Mato Grosso

Políticas Públicas podem reverter desamparo e fragilidade de quem vive nas ruas

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Diogo Cruz, 28 anos, ensino superior incompleto, fluente em inglês, frequentador de academia preocupado com o corpo, nunca imaginou que um dia veria sua vida de classe média ruir ao ponto de morar num albergue por incapacidade de se sustentar. “A decisão não foi fácil, sem emprego e dinheiro, devendo aluguel, sem amigos, fui pra praça da cidade e conheci pessoas que ficavam ali. Um deles me disse ‘pare de acumular dívidas, venda seus bens e vá para um albergue até arranjar trabalho'”.

A vida de pessoas como Diogo está sendo debatida desde a manhã desta quarta-feira (29/8), no auditório Milton Figueiredo, da Assembleia Legislativa, por autoridades, pesquisadores, defensores públicos e a população no II Seminário Pop Rua, organizado pela Defensoria Pública de Mato Grosso e Entidades.

Identificar a estrutura, os serviços e a política pública de apoio para quem perde a capacidade econômica e de condução de sua vida – por fatalidades ou uso de álcool e drogas – estabelecer diálogos e cobrar medidas concretas do Poder Público estão entre os objetivos do evento.

II Seminario Pop Rua – INTERNA (27)”Até agosto de 2016 trabalhei como assistente administrativo numa empresa de Belo Horizonte (MG), fique lá por quatro anos, mas chegou a crise e perdi a vaga. Por meses não consegui recolocação, então passei a fazer bicos de todo tipo de trabalho, fui vendedor, atendente em lanchonete e a partir dai, só tive serviços braçais que não me ajudavam a manter a vida que eu tinha”.

O ápice da decadência econômica do acadêmico de Turismo chegou quando nem os bicos ele conseguia mais. “Meu pai faleceu quando eu tinha sete anos, minha mãe morreu quando eu era um bebê. Fui criado por minha avó, que morreu aos meus 18. Como sou homossexual e meus parentes são evangélicos, nem os procurei para pedir ajuda. Tinha amigos com pais donos de academia, de empresas que diziam que me ajudariam, mas nunca ajudaram. Foi assim que vendi os pertences que tinha, entreguei o apartamento e fui para o albergue de BH”.

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Desde então, Diogo depende da estrutura do Estado para dormir e comer e há quatro meses, vive essa vida num albergue do Porto, em Cuiabá. “Vim pra cá depois de tentar viver em Vitória e ficar assustado com a violência. Se não conseguir nada nos próximos dias, quero voltar para BH. Dignidade pra mim é emprego. Preciso sair dessa vida e a única forma é pelo trabalho”, afirma convicto.

A vida num albergue, não é fácil, conta. Às 8h da manhã todos devem sair, o almoço é servido das 11h30 até 12h e às 14h, todos devem voltar para a rua. O retorno começa às 17h30 e se encerra às 19h. “Se não chegar nos horários, perdemos a chance de estar ali. Se passar das 12h, não almoça mais e se chegar depois das 19h, a vaga é dada a outra pessoa. Só aguenta essa vida regrada quem quer muito sair dessa situação”, explica.

Para ele a rigidez no horário dificulta bastante a mobilidade e as chances de encontrar um trabalho. Mas, valoriza o lugar. “Aqui sei que tenho uma cômoda para guardar o que me restou, uma cama, um banheiro, lugar para lavar minhas roupas, tenho um colega de quarto fixo. No albergue de BH não tinha essa cara de casa, parecia mais um presídio”.

Diogo vive uma situação complexa, difícil, que exige fé e persistência, mas sabe que sua história é leve diante da de muitos colegas do lugar e de outros, que não conseguem ficar ali e optam em viver a vida incerta das ruas.

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O que ele e os outros querem é uma chance. “Não é fácil. Não dá pra confiar em nada e nem em ninguém. A primeira vez que fui para um albergue levei meu notebook, máquina fotográfica, roupas e pertences que dava para carregar. Fui furtado por outros albergados e perdi tudo. Todos dizem que vão ajudar, mas a ajuda não chega”.

II Seminario Pop Rua – INTERNA (74)Seminário – O evento foi organizado para que o tema fosse debatido ao longo de quarta e quinta-feira (30/8), por todo o dia, a partir de oito temas centrais, sob a perspectiva de profissionais que atuam na área e têm experiências positivas em outros estados para contar.

