Mato Grosso
Programação do Dia Mundial da Água tem ações de educação ambiental em Cuiabá

As atividades que celebram o Dia Mundial da Água começaram nesta quinta-feira (12.3) em Cuiabá com roda de conversa e oficina artística. Promovidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), por meio da Superintendência de Educação Ambiental e Atendimento ao Cidadão (Sueac), as ações fazem parte da campanha “Água Viva para Todos” e têm o objetivo de estimular a reflexão sobre a água como bem comum, essencial à vida e ao desenvolvimento sustentável.
As oficinas precedem a programação do dia 22 de março, data em que é celebrado o Dia Mundial da Água, com uma atividade aberta ao público no Museu de História Natural de Mato Grosso.
A primeira atividade da semana no Centro de Convivência de Idosos Padre Firmo, em Cuiabá, teve roda de conversa “Encontro das Águas”. A iniciativa promoveu um diálogo entre gerações, reunindo idosos atendidos pelo centro e jovens convidados para trocar experiências e percepções sobre o papel da água no cotidiano e os cuidados necessários para sua conservação.
Paralelamente à roda de conversa, aconteceu uma oficina de desenho inspirada no tema “Água Viva para Todos”. A atividade conduzida pela arte-educadora e servidora da Sueac, Rúbia Elian S. Costa, visa incentivar os participantes a refletirem, por meio da expressão artística, sobre a relação entre a água e a vida. Os trabalhos produzidos durante a oficina foram exibidos no espaço expositivo “Varal Nossas Águas”
Ao longo da programação, também estão previstas atividades voltadas às escolas estaduais. No dia 13 de março, alguns alunos participarão da oficina “Caminhos das Águas”, que inclui uma sessão de cinema com exibição de curta-metragem sobre a temática da água e sua complexidade. Após o debate, os estudantes serão convidados a produzir conteúdos em formato de vídeo curto, estimulando o engajamento dos jovens na discussão sobre a preservação das águas.
O encerramento das ações, no dia 22 de março, no Museu de História Natural de Mato Grosso, incluirá uma sessão de cinema com exibição de curta-metragem sobre a temática da água, permitindo que a população participe das reflexões sobre a importância desse recurso para a vida e para o equilíbrio ambiental. A participação será mediante inscrição prévia a ser disponibilizada pelo museu.
“Este ano, vamos celebrar o Dia Mundial da Água com a participação de jovens, crianças, adultos e idosos. A nossa principal mensagem é simples: a água precisa estar disponível, em qualidade e quantidade, para todos. Os idosos trarão a memória e a história de como já foram as águas em nossa cidade, enquanto os jovens nos dirão o que esperam para o futuro. Por meio de atividades artísticas, esperamos que o público possa se expressar e refletir sobre o papel de cada um de nós no cuidado com as águas”, ressaltou a superintendente de Educação Ambiental e Atendimento ao Cidadão, Juliana Carvalho.
Essas ações fazem parte das diretrizes da Política Estadual de Educação Ambiental, instituída pela Lei nº 10.903/2019, que incentiva práticas educativas integradas e contínuas voltadas à conservação da sociobiodiversidade e ao uso responsável dos recursos naturais.
*Texto com supervisão de Renata Prata
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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