagas compatíveis com seus perfis, acompanhar em tempo real o andamento das candidaturas e receber notificações sobre cada etapa do processo seletivo. Já os empregadores contarão com um sistema que indica candidatos alinhados às vagas, inclusive profissionais que ainda não se candidataram, ampliando as possibilidades de contratação.

O presidente da MTI, Cleberson Gomes, destacou o papel da tecnologia e da parceria entre órgãos na criação da plataforma.

“Falar da Empregos MT é destacar um trabalho construído com foco no cidadão. Utilizamos a tecnologia e a inteligência artificial para aproximar quem busca emprego das oportunidades disponíveis, de forma ágil e eficiente”, declarou.

Ele também ressaltou o impacto social da iniciativa.

“É uma solução simples, mas com grande potencial de transformação, que facilita o acesso ao mercado de trabalho e melhora a vida da população”, completou.

Crédito: Kawê Pires/Setasc-MT

A plataforma fortalece a inclusão no mercado de trabalho, com filtros específicos para vagas destinadas a pessoas com deficiência e integração com iniciativas como o programa SER Família Mulher, ampliando oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Outro diferencial é a disponibilização de painéis de dados estratégicos, que auxiliam na gestão e no aprimoramento de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda. A Empregos MT também estará disponível no aplicativo MT Cidadão, facilitando ainda mais o acesso da população aos serviços.

Projeto Decolando

A programação contou com a assinatura de um termo de parceria entre a Setasc e o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) para a execução do Projeto Decolando, que oferecerá formação gratuita de piloto de avião a jovens de baixa renda, conforme normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O coordenador do Ciopaer, tenente-coronel da Polícia Militar Thiago Braz de Oliveira, destacou o caráter inovador e transformador do Projeto Decolando, ressaltando a união entre diferentes órgãos para viabilizar a iniciativa.

“É uma honra falar de um projeto que nasceu de uma ideia simples e hoje se consolida como uma política pública inédita. O Decolando oferece formação completa e gratuita, com foco na empregabilidade, permitindo que jovens de baixa renda tenham acesso a uma carreira de alto nível. É uma oportunidade real de transformação de vida, construída de forma integrada entre diversas áreas do Governo”, disse.

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Crédito: Kawê Pires/Setasc-MT

A iniciativa visa promover ascensão social por meio de qualificação de alto nível, formando pilotos civis capacitados e ampliando oportunidades no mercado de trabalho. O público-alvo são jovens da rede pública estadual, inscritos no CadÚnico e com renda familiar de até dois salários mínimos por pessoa.

Para participar, é necessário ter no mínimo 17 anos, ter realizado o Enem mais recente, residir em Mato Grosso há pelo menos 12 meses, não possuir licença aeronáutica e atender aos critérios técnicos e psicofísicos exigidos para a profissão.

A solenidade contou com a presença dos deputados estaduais Paulo Araújo e Janovan Rios; Coronel PM César Roveri (Sesp); Coronel PM Héverton Oliveira (Sesp); Coronel PM Fernando Augustinho (Sesp); do presidente da MTI, Cleberson Gomes; da defensora pública-geral, Luziane Castro; da delegada Ana Paula Ravelly, coordenadora de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Vulneráveis; da procuradora Glaucia Amaral, do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM); do procurador do Estado, Diego de Oliveira; e do presidente da Fundação Nova Chance (Funac), Winkler Freitas, do prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes, a primeira-dama Rosilei Borges, e a prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira.

Crédito: João Reis/Setasc-MT

O evento contou também com os secretários adjuntos da Setasc: Assistência Social (Saas), Miranir Oliveira; Programa e Projetos Especiais e Atenção à Família (Sappeaf), Juliane Maciel; Proteção e Defesa dos Direitos de Consumidor (Procon), Ana Rachel Gomes; Administração Sistêmica (Saads), Arielle Heredia Dorileo; Escritório Diretivo de Projetos Estratégicos (Saedpe), Marimax Comazze; Políticas Públicas para as Mulheres (Sappm), Salete Morockoski; Cidadania e Inclusão Socioprodutiva (Sacis), Emerson Toledo; Assuntos Comunitários (Saascom), Édio Martins e Direitos Humanos (Sadh), Cristiano Nogueira.

Com a reinauguração da sede, o lançamento de uma plataforma inovadora e a implementação de novos projetos estratégicos, a Setasc reforça seu compromisso com a modernização dos serviços públicos, a inclusão social e a ampliação de oportunidades para a população mato-grossense.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

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Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

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O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

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Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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