Mato Grosso
Governo investe R$ 11,8 milhões para retomada de obras de escolas em Rondonópolis
O Governo do Estado vai investir R$ 11,8 milhões para a retomada de obras de escolas em Rondonópolis (a 212 quilômetros de Cuiabá). No município, já foram retomadas três grandes obras da Educação, que são as reformas das Escolas Estaduais Emanuel Pinheiro e Marechal Dutra e a construção de uma escola no bairro Jardim Maria Tereza.
Conforme a secretária de Estado de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, outra obra de reforma que deve ser retomada em breve é a da escola Adolfo Augusto de Moraes, que está em fase de elaboração de projeto e deve ir para licitação ainda no mês de novembro.
“Aos poucos estamos retomando todas as obras que estavam paralisadas, mas com a premissa de iniciar apenas aquelas que já têm recursos em caixa para iniciar e terminar. Assim, teremos certeza de que no decorrer no percurso nenhuma obra será paralisada por falta de recurso”.
A primeira obra retomada este ano no Estado foi a da reforma geral da EE Emanuel Pinheiro, em Rondonópolis, que já foi finalizada e deve ser entregue no próximo mês.
Segundo a diretora da escola Emanuel Pinheiro, Shirley Valuz, a unidade de ensino foi fundada em 1972 e de lá pra cá recebeu apenas reforma do piso. “Essa foi a primeira reforma geral que a nossa escola recebeu, mas valeu a pena esperar por tanto tempo, porque ela ficou linda. Os alunos estão até comparando o novo prédio com a de uma escola particular”, disse a diretora, lembrando que a unidade atende cerca de 450 alunos.

O diretor da EE Marechal Dutra, Evandro Silva Brocuá, disse que a comunidade aguarda ansiosa pelo o término dessa reforma, que também estava paralisada e foi retomada no mês de agosto. “Sempre sonhamos com uma escola bem estruturada, com laboratórios e salas de aula climatizadas. Acredito que uma escola com tudo isso influencia muito na aprendizagem dos alunos”.
Fundada em 1953, a escola atende, atualmente, 725 alunos, do 1º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio.
Obras no Estado
Conforme destaca a secretária, no segundo semestre deste ano, a Seduc começou a retomar o fôlego de investimentos no estado e, em parceria com a Assembleia Legislativa, ampliou o investimento de R$ 1,8 milhões para R$ 35 milhões.
Estamos reorganizando todos os projetos das obras que estavam paradas e verificando o que é possível fazer. Já retomamos 18 obras de escolas em todo o Estado e estamos elaborando projetos e fazendo licitação para a retomada de várias outras. A nossa previsão é entregar 98 obras ainda nesta gestão”, informou.
Visitas
Na quinta-feira (24.10), Marioneide, acompanhada das Comissões de Educação da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Rondonópolis, visitou algumas escolas do município para fazer um diagnóstico e identificar as principais necessidades estruturais, de gestão educacional e pedagógica dessas unidades.

As escolas visitadas foram a Emanuel Pinheiro, Major Otávio Pitaluga, Antônio Balbino, Domingos Aparecido dos Santos, Professor Carlos Pereira Barbosa e Professora Elizabeth de Freitas Magalhães.
“Será elaborado um documento com a relação de tudo o que precisa ser feito nessas unidades e a nossa capacidade orçamentária e financeira e aí vamos apresentar ao governador para validar essas ações que queremos fazer em Rondonópolis”.
O deputado Thiago Silva, que é o presidente da Comissão da Assembleia Legislativa, ressaltou que está trabalhando junto com os Governos do Estado e Federal para que juntos possam viabilizar recursos para atender as escolas tanto na área de infraestrutura, quanto pedagógica.
O presidente da Comissão da Educação da Câmara, vereador Silvio Negri, destacou que essas ações integradas entre Estado e Município sempre dão frutos. “Estamos fazendo essas visitas justamente para levantar os problemas existentes nas escolas estaduais para que possamos, em ações integradas, resolver o mais rápido possível. Esse é um trabalho que vai render muitos frutos daqui por diante em rondonóplis”.
A secretária explicou que essas visitas nas escolas estaduais estão sendo feitas em todo o Estado. “Essas visitas fazem parte do projeto Seduc vai à Escola, um trabalho técnico que está sendo feito pela nossa equipe para identificar o que as escolas precisam e onde podemos fazer intervenção pedagógica e de infraestrutura”, explicou.

A secretária lembrou ainda que as escolas que precisam de algum tipo de melhoria na infraestrutura, mas não passarão por reformas, podem solicitar verba emergencial no valor de até R$ 64 mil. Esse recurso é destinado para resolver problemas prioritários, como conserto e troca de telhado, reparos em banheiros, no sistema hidrossanitário, cozinha, refeitório, quadra poliesportiva, acessibilidade, entre outros. As unidades escolares podem solicitar via sistema Sigeduca.
Também acompanharam as visitas o vereador Roni Cardoso e líderes comunitários.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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