Mato Grosso
Investimentos no Social em Cuiabá totalizam mais de R$ 170 milhões e fortalecem atendimento à população vulnerável

O Governo de Mato Grosso tem intensificado os investimentos na área social em Cuiabá, totalizando mais de R$ 177,7 milhões aplicados entre 2019 e 2026. As ações são executadas por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e integram os programas estruturantes da política pública estadual, com foco na proteção social, segurança alimentar e inclusão produtiva.
Entre os principais eixos está o programa SER Família, que reúne diferentes modalidades de transferência de renda. Em Cuiabá, os investimentos em cartões, como SER Família, SER Família Criança, SER Família Idoso, SER Família Inclusivo e SER Família Indígena, somam mais de R$ 43,5 milhões, garantindo suporte direto às famílias em situação de vulnerabilidade.
O secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes, destacou a importância dos investimentos realizados e o compromisso do Estado com a população cuiabana.
“Os investimentos que o Governo de Mato Grosso vem realizando na área social em Cuiabá refletem um trabalho sério e contínuo, voltado para quem mais precisa. São ações que garantem dignidade, segurança alimentar, inclusão e oportunidades para milhares de famílias. Neste momento especial, também parabenizo Cuiabá pelo seu aniversário, uma cidade que tem avançado com o apoio de políticas públicas que fazem a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
Na área de segurança alimentar, os investimentos no Programa SER Família Solidário também destinou R$ 29 milhões para cestas de alimentos e kits de limpeza e higiene, além de mais de R$ 12,6 milhões em cestas natalinas, ampliando o atendimento às famílias em diferentes períodos do ano.
A vice-presidente das Obras Sociais Irmão Praeiro e coordenadora da Escola Espírita Irmão Praia, Daianny Tingo Vieira, ressalta a importância do apoio contínuo recebido pela instituição desde a pandemia da Covid-19, fundamental para a manutenção das atividades e o atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade.
“Desde a pandemia, conseguimos distribuir mensalmente centenas de cestas básicas para a comunidade do bairro Jardim Vitória e região, garantindo segurança alimentar em um momento extremamente difícil. Esse apoio continua até hoje, com a doação mensal de 20 cestas básicas e kits de higiene e limpeza, que são essenciais para o funcionamento da nossa escola”, declarou Daianny.
Segundo ela, o auxílio impacta diretamente na vida das crianças atendidas e também das famílias que participam dos projetos sociais desenvolvidos pela entidade.
“Para muitas crianças, a principal refeição acontece dentro da escola. Além disso, atendemos a comunidade aos sábados com a distribuição de cerca de 80 litros de sopa. Sem essas doações, faltaria alimento para oferecer aos nossos estudantes. Esse suporte é fundamental para que possamos continuar nosso trabalho com dignidade e responsabilidade”, disse.
O programa também contempla o Restaurante Prato Popular, com aproximadamente R$ 7,7 milhões, ofertando 600 refeições no almoço e na distribuição de mais 200 marmitas no jantar para a população em insegurança alimentar, com investimento de R$ 2,8 milhões. Outras ações complementares incluem a entrega de filtros de barro, com investimento de R$ 682 mil, garantindo acesso à água potável para famílias em situação de vulnerabilidade.
O Governo de Mato Grosso também segue trabalhando no fortalecimento da rede socioassistencial. No programa Repesca, o Estado já investiu R$ 2,3 milhões, além de R$ 110 mil na aquisição de veículo para a assistência social da Capital e mais de R$ 23,5 milhões em cofinanciamento estadual para o município de Cuiabá, assegurando a manutenção e ampliação dos serviços na Assistência Social.
Dentro do programa, o SER Família Mulher também se destaca, com mais de R$ 4,5 milhões destinados ao auxílio-moradia, assegurando para mais de 1.700 mulheres vítimas de violência doméstica proteção e autonomia.
Uma das beneficiárias do SER Família Mulher, identificada na matéria pelo nome fictício Maria, destaca que o auxílio tem sido fundamental para garantir mais estabilidade e segurança em um momento de vulnerabilidade.
“O programa é muito importante para mim e para os meus filhos. Eu só tenho a agradecer por essa ajuda, que trouxe mais segurança e esperança para a nossa vida. Com esse apoio, conseguimos seguir em frente com mais tranquilidade”, relatou.
O benefício integra a rede estadual de proteção social e atua de forma articulada com os municípios e demais órgãos do sistema de garantia de direitos, ampliando o suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Na área da inclusão, a Central de Interpretação de Libras (CIL) realizou 69,8 mil atendimentos às pessoas com deficiência auditiva, somente em Cuiabá. Já a emissão da Carteira de Identificação do Autista (CIA) garantiu a emissão de 3,8 mil carteiras que asseguram prioridade e acesso a direitos.
A qualificação profissional também integra os investimentos, por meio do SER Família Capacita. Cuiabá já contabiliza mais de 6,3 mil matriculados, com aporte superior a R$ 9,4 milhões, promovendo capacitação gratuita e ampliando oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Com atuação integrada e investimentos robustos, o Governo de Mato Grosso reforça a política de assistência social em Cuiabá, garantindo atendimento imediato às necessidades básicas da população e promovendo, de forma contínua, inclusão, autonomia e melhoria da qualidade de vida.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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