Mato Grosso
Polícia Civil mira associação de traficantes em Sorriso e cumpre 94 mandados judiciais
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta sexta-feira (31.03), no município de Sorriso, 97 mandados judiciais de prisão, busca e apreensão e quebra de sigilo bancário dentro da Operação Recovery, que apura os crimes de associação para tráfico, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro contra integrantes de facção criminosa.
As equipes policiais também cumprem o sequestro de veículos ligados ao principal traficante do grupo e o bloqueio de valores em até R$ 1 milhão de integrantes da associação criminosa.
A diretoria da Polícia Civil destaca que a operação, coordenada pela Delegacia da Polícia Civil de Sorriso, é uma resposta dura do Estado à atuação do grupo criminoso que vem atuando de forma endêmica no comércio de drogas no município.
O cumprimento dos mandados envolve equipes policiais das Diretorias do Interior, Metropolitana e de Atividades Especiais da Polícia Civil e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) de Sorriso.![]()
Associação criminosa
Os elementos probatórios reunidos na investigação permitiram à Polícia Civil individualizar as condutas de cada envolvido e o funcionamento da associação voltada ao comércio de entorpecentes e a aquisição de patrimônio ilícito.
Três traficantes identificados na investigação lideram a venda no atacado e no comércio entre os ‘lojistas’ que atuam no varejo de entorpecentes. As investigações demonstraram de forma clara que o investigado W.D.S.T. exercia a gerência no abastecimento das “lojinhas” do tráfico, com a ajuda de sua esposa L.S.M,. em bairros da região oeste de Sorriso, como Terra Brasil, Taiamã I e II, Colinas, Pinheiros I, II e III e Carolina.
Todo pequeno traficante da cidade de Sorriso devia obediência e o pagamento de taxas à facção criminosa responsável pelo território em que atua, integrando ou não o grupo criminoso.
Para abastecer os lojistas, W.D.S.T. tinha como fornecedores diversos criminosos, entre eles dois irmãos que tinham o posto de gerentes da facção no município.![]()
Lavagem de capitais
A investigação da Polícia Civil constatou que toda a movimentação era registrada em planilhas com a quantidade de entorpecente encomendada e vendida aos ‘lojistas’, contabilizada e os recebimentos eram pulverizados em contas de ‘laranjas’. Havia ainda uma tabela de preços, controle de pagamento e histórico de débitos dos lojistas vinculados.
Já o dinheiro da distribuição da droga era movimentado pelo traficante e líder intelectual do grupo G.J.P., que não apenas recolhia o pagamento do que vendia, como também recebia as taxas pagas pelos lojistas à facção criminosa para que pudessem vender entorpecentes em Sorriso. É ele quem determinava quem atuaria como gerente em cada bairro do município.
Além da distribuição e venda de drogas, os dois principais traficantes são investigados por lavagem de capitais. O dinheiro era pulverizado em diversas contas de “laranjas”, a mando de G.J.P., e a regra era escolher como laranjas pessoas com pouco, ou nenhum, histórico criminal. Ele ainda determinava que o dinheiro das “camisas” (taxas pagas pelos traficantes) deveria ser depositado em conta diversa daquela que recebe o pagamento da venda de drogas. O dinheiro das camisas era encaminhado à conta de uma mulher, também alvo da operação pelo crime de lavagem de capitais.
GJ.P., além de liderar a associação criminosa, assessorado por seu irmão, nas redes sociais ostenta uma vida de luxo, paga com o dinheiro do tráfico de drogas.![]()
Divisão dos valores recebidos
Outras mulheres também investigadas no bojo da Operação Recovery atuam não apenas na lavagem de ativos ilícitos da associação, bem como desfrutam da luxuosa vida que o dinheiro sujo propicia.
Duas delas são da mesma família (mãe e filha), que se especializou em fazer lavagem de dinheiro do tráfico, e que conta ainda com a participação do filho. Agindo da mesma forma que os filhos, E.S.B. recebe pagamentos da compra e venda de drogas em suas contas pessoais, a fim de ocultar e dissimular a origem.
Outras investigadas, duas delas companheiras dos traficantes, têm como papel na associação criminosa ceder as contas bancárias para receber e realizar pagamentos de negociações que envolvem o comércio de drogas em Sorriso.
Uma das investigadas, que foi presa recentemente em flagrante por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, e colocada em liberdade provisória, continuou a cometer os crimes da mesma natureza.
Venda de armas
A investigação apurou também que K.N.F.S., de Sinop, e com extenso histórico criminal, fez a venda de diversas armas aos integrantes da associação investigada. Em uma negociação, ele vendeu uma pistola Taurus, modelo PT 58, para o traficante que gerencia o abastecimento dos ‘lojistas’.
A apuração constatou que o criminoso vendeu, somente ao bando aqui investigado, três armas de fogo e ofertou outros diversos armamentos à associação investigada.
“A associação criminosa investigada atua de forma endêmica, constante e vultosa no comércio de diversos tipos de drogas na cidade de Sorriso, principalmente cloridrato de cocaína, pasta base de cocaína, ecstasy e maconha. É importante que seja lembrado o que representa o tráfico de drogas em uma análise macroscópica do combate ao crime, com o recrutamento de jovens, ainda menores de idade, para trabalhar no transporte e comércio de entorpecentes, causando danos não só à geração contemporânea, mas também destruindo a geração futura”, comentou o delegado Bruno França, responsável pela investigação.![]()
Números da Operação Recovery
36 mandados de prisão preventiva
1 mandado de internação de menor de idade
42 mandados de buscas domiciliares
15 quebras de sigilo bancário
Sequestro de veículos
Bloqueio de R$ 1 milhão de reais
Efetivo empregado: 170 policiais civis
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
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Com o aumento dos casos de violência psicológica, perseguição e tentativa de feminicídio, DPEMT destaca a importância de buscar ajuda no início para interromper ciclo

Por Alexandre Guimarães
A violência contra a mulher nem sempre começa com agressões físicas. Ameaças, perseguições, humilhações, controle da vida da vítima e o descumprimento de medidas protetivas são formas de violência que podem evoluir para situações ainda mais graves.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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