Mato Grosso
Mato-grossense vence reality show nacional com projeto de empreendedorismo periférico

Com 66,53% dos votos, a empreendedora mato-grossense, Diela Nhaque, venceu o “Expo Favela Brasil – O Desafio 2025”, reality show nacional de empreendedorismo exibido pela TV Globo, no programa “É de Casa”. Após votação virtual, o resultado foi anunciado na manhã deste sábado (20.12). A vencedora ganhou R$ 100 mil.
O troféu foi entregue pelo fundador da Central Única das Favelas do Brasil (Cufa), Celso Athayde. “O que eu sempre digo: gratidão imensa a toda galera, principalmente começando pela Cufa. O Celso está aqui. O que faço reconhece e mostra o novo Brasil, o Brasil com equidade, o Brasil que sim. Eu nunca imaginei nosso projeto ser reconhecido em uma emissora nacional desse porte. Um projeto de favela, totalmente invisível para muitos, mas que tem transformado vidas”, disse Diela, durante a premiação.
A trancista concorreu com 20 mil projetos inscritos e foi impulsionada pelo destaque garantido na Expo Favela MT, da Cufa-MT, evento viabilizado com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
O secretário-adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura, vibra com o resultado. “Para nós, da Secel, é um orgulho fazer parte dessa iniciativa. Nossa representante mostra ao país a potência e o talento da periferia mato-grossense”, destaca.
Dos 40 negócios inovadores apresentados no evento em Mato Grosso – incluindo projetos sociais, startups, culinária, beleza, arte, cultura, ciência e educação – cinco foram selecionados para representar o Estado na Expo Favela Brasil, que reuniu mais de 70 empreendedores de territórios favela de 14 estados do país, entre os dia 29 e 30 de novembro, em São Paulo (SP).
Após uma rigorosa curadoria que avaliou o impacto, a escalabilidade e a inovação dos negócios apresentados, o Diela ficou entre os Top 10 Empreendedores do Brasil, o que garantiu a ela uma vaga no reality show.
Diela é uma referência no empreendedorismo de impacto social e na valorização da cultura afro-brasileira. Nascida na Guiné-Bissau e radicada em Várzea Grande, ela é formada em Serviço Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), atuou na área social e, paralelamente, começou a trançar cabelos de amigas e conhecidas.
Em 2018, com o aumento da demanda, fundou o Diela Tranças e Cultura Afro. O negócio nasceu com o propósito de oferecer acolhimento, valorização da identidade negra e fortalecimento da autoestima de mulheres negras e periféricas.
A vivência no salão revelou a necessidade de formar ouras mulheres para que também pudessem gerar renda e independência. Desde então, Diela começou o D’Jombai, método próprio de formação de origem africana em que as mulheres se reúnem para troca de conhecimentos. O empreendimento agora vai receber o impulso dos R$ 100 mil conquistados na competição nacional.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Defensoria alerta para os primeiros sinais de violência contra a mulher
Com o aumento dos casos de violência psicológica, perseguição e tentativa de feminicídio, DPEMT destaca a importância de buscar ajuda no início para interromper ciclo

Por Alexandre Guimarães
A violência contra a mulher nem sempre começa com agressões físicas. Ameaças, perseguições, humilhações, controle da vida da vítima e o descumprimento de medidas protetivas são formas de violência que podem evoluir para situações ainda mais graves.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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