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Saúde

Mato Grosso enfrenta alta nos casos de chikungunya e lidera índice de dor crônica no Brasil

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Doença transmitida pelo Aedes aegypti deixa sequelas duradouras e afeta a mobilidade no dia a dia

Dr. Brasil Sales

O estado do Mato Grosso conta com uma das maiores taxas de incidência de chikungunya no Brasil, conforme dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde. A doença viral, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, causa febre e dor intensa durante a fase aguda, e também deixa sequelas articulares duradouras, levando muitos pacientes a desenvolverem dor crônica, um problema que afeta quase metade da população brasileira e compromete significativamente a qualidade de vida.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), apenas nos primeiros meses de 2025, foram registrados mais de 20 mil casos de chikungunya no estado, um aumento expressivo em relação ao ano anterior. 

A chikungunya recebe esse nome devido à sua origem na língua africana Makonde, que significa “aqueles que se dobram”, em referência à intensa dor articular que leva muitos pacientes a ficarem encurvados. No Brasil, estima-se que cerca de 50% das pessoas infectadas pelo vírus desenvolvem sintomas prolongados, incluindo dor crônica e inflamação persistente das articulações.

O ortopedista e especialista em medicina intervencionista da dor, Dr. Brasil Sales, que atende em Tangará da Serra (MT), reforça a importância de um acompanhamento adequado para evitar a cronificação da dor. “Não se trata de uma simples virose passageira. Em muitos casos, os pacientes continuam sentindo diversos incômodos incapacitantes por meses ou até anos. Quanto mais cedo a inflamação for tratada, menores as chances de sequelas permanentes”, explica.

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Segundo o médico, muitos pacientes procuram ajuda apenas quando a dor já se tornou persistente, o que dificulta o tratamento. “A dor crônica pós-chikungunya pode ser comparada a doenças reumatológicas, como a artrite reumatóide. Se não houver um manejo correto da inflamação, a mobilidade pode ser comprometida, levando até mesmo à incapacidade laboral”, alerta o Dr. Sales.

Tratamentos para a dor crônica

Com o aumento dos casos de chikungunya, o Mato Grosso tem se tornado um dos principais estados a buscar soluções inovadoras no tratamento do problema. Entre as abordagens mais modernas, destacam-se terapias minimamente invasivas, que proporcionam alívio sem necessidade de cirurgias ou uso excessivo de medicamentos. 

“O uso de técnicas como infiltrações articulares, ondas de choque e laser de alta potência tem demonstrado ótimos resultados no alívio da dor. Essas tecnologias reduzem a inflamação e estimulam a regeneração dos tecidos, permitindo que os pacientes retomem suas atividades sem depender de analgésicos a longo prazo”, explica Dr. Brasil Sales.

A infiltração articular, por exemplo, é um procedimento em que substâncias como corticóides ou ácido hialurônico são aplicadas diretamente na articulação afetada. Já as ondas de choque atuam na regeneração dos tecidos inflamados, sendo uma opção eficaz para dores persistentes. O laser de alta potência, por sua vez, acelera a recuperação celular e reduz significativamente os sintomas da dor crônica.

Automedicação e falta de informação agravam cenário da dor crônica

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Outro grande desafio enfrentado em Mato Grosso é a alta taxa de automedicação. Dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) apontam que 89% dos brasileiros utilizam medicamentos sem prescrição médica, o que pode mascarar sintomas e retardar diagnósticos adequados. “Muitos pacientes tomam anti-inflamatórios indiscriminadamente, sem saber que o uso prolongado pode causar efeitos colaterais graves, como problemas renais e gástricos. É fundamental buscar um especialista para um tratamento correto, evitando que a dor se torne um problema ainda maior”, alerta o Dr. Sales.

Enquanto avanços no tratamento são essenciais, a melhor forma de evitar a dor crônica associada à chikungunya é impedir a proliferação do Aedes aegypti. Medidas como eliminação de criadouros, uso de repelentes e proteção contra picadas são fundamentais para reduzir a incidência da doença.

“As consequências da chikungunya podem ser devastadoras. Prevenir a infecção é a maneira mais eficaz de evitar anos de sofrimento com dor crônica”, finaliza Dr. Brasil Sales.

Sobre o Dr. Brasil Sales

Dr. Brasil Sales é ortopedista, acupunturista e especialista em medicina intervencionista da dor, com formação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Realizou residência em Ortopedia e Traumatologia no Núcleo Hospitalar Universitário (UFMS) e especialização em Cirurgia de Joelho na Clínica Ortopédica Cidade Jardim, em São Paulo. É membro de diversas sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

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Atua em várias cidades do Mato Grosso, oferecendo tratamentos como viscosuplementação, infiltração de pontos-gatilho, mesoterapia, acupuntura, eletroestimulação e terapia por ondas de choque. Seu compromisso é proporcionar cuidados de saúde especializados e acessíveis, visando o alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida de seus pacientes.

Para mais informações, visite o Instagram em: https://www.instagram.com/dr.brasilsales/

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Saúde

Gripes, resfriados, alergias e acúmulo de água estão entre as causas da otite

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A Dra. Bárbara Salgueiro alerta que é importante nunca adotar soluções caseiras e lembra que em alguns casos, a dor de ouvido pode ser um reflexo de problemas na garganta, dentes ou até coluna
Gripes, resfriados e alergias são os principais gatilhos para a otite média aguda, um tipo de dor ouvido caracterizada por inflamação ou infecção súbita na região atrás do tímpano. Ela acontece porque ouvido, nariz e garganta são interligados por um canal chamado tuba auditiva. Quando se acumulam, as secreções bloqueiam esse canal causando forte pressão e dor.

