Mato Grosso
OAB-MT fixa percentual mínimo de gênero na composição de seus eventos
A representatividade de mulheres e homens está garantida nos eventos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Órgão máximo da entidade, o conselho pleno aprovou, nesta sexta-feira (14), a Resolução 006/2020 que fixa no mínimo de 30% a composição de cada gênero nos eventos promovidos pela Ordem.
A partir de agora, eventos que tenham mais de um palestrante, deverão contar, em sua programação, com palestrantes, debatedores, expositores homens e mulheres, sendo que o mínimo a ser observado na composição é a participação de, pelo menos, 30% de um dos gêneros.
“Isso só vem reafirmar que a OAB-MT defende, busca e buscará sempre liberdade, igualdade e democracia, que são a base da nossa instituição”, ressaltou a vice-presidente da Ordem, Gisela Cardoso.
Em Mato Grosso, as mulheres advogadas representam mais de 48% da advocacia ativa. Na composição do conselho seccional e nas presidências das comissões, as advogadas respondem por mais de 30%.
“Oportunidade não é privilégio, não é preferência”, destacou Gisela Cardoso, que lembrou que a participação das mulheres, que historicamente foram minoria na composição de espaços, vem crescendo gradualmente não apenas em eventos, mas em todas as estruturas.
Para a presidente da Comissão de Direito da Mulher da OAB-MT, Clarissa Lopes Dias, trata-se de mais uma política afirmativa da Ordem que assegura não apenas a representatividade feminina, mas também a participação de homens em eventos maciçamente compostos por mulheres.
“Cresci ouvindo que as mulheres não precisam de ações como essas porque têm competência para ocuparem espaços, mas a OAB tem uma representatividade social muito grande e precisamos dar esse exemplo para a sociedade”, comentou a conselheira estadual Narana Souza Alves.
Presidente da OAB-MT, Leonardo Campos lembra que a seccional foi pioneira ao implantar o auxílio maternidade às advogadas e, agora, dá mais um importante passo para garantia da igualdade em todos os seus eventos, inclusive no Março Mulher.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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Mato Grosso
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