Mato Grosso
Idosa corre risco de amputação de perna caso cirurgia vascular não seja realizada pelo Estado
Ivonete da Silva Ribeiro, 60 anos, internada no Pronto-Socorro de Cuiabá desde o dia 13 de abril, corre risco iminente de amputação de membro inferior caso não seja realizada, com urgência, uma cirurgia vascular denominada angioplastia intraluminal de aorta, segundo relato médico.
A idosa, que é dona de casa e mora em Cáceres (218 km de Cuiabá), apresenta embolia e trombose da artéria ilíaca. “A situação é desesperadora! Ela chegou com um dedinho roxo, andava normalmente e agora pode perder a perna direita”, desabafou Arlete Ribeiro, 33 anos, filha de Ivonete.
A família da idosa procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso, que obteve liminar favorável à realização do procedimento cirúrgico no dia 29 de abril. Porém, o prazo de cinco dias para que a cirurgia ocorresse não foi cumprido.
Segundo informações do Núcleo Cível de Cuiabá, já foi feito o pedido de multa por descumprimento de pena junto ao Poder Judiciário e será solicitado também o bloqueio do valor do procedimento nas contas do Governo do Estado de Mato Grosso.
Além da complicação vascular, Ivonete também sofre de diabetes, pressão alta, síndrome do túnel do carpo, artrose e osteofitose (popularmente conhecida como bico-de-papagaio) – a idosa recebe um salário mínimo (R$ 998,00) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devido ao problema na coluna, mas o benefício vai só até junho.
Como se não bastasse, a cacerense ainda pode perder uma parte do outro membro inferior. “O exame (arteriografia) prejudicou a outra perna. Entupiu totalmente a veia da perna esquerda, o que não deixa o sangue chegar até os dedos do pé. Ela pode ter que amputar a ponta do pé ou uma parte da perna até o quadril”, afirmou Arlete, que é pedagoga e também reside em Cáceres – veio para a capital apenas para cuidar da mãe.
A idosa revela ainda um quadro de dor em repouso e cianose (insuficiência circulatória). “Ela fica 24 horas com dor. O doutor receitou sete tipos de medicamentos muito fortes, mas os analgésicos não estão mais fazendo efeito. Ela chegou a tomar morfina, mas não adiantou”, revelou a pedagoga. Ivonete tem outro filho que mora em Cáceres e mais um filho e duas filhas que residem em Cuiabá.
Arlete confidenciou que foi difícil conseguir a liminar favorável devido à exigência de um orçamento do procedimento, o qual costumeiramente não é fornecido pelos hospitais particulares.
“Estamos fazendo de tudo para conseguir essa cirurgia. Cogitamos até a possibilidade de vender casa, carro para pagar o procedimento. Toda a nossa família está fragilizada. É angustiante essa situação!”, declarou Arlete, inconformada com a condição atual da mãe.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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Mato Grosso
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