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Ministra diz que Bolsonaro deve ir a jantar com embaixadores de países islâmicos, nesta quarta-feira
Em Londrina (PR), onde participou do Fórum do Agronegócio 2019 na Expolondrina, a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) informou que o presidente Jair Bolsonaro deverá comparecer a jantar organizado com representantes do mundo árabe e islâmico na quarta-feira (10). “Estive conversando com o presidente Bolsonaro, contando a ele, na quinta-feira passada, e ele me disse ‘vou-lá’. Tomara que vá. Será muito bom se ele puder ir”, adiantou a ministra sobre o encontro que deverá acontecer na CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) com a presença de embaixadores desses países.
“O mercado islâmico, os muçulmanos e os árabes, são grandes compradores de milho, soja, proteína animal. É um mercado importantíssimo para esse segmento. Houve um mal-estar, que tenho tentado contornar, recebendo todos os embaixadores no ministério, conversando, explicando”, disse a ministra, ao falar sobre desafios de sua gestão no Mapa.
“E, agora na quarta-feira, haverá um jantar que ofereceremos, o Ministério da Agricultura, a CNA. Eu pedi a CNA que organizasse esse jantar, para que a gente receba 51 embaixadores do mundo árabe. São 51 confirmados. Vamos dizer o seguinte: continuamos aqui, somos grandes fornecedores, queremos continuar essa parceria, essa cooperação comercial. O Brasil continua sendo o melhor parceiro que vocês podem ter. Então, espero que todos esses que confirmaram estejam lá”, disse a ministra.
Ao ser questionada sobre a aproximação do presidente da República com Israel, no fim do evento, Tereza Cristina, comentou: “O presidente Bolsonaro, desde sua campanha, sempre deixou claro essa sua aproximação política, ideológica com Israel. Uma coisa é essa identificação, outra coisa é o comércio. Israel é um país pequeno, que tem uma balança comercial com o Brasil muito pequena. Nós temos muito para trazer de Israel de tecnologia, intercâmbios estudantis. Mas na parte de venda, nós temos os países árabes que são importantíssimos e são amigos do Brasil há muitos anos”, explicou.
A ministra falou também das relações com a China, que é o principal parceiro comercial do agro brasileiro, um dos destinos de sua viagem no próximo mês, além do Japão e o Vietnã. Comentou ainda sobre o interesse na Indonésia, para onde também deverá ir em missão comercial, e sobre as relações com a União Europeia e Estados Unidos. “A Europa está com crescimento pífio, os Estados Unidos são autossuficientes e nossos competidores. A África compra pouco. Mas podemos olhar a Ásia além da China. Temos ainda muito a prospectar”.
Acrescentou que a China é um grande parceiro do Brasil e que vai continuar sendo. “Temos que dizer para China e é, por isso, que eu estou indo para lá, no mês que vem, para dizer: somos parceiros confiáveis, entregamos produtos de qualidade, com bons preços e o volume que vocês precisam. E não existe país amigo ou país inimigo, amigos, amigos; negócios à parte. E o Brasil precisa continuar sendo amigo de todos aqueles que querem comprar os nossos produtos. É isso que no Ministério da Agricultura estamos fazendo”.
Sobre a Indonésia, destacou ser um grande país com quase 300 milhões de pessoas. “Nós temos muito a trabalhar. Também estou indo lá, depois da China. Vou ao Japão e ao Vietnã, que está pronto para comprar vários produtos do nosso país. E, depois, à Indonésia, porque eles também querem uma conversa olho no olho com o Brasil”.
Plano Safra
Em relação ao Plano Safra, Tereza Cristina disse haver muita expectativa, mas que considera ideal acabar com a insegurança criada anualmente. O ideal, afirmou, é que haja haja uma política para o setor com previsibilidade de cinco anos. “O Plano Safra, na minha opinião, tem que acabar. Temos que ter uma política para a agricultura e não ficar a cada ano ansiosos para saber quanto haverá de dinheiro. É preciso haver crédito compatível com a nossa atividade”.
“Temos que ter previsibilidade para que todos possam se planejar, investir no solo, em sementes melhores. Enfim, para que a agricultura, que envolve muita tecnologia, seja programada e alcance cada vez maior produtividade”, observou.
O momento, destacou, é de discussão do Plano Safra. “Quero dizer que o plano do ano passado foi pequeno e, tão pequeno, que o dinheiro acabou. Lá por novembro, não tínhamos mais o dinheiro do 7,25% de juros”. E lembrou que os recursos adicionais obtidos, de R$ 6,5 bilhões, foram emprestados a taxa s de 9% a 11% ao ano para pequenos e médios proprietários. “ É um juro que não cabe nas nossas contas do produtor rural”.
“O grande debate, hoje, é saber quanto de dinheiro teremos na subvenção do crédito e estamos aí brigando por um seguro maior. Ano passado, foram colocados R$ 440 milhões, o que também é muito pouco em face do tamanho da nossa agricultura. E tivemos problemas com intempéries, aqui no Paraná, no Mato Grosso do Sul, em uma parte de Goiás. Foram perdas significativas. Se tivéssemos um seguro adequado, não teríamos alguns produtores nessas regiões com problemas muito sérios”.
