Mato Grosso
Polícia Civil prende suspeito de tentativa de feminicídio durante ameaças à vítima pelo celular
O crime ocorreu na noite de terça-feira (11.06), quando o suspeito, de 27 anos, invadiu a casa da vítima, de 23, a agrediu severamente, chegando a tentar esganar a ex-companheira, que conseguiu se esquivar das agressões.
Depois, o suspeito pegou uma faca, atentou contra a vida da vítima e foi interrompido pelo porteiro do condomínio. Após a tentativa de feminicídio, o suspeito fugiu do local, mas continuou a ameaçar a ex-mulher, enviando mensagens e vídeos com promessas de morte.
Ao tomar conhecimento do crime, a equipe da Delegacia da Mulher de Cuiabá iniciou as diligências para realizar a prisão em flagrante do suspeito, que, antes de ser preso, ainda tentou pegar a filha do casal na creche, com o objetivo de afetar emocionalmente a ex-companheira.
Ciente da possível manobra do agressor, os policiais buscaram a criança antes da chegada dele. Os investigadores continuaram as diligências por toda cidade em busca do suspeito, que foi encontrado em um bar, bebendo cerveja, enquanto fazia mais um vídeo de ameaças contra a vítima.
O suspeito foi encaminhado para a Delegacia da Mulher de Cuiabá, onde foi interrogado e autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de feminicídio e ameaça.
A delegada titular da DEDM Cuiabá, Judá Marcondes, orienta as mulheres a denunciarem casos de violência, uma vez que, em nenhum dos 17 feminicídios que ocorreram em Mato Grosso neste ano, as vítimas solicitaram medidas protetivas.
“Neste caso, o agressor já havia agredido a vítima em outros momentos e intensificou suas ações atentando contra a vida da ex-companheira. Buscar a seus direitos não é revanchismo e sim um ato de proteção. As mulheres precisam mudar o comportamento de silenciamento e acatamento que aprenderam desde a infância, pois estes ensinamentos propiciam a violência doméstica e podem culminar no feminicídio”, disse a delegada.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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