Mato Grosso
Livro Os Idosos são o Futuro é lançado em cerimônia na OAB/MT

Foto: Assessoria
As apresentações culturais de música e dança de três grupos da terceira idade marcaram o lançamento do livro “Os Idosos são o Futuro” feito pelo Conselho Estadual da Defesa dos Idosos, na tarde desta quarta-feira (31/10), na sede da Ordem dosAdvogados do Brasil (OAB/MT). O livro é uma compilação de 13 artigos de profissionais de várias áreas sobre saúde, educação, cultura, violência e problemas relacionados aos maiores de 60 anos.
O projeto, que está em sua segunda edição, foi organizado pela defensora pública Sandra Alves, que presidirá o Conselho no biênio 2019/2020, e está na direção da entidade como vice-presidente nesta gestão, quando o projeto nasceu. Para Sandra, os problemas dos idosos são de toda a sociedade e devem ser debatidos, pois a expectativa é que nos próximos 20 anos essa população seja em maior número que de adultos e crianças.
“O mês é deles e o dia hoje foi organizado em homenagem a eles. Fizemos questão de que fossem os protagonistas, os artistas do dia. Eles ainda têm muito o que mostrar e podem colaborar de forma importante com a sociedade, não só com suas experiências, como com o trabalho e com apresentações artísticas lindas, como as feitas aqui hoje”, disse a defensora.
Além do lançamento do livro, que teve a impressão de 500 exemplares e será vendido ao preço de custo por R$ 12, na cerimônia foi entregue o “Prêmio Cândido Rondon”, criado para homenagear uma personalidade que colabora para mudar a realidade do idoso no Estado. O premiado da terceira edição foi o padre Anselmo Mandrile, pelo trabalho de toda uma vida, em auxílio aos idosos carentes.
Mandrile informa que ao longo de 36 anos ajudou e acolheu idoso do município de Mirassol D’Oeste, onde ele vive, que não tinham família e não conseguiam mais trabalhar em fazendas da região. Ele conseguiu um terreno onde construiu 10 casas para abrigar essas pessoas, além de auxiliá-las a conseguiu a aposentadoria rural.
“Fiz coisas pequenas e muito simples para pessoas que precisavam. Eu me sinto muito pequeno por participar deste evento e agradeço a Deus e a todos que organizaram. João Paulo segundo dizia que a família cristã deve ser a família daqueles que não têm família e foi isso que fiz. Depois de nosso empurrão, elas mesmas se ajudavam. Ajudei ao menos uma centena de pessoas com essas orientações e aposentadorias. Depois eles se integram e vivem e participam da vida na comunidade”, explicou o idoso.
Mais de 300 pessoas estiveram presentes e prestigiaram o evento que festejou o prêmio e o lançamento do livro. O coral da melhor idade Mestre Albertino, apresentou três músicas populares. Na sequência, o saxofonista Heberton Michel de Jesus também tocou músicas, o grupo de Cururu e Siriri Girassol fez uma apresentação de dança e as apresentações artísticas foram encerradas com a dança do grupo sênior “Felicidade Integração do Pantanal”.
Para a idosa Dora Andrade, 69 anos, que participa há cinco anos do Coral, a atividade a mantêm alegre e ativa. “Eu perdi minha mãe e três meses depois, perdi meu filho de 43 anos, e isso foi há três anos. Por conta dessa atividade, não me entreguei. No Coral me distraio, faço algo que gosto, converso, tenho amizades, fazemos lanche, tricotamos em dois dias da semana e isso me ajuda a ficar viva e feliz”, explicou.
O coral mestre Albertino funciona duas vezes na semana, nas segundas-feiras e quartas-feiras, das 14h às 15h30, na rua Comandante Costa, 1993. O coral abrirá vagas novas em fevereiro de 2019 e os interessados podem ter mais informações pelo telefone: 3052 0062.
O segundo subdefensor público-geral, Caio Zumioti, o defensor público que atua na área criminal, Djalma Sabo Mendes e o representante da Coordenadoria de Direitos Humanos, Roberto Vaz Curvo estiveram no lançamento junto com as defensoras, Synara Gusmão e Corina Pissato.
O número de idosos no Estado, segundo dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 9,2% nos últimos três anos. Se em 2015 eles somavam 348 mil pessoas, em 2017 esse número chegou a 380 mil e as perspectivas são de continuidade no crescimento.
O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa é um órgão permanente, paritário, de caráter deliberativo, vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), que tem como objetivo a supervisão, o acompanhamento, a fiscalização e a avaliação da Política Nacional do Idoso, em Mato Grosso. A presidente exerce função diretiva para organização dos trabalhos a serem desenvolvidos pela gestão.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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