Mato Grosso
MTI intensifica adequação à Lei de Proteção de Dados com palestra
Analistas da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) participaram, na noite de quinta-feira (28.03), de uma palestra sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (lei nº 13.709), que estabelece normas rigorosas para a proteção dos dados pessoais, tanto online, quanto offline, nos setores privado e público.
O evento foi realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio) e pelo Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT) e contou com a parceria da MTI.
Durante a palestra, o analista de segurança da informação e especialista em defesa cibernética, Jorge Lima, explicou sobre a importância da nova lei e de as empresas públicas e privadas já se adequarem, uma vez que se trata de matéria complexa e que seu descumprimento pode culminar em punições severas.
Apesar de sancionada, a lei entrará em vigor a partir de 2020 e busca assegurar mais transparência na coleta, processamento e compartilhamento dos dados a fim de possibilitar ao cidadão maior controle sobre o uso das suas informações pessoais.
“Queremos chamar a atenção para a importância dessa nova lei que veio justamente para tratar como será abordado o tratamento de dados pessoais, como deve ser realizada o compartilhamento, processamento dessas informações, bem como identificar os pontos críticos dessas informações”, disse.
Segundo Jorge, a adequação à lei nas empresas deve ser feita em etapas, começando pelos servidores. A primeira fase consiste na capacitação dos colaboradores, na sequência é necessário a criação de um comitê de segurança, que será responsável por realizar o mapeamento das informações dos dados de funcionários e clientes.
Ainda segundo Jorge, antecipar as discussões para adequação da lei nas empresas pode assegurar às instituições a segurança de conseguir que seus setores de Tecnologia da Informação realizem todo esse mapeamento de processos, que pode demorar até um ano de acordo com o porte da empresa. No Brasil, menos de 1% das empresas estão preparadas para a Lei Geral de Proteção de Dados.
“As empresas não estão livres de sanções. A lei vem com impacto forte no setor público e no setor privado. Já temos casos no Brasil de processos que acabaram acarretando em multas severas. Apesar de ela não tem entrado vigor, os órgãos de proteção ao consumidor já estão atuando com base na lei e as empresas precisam se adequar”, afirmou.
Para o vice-presidente da MTI, Cleberson Gomes, a lei representa um passo necessário e importante, uma vez que não apenas define o tratamento dos dados pessoais como vai assegurar transparência ao cidadão.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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