“Essa é uma complicação bastante comum em bebês e crianças, principalmente porque nos primeiros anos de vida a tuba auditiva é mais curta e horizontal, o que facilita o acúmulo de secreções. Além disso, o fato de terem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento torna as crianças mais suscetíveis que os adultos a infecções de ouvido”, explica a Dra. Bárbara Salgueiro, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.

Outro tipo de dor de ouvido é a otite externa, também conhecida como “ouvido de nadador”, que se caracteriza pela infecção da pele do canal auditivo externo. “Ela costuma ser causada pela retenção da água após nadar ou tomar banho de forma prolongada, sendo que essa umidade cria um ambiente propício para fungos e infecções. Outro fator de risco é a manipulação do ouvido com os dedos ou objetos, como hastes flexíveis”, complementa a médica.

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Nas crianças pequenas as otites podem ser mais difíceis de serem percebidas, por isso é fundamental os pais ficarem atentos aos sinais. Alguns deles são: febre acompanhada de congestão nasal e coriza, mãos constantemente na orelha, choro, irritação, dificuldade para dormir e recusa de alimentos. Nos casos mais avançados, pode sair secreção do ouvido. Em adultos, apesar de a dor ser um sintoma importante, é preciso investigar. Em algumas situações, a causa da inflamação pode estar em outro local.

“Este fenômeno é chamado de otalgia referida e pode indicar problemas na garganta, dentes, articulação temporomandibular (que liga a mandíbula ao crânio), musculatura cervical e até alterações na coluna. Isso ocorre porque o ouvido compartilha vias nervosas com estruturas próximas. A pessoa sente uma dor secundária, que tem sua origem em outra parte do corpo. Nesses casos é preciso tratar a causa. Por exemplo, indicar antibióticos, se a pessoa estiver com uma infecção de garganta”, esclarece a otorrinolaringologista.

A otite só é corretamente diagnosticada por meio da otoscopia, um exame minucioso dos ouvidos realizado pelo otorrinolaringologista, médico capacitado para orientar sobre o melhor tratamento e as medidas de prevenção.

De acordo com a Dra. Bárbara Salgueiro, “em caso de dor de ouvido, é essencial nunca adotar soluções caseiras, como introduzir azeite, alho, leite materno ou vinagre no canal auditivo. Além do risco de agravar a infecção, podem ocorrer reações alérgicas, queimaduras e até perda auditiva permanente, especialmente se houver perfuração do tímpano”.

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A recomendação da especialista é utilizar somente analgésicos comuns, desde que não haja histórico de alergia aos componentes da medicação, e realizar compressas mornas na região do ouvido. Se o quadro persistir, é fundamental consultar um especialista e seguir corretamente o tratamento.

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Manter o peso perdido “pós-caneta emagrecedora”

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Lívia Catalá

Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” revolucionaram o tratamento da obesidade. Pela primeira vez, a medicina passou a alcançar perdas de peso expressivas, aproximando-se, em alguns pacientes, dos resultados tradicionalmente observados com a cirurgia bariátrica. No entanto, à medida que os resultados se consolidam, uma nova pergunta ganha protagonismo nos consultórios: o que acontece depois que o peso é perdido?

A resposta vem dos próprios estudos científicos. Hoje sabemos que a obesidade é uma doença crônica, complexa e marcada por mecanismos biológicos que favorecem o reganho de peso. O organismo interpreta a perda de peso como uma ameaça e ativa respostas hormonais e metabólicas que aumentam a fome, reduzem o gasto energético e estimulam a recuperação dos quilos perdidos.

Essa realidade ficou evidente em grandes estudos clínicos. No SURMOUNT-4, pacientes que interromperam a tirzepatida após uma fase inicial de emagrecimento apresentaram recuperação significativa do peso perdido, enquanto aqueles que mantiveram o tratamento continuaram emagrecendo e sustentaram melhor os resultados alcançados. Da mesma forma, o seguimento do estudo STEP 1 demonstrou que a suspensão da semaglutida foi acompanhada pela recuperação de grande parte do peso perdido e de parcela dos benefícios metabólicos conquistados durante o tratamento.

Mas a ciência já começa a olhar além da fase de emagrecimento. Estudos mais recentes, como o ATTAIN-MAINTAIN, começam a explorar estratégias para a manutenção do peso perdido, incluindo a possibilidade de transição para terapias orais em pacientes selecionados. A proposta é tornar o tratamento de longo prazo mais simples e acessível, sem perder a eficácia conquistada durante a fase inicial. Paralelamente, outras pesquisas investigam, ainda em fase de desenvolvimento, esquemas com doses menores após o emagrecimento, buscando identificar quais pacientes podem manter bons resultados com estratégias mais individualizadas.

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Essa mudança de perspectiva representa uma evolução importante no tratamento da obesidade. A pergunta já não é apenas quanto peso um paciente consegue perder, mas como preservar essa perda ao longo dos anos. O foco deixa de ser exclusivamente o emagrecimento e passa a incluir a manutenção dos benefícios metabólicos, a prevenção do efeito sanfona e a proteção da saúde cardiovascular.

Nesse contexto, o papel do endocrinologista torna-se ainda mais relevante. Mais do que prescrever medicamentos, o especialista acompanha a evolução clínica, interpreta as respostas individuais ao tratamento e ajusta estratégias para que os resultados sejam sustentáveis no longo prazo.

A medicina da obesidade está entrando em uma nova era. Se antes o grande desafio era conseguir perder peso, hoje a fronteira mais importante é aprender a mantê-lo. Tudo indica que o futuro será marcado por tratamentos cada vez mais personalizados, com o objetivo não apenas de reduzir números na balança, mas de preservar saúde, qualidade de vida e bem-estar ao longo do tempo.

Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.

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