Mato Grosso
Participação familiar é maior desafio enfrentado por gestores escolares
O Dia do Diretor Escolar, comemorado nesta terça-feira (12.11), é uma oportunidade para refletir sobre o papel deste profissional que é responsável pela administração e gestão da unidade escolar.
Eleitos pela comunidade escolar, os diretores das escolas estaduais de Mato Grosso têm, entre seus maiores desafios, trazer os pais para para dentro da escola. Para a maior parte dos gestores, esta é uma tarefa difícil, mas compensadora e, principalmente, necessária.
Na concepção da maioria dos diretores, a participação dos pais no dia a dia da escola é fundamental para um ensino de qualidade e ter a escola como referência.
A diretora da Escola Estadual Fernando Leite de Campos, Leyde Laura de Sousa, em Várzea Grande, elencou como prioridade a participação dos pais nas atividades escolares. “Desde a elaboração de meu plano de trabalho, uma das prioridades é buscar o envolvimento da família na escola”, assegura.
Ela considera os resultados excelentes, pois os pais participam das reuniões e vão à escola não apenas para buscar os boletins escolares, eles se envolvem com todas as atividades.
Leyde Laura frisa que na maioria das vezes em que liga para os pais para falar sobre os alunos eles são atenciosos e, ao final, sempre agradecem pela preocupação que a escola tem com os seus filhos.
O maior desafio é justamente com os pais ausentes, cujos filhos encontram-se com desafazem na aprendizagem e na disciplina. “Infelizmente são pais em que ligamos duas, três vezes e não conseguimos contato. Então, acionamos o Conselho Tutelar para tomar as providências. Temos uma porcentagem de pais que não participam. Esse é o nosso alvo, porque a família na escola faz a diferença”, assinala.
A escola, que está localizada na região central de Várzea Grande, atende 1.240 alunos, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio.
Para Conceição Aparecida Bastos, que há dez meses está à frente da Escola Estadual Nova Chance, que atende 2.800 alunos privados de liberdade, o maior desafio nesse período em que está como gestora foi promover uma gestão participativa e democrática, pautada em uma escola transformadora e libertadora, onde o aluno é parte específica e protagonista do processo de ensino-aprendizagem.

Professora da rede estadual há 28 anos, a diretora destaca que sempre acreditou que a educação é realmente o instrumento mais eficaz de transformação social, de qualificação e inserção, tanto na estruturação de vida quanto no mercado de trabalho.
“Justamente por crer na humanidade, é que vejo o estudo para os alunos privados de liberdade como um novo caminho, uma nova chance para ressocialização, construção e reconstrução de uma nova vida ao se reintegrarem na sociedade. Uma das funções da escola, como um todo, é dar a este aluno, uma chance de mudar e ter um futuro melhor. Estou convencida de que as opções de vida nessas circunstâncias específicas só podem ser melhores por meio da educação, portanto, o papel do gestor nesse processo é imprescindível”, observa.
O diretor da Escola Estadual Marcio Schabtt Souza, localizada em Lucas do Rio Verde (a 354 quilômetros de Cuiabá), Wellington José Gobi Zarelli, concorda que ser gestor não é uma tarefa fácil, mas é imprescindível para a melhoria das condições de vida das pessoas que passam pela unidade escolar.

“Para mim, o mais prazeroso em ser diretor é servir à comunidade e fazer o possível para garantir as melhorias para esse espaço educacional, ou seja, é fazer o possível para melhorar a condição de vida de quem passa pela escola, mudando tanto a questão cognitiva quanto o contexto social. Ser diretor é dedicar-se ao máximo e mostrar-se à comunidade com respeito e de maneira democrática”.
Em seu segundo ano de gestão como diretor, Wellington Zarelli, que também foi coordenador por oito anos, acredita que a escola é protagonista quando se refere à mudança do contexto social. Por isso, o gestor deve trabalhar para fazer desse espaço um ambiente mais atrativo aos alunos para que os mesmos se integrem cada vez mais à escola e não fiquem em meios vulneráveis.
“A escola é o refúgio para nossas crianças e esse refúgio além de acolher é um espaço que vai moldar esse cidadão para ter desenvoltura tanto na sua vida social quanto nas questões financeiras, ou seja, a escola é um meio para alavancar a vida de qualquer ser que passe por esse espaço”, observa.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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