A ministra disse ainda estar pleiteando no Ministério da Economia um valor maior para esse seguro, R$ 1 bilhão, “que é pouco ainda”. “Existe uma sensibilidade para aceitar alguma coisa próxima disso ou esse valor, para que se possa cobrir uma base maior de produtores rurais. E, assim, sucessivamente ir aumentando para que todos tenham cobertura e com o valor do prêmio menor, porque hoje ele ainda é muito caro para a nossa atividade”. Ela acrescentou que está colocando a Conab para fazer estatística que deve ser fornecida às as seguradoras – o que também poderá contribuir para reduzir o preço do seguro.
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Agro News
Colheita do algodão começa em Mato Grosso com expectativa de alta produtividade
A expectativa varia entre 280 e 330 arrobas por hectare, patamar considerado bastante positivo pelo setor

Economia de Mato Grosso no Século
Os produtores de algodão de Mato Grosso começam a movimentar as máquinas no campo com boas expectativas para a safra. Segundo boletim da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), entre 28 de junho e 3 de julho a colheita avançou de forma gradual, alcançando cerca de 3% da área plantada. Em várias regiões, a expectativa de produtividade varia entre 280 e 330 arrobas por hectare, patamar considerado bastante positivo pelo setor.
O início dos trabalhos exigiu paciência devido às chuvas recentes. De acordo com o relatório, a umidade provocou danos pontuais em algumas propriedades, derrubando parte das maçãs de algodão e causando o apodrecimento de algumas cápsulas da planta. Por outro lado, as precipitações contribuíram para aumentar o peso do algodão que completou seu desenvolvimento mais tardiamente, ajudando a equilibrar os resultados.
A tendência é de aceleração do ritmo da colheita, impulsionada pela volta do tempo firme e pelas usinas já preparadas para processar a fibra. Paralelamente, o combate ao bicudo-do-algodoeiro, identificado em áreas próximas a matas nativas, continua. O monitoramento e o controle da mosca-branca e de lagartas também seguem intensificados.
Mesmo com os contratempos provocados pelo clima recente e a necessidade de um controle rigoroso de pragas na reta final da safra, a avaliação do setor é positiva. Com a previsão de condições climáticas favoráveis, o cenário em Mato Grosso permanece promissor para uma boa colheita, à medida que os trabalhos avançam em todo o estado.
Agro News
Plano Safra traz avanços em políticas para o crédito rural, mas ainda apresenta desafios estruturais, avalia Coalizão Brasil
Movimento multissetorial reforça necessidade de priorizar instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, e a transição para sistemas resilientes à mudança do clima

Anunciado na última terça-feira (30) pelo governo federal, o Plano Safra 2026/2027, com recursos de R$ 610,3 bilhões, trouxe avanços importantes, como em mecanismos que aproximam a política de crédito rural da gestão de riscos, da valorização das boas práticas agropecuárias e da proteção dos recursos naturais. O plano incorporou contribuições elaboradas pela consultoria Agroicone e enviadas em março pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, como a manutenção das condições mais favoráveis de financiamento para linhas voltadas à sustentabilidade.
A nova edição do Plano Safra preservou as menores taxas de juros para o RenovAgro Ambiental e para a Recuperação e Conversão de Pastagens, em sintonia com a recomendação apresentada pela Coalizão de conferir tratamento prioritário aos investimentos alinhados à sustentabilidade. Também espera-se a implementação da restrição ao financiamento de projetos que envolvam supressão ilegal de vegetação nativa, reforçando a integração entre política agrícola e conservação ambiental a partir de 2027.
“O Plano Safra avança ao reconhecer que sustentabilidade e gestão de riscos devem fazer parte da política agrícola”, avalia Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone. “Medidas que valorizam boas práticas, priorizam investimentos alinhados à jornada de sustentabilidade e fortalecem instrumentos de mitigação de riscos caminham na direção de uma agropecuária mais resiliente e preparada para enfrentar os desafios climáticos.”
Ao mesmo tempo, Harfuch alerta que o Plano Safra deve priorizar de forma mais estratégica a transição para sistemas produtivos resilientes às mudanças do clima — especialmente diante da expectativa de uma safra sob o impacto crítico de um Super El Niño.
“Embora o novo plano disponibilize volumes significativos para a agricultura empresarial e familiar, a falta de priorização de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, e as dificuldades de acesso ao crédito de longo prazo devido ao endividamento do produtor geram um cenário de alerta. É importante assegurar que novos mecanismos de financiamento incluam todos os portes de produtores. A adaptação climática deve ser uma realidade inclusiva diante dos desafios ambientais iminentes.”
Na agricultura familiar, o Plano também avançou em propostas voltadas à transição sustentável. Entre elas estão a redução da taxa de juros das linhas sustentáveis do Pronaf (Agroecologia, Semiárido, Floresta e Bioeconomia), a ampliação do limite de financiamento para projetos de sistemas agroflorestais e silvicultura e o reforço dos recursos destinados à assistência técnica.
Até o momento, ainda não foram divulgadas pelo governo federal propostas relacionadas ao aprimoramento do Sistema de Informações sobre Crédito Rural (Sicor), à aplicação da Taxonomia Sustentável Brasileira no crédito rural, ao fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e ao direcionamento mais estratégico de recursos para recuperação de pastagens e implementação do Código Florestal. As contribuições da Coalizão enviadas ao Plano Safra estão disponíveis no site da Coalizão.
Sobre a Coalizão
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento composto por mais de 400 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia. A rede atua por meio de debates, análises de políticas públicas, articulação entre diferentes setores e promoção de iniciativas que contribuam para a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Agro News
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