Mato Grosso
Ouvidorias Setorial e Especializadas da Sesp atendem 3,2 mil pedidos em 2018
De janeiro a dezembro de 2018, a Ouvidoria Setorial da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e as Ouvidorias Especializadas realizaram 3.250 atendimentos, entre sugestões, solicitações, reclamações, pedidos de informações, elogios e denúncias. A Ouvidoria Setorial compreende a estrutura administrativa da Secretaria e as especializadas a Polícia Militar (PM-MT), Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Pela Sesp, foram 161 atendimentos; 180 do CBM; 260 da Politec; 145 em relação à PJC; 231 da PM; e 2.273 do Detran. A maioria do total dos pedidos compreende solicitações (2.067), seguidas de reclamações (895), denúncias (139), pedidos de informações (70), elogios (53) e sugestões (26).
Todos os atendimentos estão compilados no sistema Fale Cidadão, mantido pela Controladoria Geral do Estado (CGE-MT), órgão que tem com a competência por coordenar junto aos órgãos estaduais o fornecimento de informações não disponibilizadas no Portal da Transparência do Estado e nos sites das instituições públicas.
Segundo a ouvidora setorial da Sesp-MT, Márcia Cristina Ourives da Silva, o setor também concluiu que os níveis estratégico e sistêmico são responsáveis por 34% e 47%, respectivamente, das naturezas dos atendimentos. Já 19% dos pedidos estão relacionados ao nível operacional.
“Isso quer dizer que nossa maior demanda, incluindo todas as frentes de atendimento, refere-se aos ditos níveis de decisão superior, de gestão, e que as atividades operacionais são as que menos geram pedidos”, explica.
De acordo com levantamento feito pela própria CGE, a Sesp-MT está entre as que mais responderam pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). De janeiro de 2012, quando a legislação entrou em vigor, a dezembro de 2018, foram registrados 1.554 pedidos e atendimentos relativos à Lei Federal n. 12.527/2011 no âmbito do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso. A maior quantidade foi respondida pela CGE e pelas pastas de Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos, Gestão, Fazenda, Meio Ambiente, Educação e Saúde.
Serviço ao cidadão
Os pedidos de informação podem ser solicitados via Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), disponível no Portal do Governo do Estado e no Portal da Transparência. Também podem ser formalizados pelos telefones: 162 ou 0800-647-1520 e, ainda, presencialmente nas Ouvidorias Setoriais das secretarias e entidades estaduais.
A Ouvidoria Setorial é vinculada administrativamente à Sesp e, operacionalmente, à Controladoria Geral do Estado. A missão institucional é fomentar o controle social e a transparência das informações públicas, com o objetivo de normatizar a rede de Ouvidorias do Estado e promover a adequação à Lei n. 13.460, de junho de 2017, que instituiu o Sistema de Ouvidorias, um Grupo de Trabalho foi estabelecido em janeiro de 2018 pela CGE. A Ouvidoria Setorial da Sesp integra o grupo, que será responsável pela elaboração de uma minuta de decreto sobre a regulamentação da Lei.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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