Para a defensora pública do Núcleo Criminal, Rosana Monteiro, organizadora do encontro, essa é a primeira vez que a capital de Mato Grosso discute o assunto com essa amplitude e esse é um começo necessário. “A escassez de informações sobre essas pessoas, a invisibilidade delas, a omissão do serviço público que até hoje não aplicou a legislação de 2009 para o Estado e para os municípios é um dos motivos para trazermos essa pauta para o evento”, afirma.

O promotor do Ministério Público que atua na área da Cidadania, Alexandre Gudes, um dos palestrantes, informou que existem inquéritos civis que apuram a qualidade dos serviços prestados nos albergues de Cuiabá, a rede de atendimento para quem vive na rua, mas todos estão em fase de apuração.

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“O que sabemos é que tudo é muito precário, os serviços dos albergues, a política pública para esse grupo e que há um discurso que tenta desumanizar essas pessoas e legitimar a violência contra elas. E que há muita omissão sobre o tema, do Poder Público e da população”, disse.

II Seminario Pop Rua – INTERNA (24)Programação – “O Direito à Cidade” é o primeiro tema da manhã de quinta-feira (30), a partir da perspectiva de três palestrantes, ao final das falas, o público poderá participar do debate. O tema da sequência será “Políticas Habitacionais para População em Situação de Rua”, com outros três palestrantes, entre eles, o morador de rua Ray Jorge dos Santos, representando do Movimento Nacional de População de Rua de Mato Grosso.

Após o almoço o encontro volta com os temas “Acesso à Justiça e Defensoria Pública” com palestra de dois defensores públicos, um de São Paulo e outro da Bahia e fecha com o depoimento do albergado Diogo. Haverá debate e na sequência o tema: “Grupo Especialmente Vulneráveis – Mulheres, Crianças, Adolescentes e Imigrantes em Situação de Rua” e o evento terminará com um debate, às 18h. Veja as fotos do evento no nossoFlickr.

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MT Hemocentro realiza encontros para debater a importância da doação de medula óssea

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O MT Hemocentro, banco de sangue público do Estado, realiza a partir desta terça-feira (24.05) o IV Encontro Sobre Conscientização da Doação de Medula Óssea e I Encontro Hematológico e Hemoterápico. Os eventos ocorrerão até o dia 26 de maio de forma presencial no auditório da unidade, no período matutino, e com acesso à programação pelo YouTube.

O evento tem como público alvo os servidores da saúde, acadêmicos e profissionais das áreas de medicina e de enfermagem.

Durante os três dias de evento, serão debatidos temas como a importância da compatibilidade imunogenética no contexto dos transplantes de medula óssea; a captação hospitalar; o apoio ao transplantado e a interpretação de métodos laboratoriais para o diagnóstico das hemoglobinopatias.

De acordo com a diretora do MT Hemocentro, Gian Carla Zanela, o evento tem como objetivo multiplicar e informar os profissionais sobre a importância da doação de medula óssea e dos processos técnico-científicos que envolvem as doenças hematológicas, qualificando todos os envolvidos na captação.

“A iniciativa também tem como meta aumentar o número de doadores de medula óssea em Mato Grosso. No Estado já existe a Lei Estadual nº 9.807/2012, que criou a Semana Estadual de Conscientização da Importância da Doação de Medula Óssea, celebrada ao final do mês de maio”, salientou Zanela.

Para acesso à programação online, o interessado deve acompanhar a transmissão pelo canal do YouTube. A lista de presença para a certificação será lançada no chat do canal. Também deverá ser assinado o formulário Google Forms para que seja possível a emissão do certificado.

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Programação

Dia 24/05

09h às 10h – “A importância da compatibilidade imunogenética no contexto dos transplantes de medula óssea”. Palestrante: Drª Flávia Galindo, diretora do Hospital Geral (HGU).

10h30 às 11h – “A captação hospitalar”. Palestrante: Fabiana Molina, da Central de Transplantes (Sureg/SES-MT).

Dia 25/05

09h às 10h – “O apoio ao transplantado”. Palestrante: Francisca Gomes Rodrigues, do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).

Dia 26/05

09h às 10h – “Interpretação dos métodos laboratoriais para o diagnóstico das hemoglobinopatias”. Palestrante: Professor Dr. Edis Belini Júnior, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Campus Três Lagoas.

