Mato Grosso
Intensificação da Lei Seca reduz número de autuações por embriaguez ao volante
A intensificação da Operação Lei Seca, realizada de forma integrada entre as forças de Segurança Pública e de Trânsito, reduziu em 8,32% o número de autuações por embriaguez ao volante.
Conforme dados da Gerência de Fiscalização de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) foram 4.418 testes de alcoolemia, realizados de janeiro a novembro deste ano, nas 35 edições da operação e nos quatro dias da Operação Vida no Trânsito, um aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente do Detran-MT, Gustavo Vasconcelos, afirma que a operação foi intensificada em 2019 com foco na sensibilização e mudança de comportamento dos motoristas em relação à segurança no trânsito.
“O fator de risco álcool e direção ainda é muito presente no trânsito de Mato Grosso. Por isso, em 2019, aumentamos as nossas ações de fiscalização no trânsito para a segurança de todos os cidadãos. A intenção para 2020 é intensificar o número de ações, com o objetivo principal de salvar vidas”, explica.
Conduzir veículo automotor sob efeito de álcool ou outras substâncias psicoativas que determinem dependência é crime previsto no Artigo 306, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com pena de detenção de seis meses a três anos.
Durante o teste com o etilômetro, o condutor que tiver índice superior a 0,33 miligramas de álcool por litro de ar expelido além de ser detido, pagará multa no valor de R$ 2.934,70 e terá a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa ou a proibição de obter a permissão para dirigir.
Também respondem pelo Artigo 306 os condutores que, no momento da abordagem de trânsito, apresentarem sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora.
Lei Seca
Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) foram realizadas operações nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e Campo Novo do Parecis.
Foram 161 pessoas presas em flagrante por embriaguez ao volante, 4.363 testes de alcoolemia realizados, 436 Carteiras Nacional de Habilitação (CNHs) recolhidas, 367 Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLVs) recolhidos, 854 veículos removidos, 437 pessoas dirigindo embriagadas e 96 se recusaram a fazer teste de bafômetro.
A operação Lei Seca é coordenada pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI-E) da Sesp-MT e realizada de forma integrada entre o Detran-MT, Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário da Polícia Militar, Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) da Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros, Politec, Ministério Público do Estado, Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Guarda Municipal de Várzea Grande e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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