Mato Grosso
Rede de Ouvidorias se capacita em Linguagem Simples para melhorar comunicação com o cidadão

Com o objetivo de melhorar o atendimento ao público, os servidores da Rede de Ouvidorias de Mato Grosso participaram de oficinas sobre Linguagem Simples nesta quarta e quinta-feira (10 e 11.9). A capacitação, solicitada pela Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) e promovida pela Escola de Governo, foi oferecida em duas turmas.
O curso ensina técnicas para tornar a comunicação do governo com a sociedade mais clara e acessível. O objetivo é garantir que documentos, respostas e informações institucionais sejam facilmente compreendidos pelos cidadãos.
A professora Beatriz Macedo destacou a importância da Linguagem Simples para fortalecer a relação entre governo e população. “A Linguagem Simples é fundamental para a transparência e para dar autonomia ao cidadão, permitindo que ele compreenda seus direitos e deveres. Ela também torna a comunicação mais fluida, reduzindo retrabalhos. O mais importante é a empatia, pois nosso público-alvo é diversificado”, afirmou.
Durante a oficina, os participantes aprenderam os princípios da Linguagem Simples, como a clareza e objetividade com uso de frases curtas e vocabulário direto, a organização lógica da informação de maneira fácil de seguir, e a aplicação de exemplos práticos em manifestações reais recebidas pelas ouvidorias.
Segundo a ouvidora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Márcia Cristina Dal Toé, a adoção dessa linguagem contribui para a transparência, a confiança e a participação social. “Muitos usuários do serviço público têm baixo nível de escolaridade e não conhecem a burocracia administrativa. Escrever de forma simples garante que o cidadão entenda o que o serviço público exige ou responde. Os servidores devem evitar a linguagem técnica, pois nosso público é o cidadão”, ressaltou.
A capacitação é parte do ciclo de formações contínuas da Rede de Ouvidorias, cuja missão é aprimorar o atendimento e promover a melhoria dos serviços públicos em Mato Grosso.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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