Mato Grosso
Importância do autocuidado é abordada em imersão de líderes
Olhar para si e entender a importância do autocuidado são o ponto de partida para perceber o outro. Reflexões como estas foram provocadas pela imersão de líderes realizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), entre os dias 04 e 13 de junho. Com dinâmicas, rodas de conversa e atividades ao ar livre, a iniciativa ocorreu no Hotel Mato Grosso Águas Quentes.
Os 100 participantes foram divididos em cinco turmas, mesclando servidores da Sesp (incluindo Sistemas Penitenciário e Socioeducativo) e das instituições de segurança desconcentradas: Polícia Militar (PM-MT), Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT).
A Academia de Líderes foi criada pela Sesp-MT em 2017 e o projeto foi aprovado como contrapartida de um convênio pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em visita à Cuiabá, a representante da Senasp, Maristela Amaral Gois, conferiu o treinamento e parabenizou a equipe de Gestão de Pessoas. “Fiquei muito feliz com o que vi, é importante perceber a ideia que vemos apenas no papel ao aprovar um convênio ser concretizada. Estão todos de parabéns”.
Toda a capacitação foi planejada e executada pelos servidores da Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Sesp-MT. Realizar a imersão fora do órgão fez parte da proposta de sair do ambiente de conforto. “A interação entre os participantes foi muito positiva, e acredito que conseguimos provocar a reflexão sobre a importância do autocuidado, e como isso reflete nos liderados no dia a dia de trabalho”, avalia a coordenadora de Gestão de Pessoas da Sesp, Keila Costa.

O secretário adjunto de Integração Operacional da Sesp-MT, coronel PM Victor Fortes, ressaltou que a iniciativa de congregar os participantes fora do ambiente de trabalho favorece a interação e o aprendizado. “É algo que favorece e nos motiva a refletir sobre a forma que exercemos a liderança, como tratamos os liderados e o que podemos melhorar”.
Aprender sempre
Participante ativo da imersão, o diretor metropolitano da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Douglas Turíbio, analisou que a imersão foi muito proveitosa e proporcionou aprendizados relevantes nos dois dias. “A gente nunca perde por aprender e precisamos sempre estar abertos para a renovação do conhecimento e a troca de experiências com pessoas diferentes”, frisou o delegado que, aos 71 anos de idade, demonstrou disposição e humildade.

Já a corregedora-geral da Politec, Flávia Osólio, contou que a capacitação superou a visão que ela tinha de atividades como esta. “Não sabia muito bem o que esperar, não tive experiências boas com dinâmicas de grupo anteriormente, mas desta vez me surpreendi positivamente e quebrei esta resistência”.

Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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