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Mato Grosso

Mato Grosso comemora 275 anos com mais de R$ 10 bilhões de investimento em todas as regiões

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Mato Grosso comemora, nesta terça-feira (9), 275 anos de fundação com mais de R$ 10 bilhões em investimentos em todas as regiões. Os investimentos realizados pelo Governo do Estado ao longo de pouco mais de quatro anos trouxeram melhorias na infraestrutura, como 2,5 mil quilômetros de asfalto novo entregues, na Educação, com a construção de escolas técnicas e militares, e reforço na saúde, com construção de seis grandes hospitais e ampliação de leitos, além de convênios firmados com os municípios.

“Tudo o que nós somos hoje se deve àquilo que o nosso povo trabalhador de Mato Grosso construiu no passado. Mas o que seremos no futuro depende das decisões e ações que faremos para construir um estado próspero, com qualidade de vida e segurança. Vou continuar trabalhando muito para que quando Mato Grosso completar 300 anos, possamos olhar para trás e ver o quanto conseguimos fazer esse estado crescer, desenvolver e gerar oportunidades aos mato-grossenses”, afirmou o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.

Região Centro-Sul

Restauração da MT-251 – Marcos Vergueiro/Secom-MT
Os investimentos realizados pelo Governo do Estado atingem todas as regiões. Começando pelo Centro-Sul, na área de infraestrutura, se destaca a duplicação de 23 quilômetros da MT-040 entre Cuiabá e Santo Antônio do Leverger; construção de uma ponte de concreto de 366 metros na MT-251; e restauração de 44 quilômetros da MT-251 entre o trevo do Manso e Chapada dos Guimarães. As obras somam mais de R$ 96 milhões.

Também se destacam os investimentos realizados na modernização e ampliação de infraestrutura do Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. Foram mais de R$ 41 milhões para compra de equipamentos hospitalares, mobiliários e disponibilização de seis ambulâncias. Durante a pandemia da covid-19, o hospital recebeu 180 leitos novos, entre enfermarias e UTIs.

Entrega de cestas em Cuiabá – Christiano Antonucci/Secom-MT
A área social também se destaca com mais de R$ 27 milhões para a distribuição de 321,8 mil cestas básicas em Cuiabá entre 2020 e 2022, por meio do Programa SER Família Solidário, idealizado pela primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes. Houve ainda o investimento de R$ 12,4 milhões para a transferência de renda para famílias com vulnerabilidade social por meio do SER Família Emergencial, também idealizado por Virginia.

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“No período da pandemia, projetamos junto ao Governo de Mato Grosso a criação dos programas SER Família Emergencial e Solidário, na época contamos com apoio de voluntários, passado o período mais crítico, foi dado continuidade e conseguimos emplacar novos projetos, a fim de ajudar quem mais precisa. É importante manter esse apoio em todo o estado. Agora o programa SER Família já é uma realidade, o SER Família Capacita com mais de 50 mil vagas de cursos de qualificação, o SER Família Habitação, dentre outras ações que conseguimos desenvolver por meio da Setasc. Este Governo está ajudando os mato-grossenses a escrever uma nova história de oportunidades”, afirmou a primeira-dama de MT.

Raio 6 da PCE – Christiano Antonucci/ Secom-MT
Por fim, para a segurança pública, foram destinados R$ 70,9 milhões para a construção de seis raios da Penitenciária Central (PCE), em Cuiabá, e mais R$ 14,3 milhões para a construção do raio de segurança máxima.

Região Sudeste

Os principais investimentos na região Sudeste estão em 45,4 quilômetros de restauração da MT-270, entre Rondonópolis e Guiratinga, no valor de R$ 23 milhões. Também se destaca a construção de um novo raio da Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, também em Rondonópolis, avaliado em R$ 13 milhões.

Escola Técnica e Militar de Primavera do Leste – Mayke Toscano/Secom-MT
A Escola Técnica Militar de Primavera do Leste também se destaca entre os investimentos realizados pelo Governo de Mato Grosso na região. A unidade contou com investimento estadual de R$ 6 milhões e funciona como Escola Militar durante o dia, enquanto à noite oferece cursos técnicos profissionalizantes, geridos pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).

Também em Primavera, o Governo do Estado ainda destinou R$ 25,4 milhões para a construção de 1,6 mil casas populares. A execução é responsabilidade da Prefeitura Municipal.

Região Sudoeste

MT-343 entre Cáceres e Porto Estrela – Marcos Vergueiro/Secom-MT
Na região Sudoeste, os principais investimentos se concentram na recuperação e implantação de asfalto novo. Foram R$ 63 milhões para 94 km de asfalto novo implementado na MT-343 em dois trechos: entre Vila Aparecida e Porto Estrela, e entre Cáceres e Porto Estrela. Outros 67 km foram restaurados na MT-358 entre Tangará da Serra e Itanorte no valor de R$ 20 milhões.

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Região Norte

Na região Norte de Mato Grosso, os principais investimentos realizados pelo Governo do Estado também são na Infraestrutura, como a restauração de 105 quilômetros da MT-235 entre Campo Novo do Parecis e o Rio Papagaio, em Sapezal; e 20,3 quilômetros de asfalto novo na MT-325 no entroncamento da MT-206 a MT-208, em Alta Floresta. Essas ações somam R$ 35,1 milhões.

MT-235 – Sinfra
A segurança pública da região também recebeu reforço com a construção do Centro de Detenção Provisória de Peixoto Azevedo, avaliado em R$ 11 milhões. O centro conta com 256 vagas.

