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Mato Grosso

Mato Grosso Saúde caminha rumo à sua autossuficiência financeira

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O Plano de Saúde do servidor do Estado continua o processo de expansão dos atendimentos médicos aos seus beneficiários, que atualmente conta com mais de 20 mil vidas entre servidores públicos estaduais e ex-servidores, seus dependentes e agregados, que recebem prestação de serviços de saúde como consultas, exames, pronto atendimento e cirurgias de média e alta complexidade.

  • Cirurgias

Em levantamento feito neste ano de 2018, até a presente data foram autorizadas mais de 546 cirurgias em diversas especialidades: gástrica, cardíaca, ortopédica, entre outras. “Foi um excelente avanço nessa questão, pois, para se ter uma ideia, em abril de 2018 existiam mais de 200 pedidos de cirurgias e, atualmente, apenas 14 cirurgias eletivas estão à espera das aquisições dos materiais especiais para a então autorização”, afirma Basílio Bezerra, presidente do Mato Grosso Saúde.

Outro ponto forte que a atual gestão implantou foi na agilidade dos processos interno dos beneficiários do Plano. Foi estabelecido o prazo de 20 dias, após a solicitação médica, para as autorizações de cirurgias eletivas, diferente dos outros planos onde esse prazo é em torno de 30 dias. Outro grande progresso foi na ampliação da rede credenciada, bem como aumento do rol de procedimentos cobertos pelo Plano, tais como, modernas técnicas de radioterapias 3D, IMRT e rádio cirurgia aos pacientes com câncer, além de mamografia digital, diversos exames laboratoriais, biópsias, polissonografia, entre outros.

  • Rede Credenciada

O Plano também conta com a cobertura de diversas especialidades, incluindo atendimento em traumatologia, neurologia, geriatria, pneumologia, fisiatria, endocrinologia, psiquiatria, cardiologia, médico da família, ginecologia, obstetrícia e nefrologia.

Entre os novos credenciados estão a Clínica Anny de Oftalmologia, Vida Diagnóstico e Saúde Otorrino, Vida Medicina Nuclear, Clínica Orthos com especialidade em cirurgias ortopédicas oncológicas, Instituto do Sono que realiza exame de polissonografia, que é um teste multiparamétrico utilizado no estudo do sono e de suas variáveis fisiológicas.

Na área de imagem e exames laboratoriais, estão credenciados os laboratórios Cedic e Cedilab, Carlos Chagas, Imagens, Vida Medicina Nuclear, INAC, entre outros, que oferecem exames de ressonância, mamografia digital, ultrassom da mama, raio-X, tomografia computadorizada, entre outros.

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Já nos atendimentos médicos está sendo credenciados: a FEB Saúde, que contará com diversas especialidades médicas, a Clínica Mega, localizada na região do CPA, o Instituto da Visão, anexo ao Hospital dos Olhos e a clínica Gastroplast.

Em comparativo, o Mato Grosso Saúde teve um bom desempenho quanto aos credenciados para a prestação de saúde aos seus beneficiários. “Em abril tínhamos em torno de 200 credenciados atendendo pela rede do Plano, hoje esse número está próximo aos 400 credenciados”, informa Basílio.

  • Gestão e Finanças

Outra importante novidade na gestão do Plano está na implantação da fatura digital, onde o beneficiário recebe em seu e-mail a fatura detalhada das utilizações realizadas e o boleto para pagamento, facilitando o acesso das quitações das contribuições, evitando as suspensões por questões administrativas.

Para Basílio Bezerra, é importante que o beneficiário mantenha seus dados atualizados para que esse tipo de informação chegue até o seu destino final. “Precisamos ter a nossa base cadastral sempre muito bem alimentada e atualizada. É importante o beneficiário auxiliar com essas informações, tanto dos titulares, quanto dos dependentes e agregados, pois assim conseguimos informar de maneira mais efetiva as nossas ações, melhorias, entre outros serviços”, frisa Basílio da importância da ação.

Essa nova modalidade de informação dos débitos surgiu após uma análise detalhada da carteira de cobrança do Mato Grosso Saúde, que conta com 70% proveniente dos descontos em folha de pagamento dos beneficiários titulares. Os outros 30% são oriundos dos dependentes, agregados, inativos optantes (ex-servidores) e as coparticipações de utilização, inclusive dos titulares que não possuem margem consignável em folha para este desconto, gerando a cobrança por meio dos boletos bancários.

No último estudo financeiro apresentado pela gerência de cobrança do Plano, foi constatado que, aproximadamente 38% dos que recebem por meio dos boletos bancários estão inadimplentes com o Plano. Com a implantação da fatura digital o Plano estima ter uma queda de 17% desse número.

O Mato Grosso Saúde tem impulsionado o setor de cobranças. “Estamos com uma postura bem atuante nas cobranças das mensalidades e copartipações devidas pelos nossos beneficiários, prática pouco aplicada até então. Já tivemos um bom retorno desta ação, e o fato colabora com a eficiência do Instituto”, frisa o gestor.

