Mato Grosso
Irmãs investem no cultivo hidropônico e garantem produtividade o ano todo
Com uma produção que pode chegar a 30 dúzias de alface roxa, mimosa, crespa e americana, além de outras folhosas, as irmãs Dóris Marter Reinehr (52), Jane Helena Reinehr (57) e Leda Inês Reinehr (55) investiram no cultivo sem solo, ou seja, na produção de hortaliças no sistema hidropônico. Para isso, as três produtoras rurais instalaram, na Chácara Buriti, em Cuiabá, uma estufa que ocupa uma área de 1,5 hectare para produzir mais de seis tipos diferentes de hortaliças. As irmãs ainda produzem couve-manteiga, rúcula e cebolinha em sistema convencional.
Desde 2012, resolveram investir numa nova forma de produzir. Com experiência em produção de hortaliças no solo, apostaram que a hidroponia seria o negócio para as três tocarem. Cada uma tem a sua função definida, Dóris trabalha com a gestão do negócio e toda parte financeira, Leda faz atendimento ao cliente, recebe pedidos e trabalha na produção e a Jane também fica na produção, especialmente no plantio de cebolinha e couve-manteiga. Elas contam ainda com a parceria da produtora Silvana Antunes Vieira, que trabalha na semeadura e na mudança do berçário.
Com uma área total de 6,4 hectares, Dóris conta que essa parceria pode ser considerada um sucesso, todas tem a sua função e o negócio vem dando resultado há mais de seis anos. Ela recorda que na chácara trabalhavam com produção de leite ajudando seus pais. A mudança foi gradativa e com a união das três irmãs, a hidroponia agora é a fonte de renda e lucro. “Trabalhamos de domingo a domingo e a nossa preocupação não é somente com a produção, mas também com a qualidade do produto oferecido”, destaca.
A produtora Dóris fala que neste ano de 2018 as vendas tiveram uma queda de 40%, e teve início uma guerra de preço no mercado de hortaliças. E complementa que, com o período das chuvas, a procura aumentou por hortaliças hidropônicas. “Estamos esperançosas e acreditando que teremos uma venda ampliada neste final de ano”. Em uma estufa de 700 metros quadrados que ficou desativada este ano, já começaram a plantar, e em 30 dias, vão colher em torno de 1.740 dúzias de agrião, salsa, coentro e almeirão.
Crédito rural para investimento
A produtora Leda Inês, responsável pelos clientes, recebe os pedidos e deixa tudo pronto para serem entregues na manhã do dia seguinte. Também realiza a entrega de produtos a clientes que vão até a hidroponia comprar. O local é impecável, caixas limpas e tudo a mostra para o cliente levar o produto limpo e seguro. Um dos maiores cuidados, além da higiene do local, é com o manejo das folhosas. Elas contam que o produto bem armazenado na geladeira pode durar até 15 dias.
Nos canteiros de cebolinha e couve manteiga, com plantio no solo, a produtora Jane começa bem cedo o replantio das mudas. Ela trabalha com essa atividade desde os 11 anos de idade. E conta que mexer com a terra é uma terapia, pois na maioria das vezes conversa com as plantas. “Eu não sou da cidade, sou da roça e gosto de fazer o que faço, cuidar da terra e receber o retorno com a produção de hortaliças”, ressalta.
O trabalho na propriedade começa às 4 horas e se encerra às 21 horas. As produtoras vendem produtos para restaurantes, direto ao consumidor e comércio em geral. Este ano, participaram de uma Chamada Pública e estão entregando para restaurantes universitários e quartéis. Essa compra de produtos da agricultura familiar é conhecida como Compra Institucional e realizada pelo governo federal.
A produtora Dóris ressalta que a hidroponia foi uma das melhores escolhas para trabalhar e esclarece que teve todo o apoio da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), desde a implantação até hoje. A engenheira agrônoma da Empaer, Glaci Goldschmidt, presta assistência técnica as irmãs e fala que acompanhou todo processo. Segundo ela, foram elaborados dois projetos de crédito rural para investimento no valor de R$ 130 mil e dois de crédito para custeio no valor de R$ 40 mil. Para isso, foi usada a linha de crédito do Pronaf Mais Alimentos.
A engenheira Glaci conta que toda a estrutura foi sendo ampliada aos poucos, e em menos de três anos a estufa já atingiu seus 1,5 hectare de área protegida com o cultivo hidropônico. A extensionista social da Empaer, Relinda Oliveira Lucialdo, responsável pelas informações sobre vendas institucionais e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), auxiliou as irmãs com orientação sobre como participar dessa modalidade que auxilia a venda dos produtos.
O biólogo da Empaer, Nesvaldo Bento de Oliveira, responsável pelas orientações do cultivo em sistema protegido cita algumas vantagens na produção de verduras fora de época, o que reduz riscos de adversidades climáticas, evita a rotação de cultura, já se produz após um mês de plantio, permite alta produtividade e mão-de-obra especializada, porém, menos funcionários para a realização do serviço e retorno econômico ao produtor rural. Esse sistema garante o cultivo o ano todo, mantendo a qualidade das folhas, mesmo no período das chuvas e permite o consumo com menos resíduo de agrotóxico na planta.
A produtora Dóris comenta que com o apoio e orientação da Empaer conseguiram avançar e chegar onde estão. “Sem a ajuda da Empaer acho que não teríamos conseguido, a Empaer acreditou na gente e deu todo o apoio”, conclui.
Mato Grosso
Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

Foto-Assessoria
Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.
Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.
Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.
Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.
O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.
Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.
Mato Grosso
Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática
A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso
Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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