Região Nordeste

Com mais de R$ 194 milhões em investimentos, as obras na MT-100 são o grande destaque da Região Nordeste do Estado. Em pouco mais de quatro anos, o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), entregou 171 km de asfalto novo, 84 km de asfalto recuperado e 13 pontes de concreto.

Mayke Toscano/Secom-MT
A área social também recebeu investimentos expressivos, como mais de R$ 4 milhões para transferência de renda para famílias com vulnerabilidade social em Barra do Garças, por meio do Programa SER Família Emergencial. O município também recebeu R$ 2,2 milhões em cestas básicas pelo Programa SER Família Solidário.

Para a Educação, destaca-se a Escola Técnica Militar de Água Boa, com investimento de R$ 6 milhões. A unidade entregue no início de 2023 também funciona como escola militar durante o dia e escola técnica à noite, assim como em Primavera.

Escola Técnica e Militar de Água Boa – Christiano Antonucci/Secom-MT
Convênios

Entre os convênios firmados com as prefeituras municipais, o Governo de Mato Grosso destinou R$ 1,4 bilhão nos últimos quatro anos. O valor está sendo revertido em asfalto novo para rodovias, ruas e avenidas, além da construção de escolas e implantação do programa MT Iluminado para que a iluminação pública do Estado seja 100% em LED.

Com investimento de R$ 157 milhões, o programa destina mais de 385 mil luminárias de LED para os 141 municípios de Mato Grosso. Cidades como Sorriso e Itiquira já tiveram 100% da adesão, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, as luminárias já foram instaladas.

MT-251, entre Chapada dos Guimarães e Cuiabá – Marcos Vergueiro/Secom-MT
BR-163

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Além dos R$ 10 bilhões em obras entregues e convênios, o Governo de Mato Grosso está investindo R$ 1,6 bilhão para recuperação de asfalto, duplicação de rodovia e construção de viadutos no trecho estadual da BR-163.

“O Governo de Mato Grosso faz hoje obras em todas as áreas. Assumimos desafios até então impensáveis, como assumir a BR-163. Estamos assumindo o que era de responsabilidade federal e botando o plano em ação”, destacou o governador de Mato Grosso.

Governador Mauro Mendes durante assinatura das ordens de serviço para a BR-163 – Mayke Toscano/Secom-MT
O Governo do Estado assumiu a concessão na última quinta-feira (04) e já assinou cinco ordens de serviço para recuperar trechos da BR-163, entre Cuiabá e Sinop, por meio da concessionária Nova Rota do Oeste. O investimento inicial é de R$ 202,2 milhões.

Mais de R$ 7 bilhões em obras e ações em andamento

Outros R$ 7 bilhões estão sendo aplicados em obras e ações que vão beneficiar a população com melhorias em vários setores. Deste montante, R$ 5,5 bilhões estão sendo destinados na melhoria de infraestrutura e mobilidade urbana em todo estado.
Canalização da Avenida do Barbado – Marcos Vergueiro/Secom-MT

Nesta área, o destaque fica para a construção de corredores estruturais do Bus Rapid Transit (BRT), beneficiando Várzea Grande e Cuiabá ao longo de 29,3 km.

Para a Saúde, um montante de R$ 800 milhões está destinado para a construção de seis grandes hospitais em Cuiabá, Alta Floresta, Confresa, Juína e Tangará da Serra. Somente em Cuiabá estão construídos os hospitais Júlio Muller e o maior hospital de alta-complexidade do estado, o Hospital Central, que está com 85% das obras executadas.

Hospital Central em Cuiabá – Daniel B. Meneses/Secom-MT
Por fim, o Governo do Estado investe também na construção do Parque Novo Mato Grosso. Localizado entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, na MT-251, o Espaço será multiuso com capacidade de 100 mil pessoas para receber grandes eventos e festivais, colocando Mato Grosso na rota de grandes eventos na América Latina.

Fonte: Governo MT – MT

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Entrega dos kits da Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink começam nesta quinta-feira (20/08)

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No ato da retirada do kit o participante deverá doar um quilo de alimento não-perecível (exceto sal)

O clima de expectativa já tomou conta dos 2 mil atletas inscritos na Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink e antes de encarar o percurso no domingo (23/08), os participantes terão o compromisso nesta quinta-feira (20/08), com o início da entrega dos kits de prova em um espaço exclusivo do evento no Atacadão do Porto, em Cuiabá.

A organização preparou um cronograma especial em três dias para garantir comodidade e agilidade aos participantes: nos dias 20 e 21 de agosto (quinta e sexta-feira), das 9h às 19h e 22 de agosto (sábado), das 9h às 13 horas.

O kit oficial do atleta é para lá de completo, onde inclui a camiseta oficial da prova, sacochila, número de peito com chip de cronometragem, copo exclusivo colecionável, uma unidade do Infinity Energy Drink Sem Açúcar e brindes oferecidos pelos patrocinadores do evento.

Com o número no peito e chip de cronometragem garantidos, o foco total será para o dia do desafio de 6 quilômetros no domingo. A largada pontual está marcada para às 06h30, em frente à sede da fábrica de Refrigerantes Marajá, em Várzea Grande, que também servirá como ponto de chegada. O evento é alusivo ao aniversário de 63 anos de fundação da empresa.

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A recomendação da organização é que os corredores cheguem com antecedência para o aquecimento inicial e hidratação.

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Mato Grosso

Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

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Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

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O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

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Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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