Mato Grosso
Imóveis que foram destinados à Previdência estadual não tinham liquidez
Uma equipe do Mato Grosso Previdência (MT Prev) esclareceu aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na tarde desta terça-feira (02), na Assembleia Legislativa, a situação do patrimônio incorporado à autarquia para sanar o déficit previdenciário. A ocasião foi o segundo encontro em que a equipe do MT Prev forneceu informações para subsidiar os trabalhos da CPI.
Conforme o diretor presidente do MT Prev, Elliton Oliveira de Souza, em 2013, o governo repassou 364 imóveis com valor estimado em torno de R$ 15 bilhões, para sanar o déficit da previdência que já apresentava desequilíbrio financeiro na época. No entanto, os imóveis não puderam ser liquidados e convertidos em investimento.
“Não foi feito um saneamento desses imóveis para saber a real situação deles antes de transferi-los para o MTPrev. Nesse sentido a CGE fez uma recomendação pra que nós estornássemos, tirássemos esse patrimônio do MTPrev. Vários imóveis hoje são assentamentos, municípios, bairros. Isso causa um efeito muito ruim na contabilidade do MTPrev, você tem o registro de algo que você não pode contar”, explica.
A equipe também destacou que para compor o MTPrev, os imóveis precisam ser aprovados pelo Conselho de Previdência, conforme previsto na Lei Complementar 560/2014, entretanto nunca foram pauta das reuniões.
O presidente avalia ainda que o MT Prev, por ser uma autarquia previdenciária, não tem know-how para administrar imóveis, e que por isso, o correto seria que os recursos fossem destinados à previdência para ajudar a cobrir o déficit atuarial de R$ 57 bilhões – apurado para o período de 75 anos.
“O ideal seria fazermos uma alteração legislativa de forma a receber os recursos oriundos destes imóveis, seja por meio de sessão onerosa, alienação, alugueis. Os recursos devem vir para que a autarquia possa trabalhar no mercado e não administrar imóveis. Precisaríamos inclusive especializar uma equipe para administrar uma carteira imobiliária”, ressaltou.
CPI da Previdência
Esta é a segunda oportunidade em que representantes do MT Prev comparecem à Casa de Leis para fornecer e esclarecer dados solicitados pela CPI. Criada em abril deste ano, a Comissão tem o objetivo de traçar o panorama financeiro da Previdência estadual desde a sua fundação.
O presidente do MTPrev ressalta que é do interesse da autarquia que haja máxima transparência, e que os trabalhos da Comissão sejam concluídos.
“Julgamos que este é um processo muito importante para o Estado, por isso, demos prioridade para esse atendimento. Por isso pedimos para apresentar as informações pessoalmente e fizemos questão de trazer todos os diretores e parte da equipe técnica”, pontua Elliton.
Conforme o deputado João Batista, presidente da CPI, há um cronograma que inclui esclarecimento de diversos órgãos, entre eles, o liquidante do IPEMAT.
Estiveram presentes também do deputados Lúdio Cabral, Paulo Arujo e Ulysses Moraes.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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