Fonte: GOV MT

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Mato Grosso

Encontro debaterá enfrentamento à violência infanto-juvenil

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A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) será uma das participantes do 1º Encontro Estadual de Enfrentamento à Violência Contra Crianças e Adolescentes em Mato Grosso, a ser realizado nesta quinta e sexta-feira (26 e 27 de maio), na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.  

Promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente, nos dias 26 e 27 de maio, o encontro será presencial e com transmissão ao vivo pelo canal do Ministério Público no YouTube. Conta, também, com as parcerias do Poder Judiciário (TJMT) e da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

O objetivo é promover o debate e a reflexão sobre medidas de enfrentamento a todas as formas de violência praticadas contra crianças e adolescentes. Conforme a programação, o evento será aberto oficialmente no dia 26 (quinta-feira), às 19h15, após o credenciamento do público. Podem participar membros da rede de proteção e integrantes da sociedade civil.

Às 20h será ministrada a palestra magna “Repensando as práticas de atuação institucional na defesa dos direitos da população infantojuvenil”, a ser proferida pelo procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente.

No dia 27 (sexta-feira), a abertura ficará por conta da Cia Vostraz de Teatro, com a apresentação do espetáculo “Inocentes pétalas roubadas”. Às 8h30 está programado o painel “Enfrentamento ao abuso, exploração sexual e demais violências contra crianças e adolescentes (no pós-pandemia) – Reflexão sobre as práticas de proteção”.

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Os expositores serão a promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, o secretário de Estado de Educação, Alan Resende Porto, o juiz Tulio Duailibi Alves Souza, a delegada de polícia Judá Maali Pinheiro Marcondes e a coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar de Mato Grosso, tenente-coronel Emirella Perpétua Souza Martins. A mediação ficará a cargo do procurador de Justiça Paulo Prado.

Às 14h, é a vez do painel “Mediação de conflitos e rede de proteção”, com o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, o delegado de polícia Clayton Queiroz Moura, o subcomandante da 1ª Companhia de Polícia Militar de Rondonópolis, primeiro-tenente PM Felipe Nunes Cordeiro, e a professora da rede estadual Patrícia Simone da Silva Carvalho. O secretário Alan Porto será o mediador.

Após os debates, os trabalhos serão consolidados com a publicação de uma Carta de Intenções em defesa da criança e do adolescente.

A programação será encerrada com a apresentação do livro “Projeto Luz – Um relato da primeira rede de proteção integrada que aplicou a Lei nº 13431/2017 e o depoimento especial judicial na comarca de Nova Mutum”, escrito pelos promotores de Justiça, Ana Carolina Fernandes de Oliveira e Henrique de Carvalho Pugliesi.

O Encontro Estadual tem o apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, dos Centros de Apoio Operacional (CAOs) da Infância e da Juventude, de Educação, de Cidadania e Criminal.

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Com assessoria do MPMT

Fonte: GOV MT

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Mato Grosso

Nove bolivianos são presos na fronteira com 230 quilos de cocaína

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Nove bolivianos foram presos em flagrante pelo Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron) com mais de 230 quilos de cloridrato e pasta base de cocaína nesta segunda-feira (23.05), em Porto Esperidião (326 km de Cuiabá). A carga apreendida está avaliada em mais de R$ 4,9 milhões. 

Conforme o Gefron, o grupo de bolivianos caminhava na área rural da comunidade Vila Cardoso, localizada a 80 km da faixa de fronteira com a Bolívia. Os suspeitos traficavam na modalidade conhecida como “mulas humanas”, quando a droga é transportada em seu corpo.   

A ação ocorreu por volta das 17h, durante o patrulhamento. A equipe do Gefron flagrou os suspeitos em meio a mata, todos levando sobre os ombros fardos com as mesmas características. Durante a aproximação para abordagem, os nove tentaram fugir com o entorpecente, porém o cerco policial frustrou a tentativa de fuga.

Com os suspeitos os agentes de fronteira contabilizaram 204 tabletes, que totalizaram aproximadamente 232 quilos de cloridrato e pasta base de cocaína. Sendo 109kg de cloridrato e 123kg de pasta base. 

O entorpecente foi encaminhado à Delegacia de Fronteira de Cáceres juntamente com os bolivianos presos. A checagem feita no local não identificou passagens criminais dos suspeitos.

Fonte: GOV MT

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ALMT – Campanha Fake News II

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