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Outro ponto que a gestão vem trabalhando, é a diminuição dos custos junto aos prestadores de serviço credenciados ao Mato Grosso Saúde, em alguns casos onde já se obteve 30% de diminuição dos custos com fornecedores. “Estamos trabalhando firme nas negociações dos valores devidos junto aos fornecedores do Plano. Isso já significou uma economia de aproximadamente R$ 2,5 milhões até o momento. Com esse valor podemos oportunizar o pagamento dos débitos mensais com a rede credenciada, bem como as dívidas do Plano”, ressalta o presidente.

Basílio segue otimista quanto à autonomia do Instituto e prevê autossuficiencia financeira em pouco tempo. “Se continuarmos nesse rumo, em alguns meses o Plano terá a sua independência financeira total e, consequentemente, mais melhorias aos nossos beneficiários. Hoje, todo débito mensal com rede credenciada é custeado exclusivamente com recursos das contribuições recebidas dos usuários”, afirma o presidente.

Quanto às dividas do Plano, o presidente afirma que o Instituto tem quitado grande parte do passivo encontrado no início da sua gestão. “Para se ter uma ideia, as dívidas relativas até abril de 2018, eram em torno de R$ 40 mi entre a rede credenciada ativa e inativa. Hoje, com todo o processo de fortalecimento do Mato Grosso Saúde, e todo trabalho de gestão que estamos executando, esse valor baixou para R$ 15 mi. Já com a rede credenciada ativa, no mesmo período, o valor que era de R$ 23 mi, hoje está em torno de R$ 500 mil”, pontua Basílio.

O gestor lembra que essa melhoria tem tido apoio incondicional da Secretaria de Fazenda (SEFAZ), sobretudo no que tange aos repasses, de forma sistemática e tempestiva, das contribuições dos beneficiários descontadas em folha.

  • Serviços

Os beneficiários do Instituto podem outras informações acessando o site: www.matogrossosaude.mt.gov.br. Lá ainda podem encontrar a listagem completa dos credenciados, retirar a 2ª via de boletos, fazer adesão ao Plano de forma online e outros serviços.

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Confira, a seguir, a listagem dos principais credenciados do Plano:

 

Hospitais e clínicas credenciadas pelo Mato Grosso Saúde

– Hospital dos Olhos – (Pronto Atendimento em oftalmologia 24h)

– Hospital Sotrauma – (Pronto Atendimento especializado em traumatologia e ortopedia).  O horário de funcionamento é até às 22h.

– Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá – (Pronto Atendimento 24h, para pacientes acima de 14 anos)

– Hospital Santa Rita, em Várzea Grande – (Pronto Atendimento em clínica geral, ortopedia e obstetrícia 24h)

– Hospital Santa Helena – (pronto atendimento em obstetrícia, UTI neonatal e internação para partos eletivos)

– Hospital Geral – (Cirurgias eletivas cardíacas, oncológicas e ortopédicas)

– Hospital Amecor- (Pronto atendimento cardíaco e cirurgias eletivas cardíacas)

– Centro Vida – (exames de imagem e consultórios com diversas especialidades médicas)

– Orthus Ortopedia – (cirurgias ortopédicas e consultas nas áreas de fisiatria, psicologia, fisioterapia, cirurgias reparadoras e ortopedia nas especialidades de mão, joelho, ombro, coluna, quadril, tornozelo, geral e oncológico). A clínica conta com unidades em Cuiabá e Várzea Grande.

– Oncomed, Oncocenter, Santa Rosa Onco (NUTEC) e clínica de tratamento e Pesquisa em Hematologia (anexo ao Hospital do Câncer) – (tratamento e cirurgias oncológicas)

– Clínica de Tratamento Renal (CTR)

– Cardioclin (atendimento cardiológico)

– Centro Clínica (Otorrino)

– Psicolclin (Tratamento psicológico)

 

Laboratórios credenciados pelo Mato Grosso Saúde

– Laboratório Carlos Chagas

– Cedic Medicina Diagnóstica

– Cedilab Medicina Laboratorial

– Instituto de Análises Clínicas (INAC)

– Bioseg Laboratório de Análises Clínicas

– Medclin Imagem e Laboratório

– Centro de Diagnóstico por Imagem (CEDIMAGEM)

– Instituto de Medicina Nuclear (IMN)

– Vida Diagnóstico e Saúde (Várzea Grande)

 

Rede Credenciada pelo Mato Grosso Saúde no interior do Estado

– Hospital e Maternidade Santa Rita (Alta Floresta)

– Laboratório de Imagem D.Azevedo (Alta Floresta)

– Prisma Imagens (Sorriso)

– Hospital Clínica da Criança (Tangará da Serra)

– Diagnóstica Clínica Médica (Alta Floresta)

– Laboratório Clínico São Matheus (Cáceres)

– Clínica de Olhos Mirassol (Mirassol D’Oeste)

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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